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Confira os DJs que celebram a música brasileira em remixes e festas temáticas

Recontextualizações de músicas nacionais nas pistas do país colocam a herança musical do Brasil em contato com a nova geração 

DJ Zé Pedro, que comanda a festa paulistana Tô Q Tô

DJ Zé Pedro, que comanda a festa paulistana Tô Q Tô (Arquivo AC)

Não é só o pop made in USA que anima as melhores pistas País a fora. A música brasileira - seja ela das antigas ou da nova safra, remixada ou sampleada - também arrasta um público fiel para festas já tradicionais tanto no Rio quanto em São Paulo.

Uma delas é a Tô Q Tô, que já entrou para o calendário do Lions Nightclub, na capital paulista. Lá, os DJs Marcus Preto e Zé Pedro misturam Mutantes, Alcione, Valesca Popozuda, Caetano, Tulipa Ruiz e Ney Matogrosso num caldeirão tupiniquim que faz o pessoal dançar até altas horas.

“Música brasileira sempre foi a minha paixão”, admite Zé Pedro, que já se viu encurralado por causa da preferência. “Quando comecei minha carreira, quase perdi o emprego muitas vezes porque insistia nesse assunto quando o preconceito ainda era muito forte. O jovem da época preferia house music e outros estilos estrangeiros”.

Para driblar a dificuldade, ele começou, ainda nos anos 90, a remixar artistas como Maria Bethânia, Chico Buarque e Clara Nunes. Até que, um ano atrás, ele decidiu criar a Tô Q Tô em parceria com o jornalista Marcus Preto, outro apaixonado pelo som brasileiro como ele.

Segundo Zé Pedro, a inspiração para o nome da festa veio de uma canção da dupla Kleiton e Kledir, sucesso na voz de Simone. “Marcamos uma primeira data sem compromisso e o sucesso foi tão grande que resolvemos nos profissionalizar”, brinca.

Alternativa

Como São Paulo tem inúmeras opções de festas com proposta semelhante, os residentes da Tô Q Tô partiram para um set que tivesse um diferencial. Por isso é que os novos nomes da cena (Karina Buhr, Tulipa Ruiz, Thiago Pethit e Silva, só para citar alguns) acabam ganhando atenção especial. “Mas também adoramos resgatar um passado menos previsível. Eventualmente, entram alguns remixes dos meus três discos que ficaram mais conhecidos”, explica Zé Pedro, que disponibiliza sua produção no site http://www.djzepedro.com.br.

A aproximação com os novos cantores e compositores é consequência direta do trabalho dos dois DJs – enquanto Zé Pedro também gerencia um selo musical próprio, o Joia Moderna, Preto produz álbuns e escreve artigos sobre música para jornais e revistas. “Sendo assim, essa turma está sempre com a gente, tocando ou na pista”, destaca Pedro. 

Boss in Drama

Na última semana, o produtor e DJ Péricles Martins, mais conhecido pelo projeto Boss In Drama, colocou Ariana Grande, Iggy Azalea e Gretchen cara a cara em um remix da música “Problem” (parceria entre as duas primeiras). No caso, o hit foi sampleado com o clássico “Melô do Piripipi (Je Suis La Femme)”, de Gretchen. O resultado foi um pop com referências do samba, funk carioca e reggaeton.

Essa não foi a primeira vez que Péricles fez experimentações com hits brazucas. Ele já remixou clássicos como “Alô Alô Marciano”, gravada por Elis Regina, “Fera Ferida”, na voz de Bethânia, “Chega Mais”, de Rita Lee, e até mesmo “Conga”, de Gretchen.

“Música brasileira sempre foi uma grande influência na minha produção e nos meus sets, porém muitas vezes elas não encaixavam no conceito do meu show porque a batida não combinava, não era atual ou ficava muito ‘fraca’ em relação às outras músicas”, comenta o DJ, em entrevista à reportagem.

O remix foi a forma que ele encontrou de inserir o repertório nacional das antigas aos seus sets de música pop e eletrônica contemporânea. Assim ele resume o experimento: “É como dar uma injeção de modernidade para deixá-las ainda mais dançantes, sem tirar a identidade original que elas possuem e que o artista quis imprimir”.

Ele também diz que as músicas passam pelo crivo do público, que está mais aberto a novos sons. “Eu sempre toco, e na maioria das vezes funciona muito bem! Com o novo pop nacional cada vez mais eletrônico e dançante, as pessoas estão mais acostumadas a ouvir música brasileira na pista, e esse preconceito está indo pro ralo, o que é maravilhoso pra quem gosta de ouvir música nacional nas festas”.

Em Manaus

Em Manaus, o DJ e produtor cultural Marcos Tubarão participa de eventos e festas ligadas à música brasileira pelo menos desde o início dos anos 2000. “Sambatuques” e “Soul Mais Sexta” são alguns dos eventos que ele já assinou.

Com uma coleção de mais de 30 mil discos de vinil em casa, ele se destaca por tocar seus sets direto dos bolachões. “É um trabalho de pesquisa onde dou preferência àquelas músicas do lado B e até C da nossa música. É impressionante como ela tem um valor mundial que vai muito além de Caetano ou Gilberto Gil”, declara.

Ele também exalta a aproximação entre os talentos de hoje e os da velha guarda, como Criolo e Veloso. O próximo compromisso de Tubarão é no evento de artes integradas Arte Transforma Redenção, que acontece no dia 30 deste mês. Para a ocasião, ele prepara uma performance de áudio e vídeo onde a black music tupiniquim será o destaque.