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Comédia ‘Arte’, com Vladimir Brichta, mostra DR entre homens

Espetáculo tem elenco composto pelos atores Marcelo Flores, Vladimir Brichta e Claudio Gabriel. Peça pretende abordar questões sobre a vida e relacionamentos nos dia 29 e 30 de março, no Teatro Manauara

Temporada popular da comédia "Arte" passa por Manaus nos dias 29 e 30 de março

Temporada popular da comédia "Arte" passa por Manaus nos dias 29 e 30 de março (Divulgação)

Para quem leva o zodíaco em conta, uma consulta aleatória ao horóscopo revela que as pessoas do signo de Áries costumam ser honestas e diretas nas relações pessoais. Em geral, são boas amigas, ainda que possam ser irritantes e acabem ferindo a sensibilidade dos demais. Nascido num mês de março, o ator Vladimir Brichta não escapa à descrição de um ariano. Apesar de preferir evitar os conflitos, ele não esconde que já discutiu a relação com amigos do peito. “Acho que lido bem com essas situações, mas também me identifico com o lado conciliador do Ivan”, diz.

Ivan, no caso, é o personagem que Brichta interpreta na comédia “Arte”, que passa por Manaus em temporada popular no Teatro Manauara, no dias 29 e 30 de março. No espetáculo, escrito pela dramaturga francesa Yasmina Reza e dirigido por Emílio de Mello, um quadro em branco desencadeia entre três amigos de longa data uma série de questionamentos sobre vida e relacionamentos. Dividem o palco com Vladimir os atores Marcelo Flores (Marcos, o mais tradicional dos três personagens da peça) e Claudio Gabriel (Sérgio, o antenado em arte contemporânea).

Brichta, que lembra da recepção calorosa do público manauara quando esteve aqui em 2010, conta que na comédia de Yasmina os personagens passam a limpo 20 anos de amizade. “Eles têm as suas diferenças, e tudo isso acaba vindo à tona. Discutir relação é algo que pertence muito mais ao universo feminino, porque o homem costuma evitar esse confronto. Quando acontece, vem com toda a força e acaba sendo muito explosivo, agressivo, mas também muito afetuoso”.

O próprio Brichta conta que, ao longo dos dois anos em que a comédia vem sendo encenada, ele chegou a ter a sua DR com o amigo e parceiro de elenco Marcelo Flores. “Sempre nos entendemos bem, mas durante os ensaios também lavamos a nossa roupa suja. A própria peça suscitou, mas estávamos dispostos a isso”, relembra.

Tensões e riso

Para ele, “Arte” está entre o trágico e o patético. De fato, a autora (a mesma de “Deus da carnificina”, levada aos palcos e às telas de cinema) revela que escreve um teatro de tensões, porque elas nos governam: “Minhas obras sempre foram consideradas comédias, mas penso que são tragédias divertidas. Mas tragédias, ao fim”.

Ao falar sobre a peça, Brichta teoriza que o humor e o riso não aparecem como fim, mas como meio. “Não é só para o público gargalhar, apesar de acontecer e me deixar feliz. A ideia é fazê-lo pensar sobre as suas relações com o amigo ou o próximo, afinal, temos uma inabilidade recorrente de lidar com opiniões que divergem das nossas”, afirma o ator. “É uma reflexão sobre as relações humanas com foco na amizade masculina”, resume.

No entanto, na visão dele, as tensões do texto nunca descambam para o melodrama. “A Yasmina cria a tensão mas insere o viés cômico em seguida. Ela realmente mantém o riso nervoso, e nesse momento é que dá para reconhecer o esgarçar das tensões e relações”. Ao contrário de “Deus da carnificina”, no entanto, “Arte” termina com um sopro de otimismo. Brichta deixa escapar: “Tem um final quase feliz...”.

Estreia na produção

Encenada em mais de 30 países, esta é a quarta vez que “Arte” é montada no Brasil. O projeto foi idealizado por Marcelo Flores em parceria com Emílio de Mello e marca a estreia de Vladimir Brichta como produtor. Para o ator, a produção tem seus lados positivos e negativos. “Por um lado, tenho que lidar com uma burocracia que dá dor de cabeça, mas percebi que como produtor tenho mais responsabilidade sobre o projeto, que torna-se mais autoral”.

Com uma visão mais completa do processo teatral, Brichta entende que são as escolhas da equipe de produção que traçam o rumo que o trabalho vai tomar. “Agora não são mais apenas as escolhas que faço no palco, mas também em relação a como vamos ‘acontecer’, a forma como vamos divulgar, etc. Agora tudo isso são escolhas minhas também”.

Premiado como melhor ator de série (Tapas & Beijos) pela Contigo!, Vladimir também justifica seu retorno à comédia. “Para mim, que venho exercitando esse gênero na TV e no cinema com frequência, só faria sentido voltar a ela no teatro se o riso fosse o meio e não o fim. E é isso que Yasmina faz com maestria”.

Serviço

O quê: Espetáculo “Arte”

Onde: Teatro Manauara, Praça de Alimentação do Manauara Shopping

Quando: Dias 29 e 30 de março, às 21h e 19h, respectivamente

Quanto: R$ 10 (meia)