Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Barulho e falta de atenção do público atrapalham espetáculos em Manaus

Maus hábitos nas apresentações artísticas irritam artistas e espectadores

Camille e Rodin

Durante apresentação de 'Camille e Rodin' no Teatro Amazonas, ator Leopoldo Pacheco deu bronca em espectador (Divulgação)

No último sábado, 30 de novembro, o espetáculo “Camille e Rodin”, apresentado em sessão única no Teatro Amazonas, teve que ser interrompido por um breve momento, deixando tenso o público que acompanhava a história da paixão entre os dois artistas franceses. Dividindo o palco com Melissa Vettore, o ator Leopoldo Pacheco resolveu parar a apresentação para dar uma bronca em algumas pessoas da plateia que não desgrudavam do celular, causando desconforto no elenco por conta da luminosidade das telas. Antes disso, um cacarejo já tinha ecoado do bolso de algum desavisado que havia se esquecido de por o aparelho no modo silencioso.

Ignorando os avisos e pedidos prévios, situações como essas tem sido cada vez mais comuns em teatros, cinemas e outros espaços culturais que exigem a colaboração do público para que a experiência coletiva seja a melhor possível. O coreógrafo Francisco Rider, que assistiu à apresentação de “Camille e Rodin”, achou conveniente o puxão de orelha dado por Pacheco.

“Não lembro dessas coisas acontecendo quando eu era adolescente. Ir ao teatro ou ao cinema era um atividade quase sagrada. Hoje em dia, as pessoas entram no teatro como se estivessem na casa delas”, desabafa o artista. Para ele, o problema está na confusão entre espaço público e privado. “Essa barreira é quase invisível, mas deve existir. Não é uma atitude esnobe nem elitista, é questão básica de educação”, completa, estendendo o problema aos bancos e transportes coletivos.

Na opinião de Rider, os limites e a postura de respeito na hora de apreciar uma produção artística não podem depender de gênero ou formato. “Meus espetáculos têm a característica de desconstruir a relação ativo-passivo entre performer e espectador, o que não quer dizer que alguém falando ao celular no meio dele não me irritaria. O público, mesmo sendo pagante, precisa respeitar nossa posição de fragilidade no palco”.

Mudança de hábito
A realizadora audiovisual Keila Serruya deixou de ser uma frequentadora assídua das salas de cinema de Manaus – “já perdi a paciência”, diz. No caso dela, o estresse com os incômodos causados pela plateia se soma à irritação com os problemas técnicos que, vez ou outra, afetam as projeções. Para Keila, ainda pior que os celulares é o ruído dos pacotes de guloseimas que as pessoas levam para as salas.

“Acho que tem muito a ver com a relação forte do brasileiro com a televisão. As pessoas têm o costume de fazer comentários durante a novela e acabam levando isso para dentro da sala de cinema, o que vira um problema. Um filme não é só uma relação de fala; às vezes conta-se uma história através de imagens”, explica a cineasta, para quem a atenção especial nesses ambientes é essencial.

Para quem costuma levar crianças e bebês ao cinema, correndo o risco de ter que lidar com queixas e choros, Keila aponta alternativas como o projeto CineMaterna, que promove sessões para pais com filhos de até 18 meses. Em Manaus, a próxima edição será no dia 12, às 14h, em sessão especial do filme “Crô”, no Cinépolis.

Outras saias-justas

Antonio Fagundes, em “Sete Minutos”Dirigido por Bibi Ferreira, em 2003, Fagundes interpretava um ator veterano e bem ranzinza que, em uma montagem de “Macbeth”, interrompe e abandona a sessão por não suportar mais os celulares e bips tocando, as tossidas da plateia e um senhor, na primeira fileira, sem sapatos e com os pés sobre o palco.

Helen Mirren, em “The Audience”Em maio deste ano, a atriz oscarizada saiu vestida de rainha de um teatro londrino para calar aos palavrões um grupo de percussionistas que estava atrapalhando sua peça. “Eu me senti péssima, mas eles estavam destruindo nossa apresentação”, disse ela.

Hugh Jackman, em “A Steady Rain”Em 2009, o astro repreendeu uma pessoa da plateia que assistia à sua peça por deixar o celular tocar durante a apresentação. Jackman interrompeu a peça para pedir que a pessoa desligasse o aparelho. “Você pode atender? Atenda, não nos importamos”, disse o ator dirigindo-se à plateia.

Madonna expulsa de cinemaAo prestigiar a première de “12 years a slave”, a cantora incomodou os presentes por não parar de mandar mensagens de texto durante a sessão. Depois de saber do caso, o dono da rede de cinemas foi ao Twitter e avisou que a cantora está barrada das salas de sua companhia.