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Estado de clown: grupo leva palhaçaria às ruas

Ações são realizadas nos espaços mais inusitados, como parques e feiras de Manaus

A inquietação com a falta de formação para palhaços em Manaus também motivou o grupo a criar o projeto. Ainda neste mês, Danilo e Elisa vão participar de cursos de iniciação em São Paulo e Belo Horizonte.

A inquietação com a falta de formação para palhaços em Manaus também motivou o grupo a criar o projeto. Ainda neste mês, Danilo e Elisa vão participar de cursos de iniciação em São Paulo e Belo Horizonte. (Divulgação)

Não estranhe quando você se deparar com uma trupe de palhaços atraindo todas as atenções em pleno parque de diversões, feira, praça ou ponto de ônibus. Sem aviso prévio, os integrantes da companhia Cartolas Produções aparecem nos lugares mais inusitados para interagir com os transeuntes e a paisagem urbana, levando às ruas uma das figuras mais tradicionais das artes cênicas. A série de intervenções faz parte do projeto “Clowntidiano”, realizado pelo grupo há cerca de um ano e já com planos de expansão.

Participam da iniciativa os atores Jean Palladino (palhaço Caco), Danilo Reis (Padin), Elisa Neves (Mel), Kássia Teixeira (Peixa), Déborah Ohana (Patyllene) e Allícia Castro (Lilica Panetone). Tudo começou quando Kássia se mudou para o Rio de Janeiro e os amigos de grupo resolveram fazer uma despedida diferente para ela. “Fomos ao aeroporto vestidos de palhaço e vimos que rolou”, conta Elisa, que também se mudou para a capital fluminense e hoje realiza o projeto junto com a colega por lá.

Para os artistas, não tem como o palhaço passar despercebido no cotidiano - a experiência é completamente diferente de quando se vai ao circo ou ao teatro para assistir a um espetáculo clownesco. “É um jogo em que quebramos expectativas porque trabalhamos com o imprevisível”, explica Elisa. “Na correria do dia a dia nós nos acostumamos a estabelecer um tipo de diálogo com as pessoas e os ambientes, então nossa proposta é ir para as situações da vida real e ver como a presença dos palhaços transformam a realidade e o dia de alguém”, completa.

Reação

Em um ano de ações nas ruas de Manaus e do Rio, os atores da Cartolas Produções já têm histórias para contar – do sucesso que fizeram na fila de um parque de diversões ao fiasco que foi uma intervenção numa praça da Glória. “O maior desafio do palhaço é continuar jogando sempre, ainda que ninguém jogue com você”, arremata Danilo, no que é complementado por Jean: “Mas também é assumir o fracasso de quando não dá certo. Sempre que vamos com uma carta na manga, não funciona”.

Para Elisa, o ofício de clown exige, sobretudo, verdade. “É muito difícil para nós que viemos do teatro lidar com isso, porque queremos logo criar uma solução”. Jean é o integrante do grupo que trabalha há mais tempo com palhaçaria e conta ser visível como todos os personagens que ele interpretou desde então têm um quê de Caco, seja uma voz ou um trejeito. “O palhaço é muito resultado da exaustão do ator, como se fosse uma reação do corpo”, explica ele.

Identidade

“Jogo”, “identidade” e “descoberta” foram palavras recorrentes durante a conversa com os atores para esta reportagem. A impressão que fica é que eles vêm dedicando a atenção e o carinho que o “Clowntidiano” exige. Por isso, a reação e o envolvimento deles são justificáveis diante de um projeto que mexe com personalidades e registros interiores.

“Quem trabalha com palhaçaria acaba sendo palhaço sempre, e não só quando está vestido. Não é um personagem, são desdobramentos de nós mesmos”, garante Elisa. “A Elisa é super palhaça na vida real, a gente que convive com ela sabe disso. As coisas acabam se confundindo”, acrescenta Danilo. A partir da experiência que vem adquirindo no projeto, Allícia já pode dizer “A Lilica age de acordo com o meu temperamento”. Já para Jean, ser palhaço é uma espécie de chamado, fruto da experimentação.

Planos

Segundo Danilo Reis, os próximos passos do “Clowntidiano” envolvem uma possível circulação por capitais do Sul e Sudeste, objetivo que o grupo pretende alcançar concorrendo em editais públicos e através da venda de produtos personalizados durante as futuras apresentações. Para quem quiser ficar por dentro das outras ações e entrar em contato com os Cartolas, uma página será lançada no Facebook neste domingo, dia 5.