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Os ‘órfãos’ da Copa no Brasil e as lembranças vivas de um Mundial realizado na cidade de Manaus

A depressão pós-Mundial já é algo que eles procuram vencer, mas sem esquecer dos dias alegres de uma Copa do Mundo “em casa”

A alegria experienciada na Copa vai deixar saudades para Ana Paula Batista e Jéssica Soldera

A alegria experienciada na Copa vai deixar saudades para Ana Paula Batista e Jéssica Soldera (Evandro Seixas)

Se passaram 31 dias. E neste domingo (13), dia da final da Copa do Mundo, os “álbuns de fotos digitais” – já que os físicos cada vez mais se distanciam da nossa realidade – revisitam, nas mãos de seus donos, todo o brilho e calor de um período que gritou ao mundo os valiosos diferenciais de Manaus e seus habitantes.

Em meio aos dedos que passam tantas lembranças nas telas touch screen dos celulares e outros portáteis, uma saudade se intercala dentro daqueles que desempenharam a tarefa de “existir com vivacidade” nos já saudosos dias de Mundial no Brasil, e principalmente na capital amazonense.

Para muitos, apesar da derradeira derrota sofrida pelo time da casa no campeonato, a Copa valeu cada segundo. A depressão pós-Mundial já é algo que eles procuram vencer, mas sem esquecer dos dias felizes de uma Copa “em casa”.

A diversão, a injeção de culturas e a amizade são três das heranças que a jornalista Ana Paula Batista, 27, carregará do Mundial. Mesmo sem ter ido a nenhum dos quatros jogos sediados na capital, ela alega ter aproveitado até bem mais assistindo às partidas no Largo São Sebastião, que, em duas semanas e meia se transformou em uma espécie de “Torre de Babel baré”: em frente ao Teatro Amazonas, a praça se tornou palco da alegria de diversas nacionalidades neste período.


Porém, Ana Paula admite ter “adotado” quatro noruegueses. Ela dá risada ao lembrar da reação dos amigos estrangeiros ao tomarem tacacá pela primeira vez. “Primeiro por ser uma ‘sopa estranha’ (segundo eles). Segundo porque faz a língua dormir”, diverte-se.

Sobre a experiência, Batista assegura que foi como fazer um intercâmbio sem sair de casa. Para ela, não são só as pessoas que choram na despedida da Copa: a cidade também. “Manaus viveu dias inesquecíveis. Me emocionou ver o carinho do manauara no tratamento com o turista. Todo mundo querendo ajudar e ser solícito. Até quem não falava inglês passou sua mensagem. Após os jogos em Manaus sinto uma leve tristeza no ar. O Largo já não é mais o mesmo”, admitindo estar vivenciando uma típica depressão pós-Copa e ter até chorado de saudades.

“A cidade está mais calada, sem dúvida. Durante a Copa tínhamos mais cores, mais sotaques e muita interação das pessoas nas ruas”, disse a bióloga Jessica Soldera, 23, que também viveu intensamente estes dias, que foram cercados por lugares como a casa de shows Copacabana, Largo São Sebastião e Fifa Fan Fest, além de ter feito amigos estrangeiros que ficaram hospedados na chácara de sua avó.


Em Manaus, os turistas viveram como verdadeiros amazonenses: nos domingos ajudaram Jéssica a fazer churrasco (prato que, segundo ela, era a comida brasileira favorita deles ao lado do nosso refrigerante Baré), e, à noite, pediam para ir tomar tacacá. Até algumas situações típicas do nosso cotidiano foram vividas por eles (e por ela) com atipicidade, a exemplo de cortar coco, fazer caipirinha e ir de ônibus para os estádios em dias de jogo. “Tudo era divertido para eles”, relembra a bióloga.

Jéssica acredita ter reinado nestes dias uma alegria que contaminou a todos, e que não tem relações com os problemas políticos do País - tão ressaltados em protestos anti-Copa.

“Eu diria a essas pessoas que elas devem saber a diferença entre protestar sobre política e protestar acerca de uma festa. E digo que essas pessoas devem ter se divertido tanto quanto quem não protestou, porque a festa era para todos”, diz ela, cuja afirmação faz analogia com o fato de esta ser a “Copa das Surpresas”. “Não importou raça, credo, cor ou posição social. Todos puderam participar, seja nas arenas ou nas ruas”, complementa.

Em um certo bar

Roberto Carvalho jamais poderia imaginar que uma reportagem internacional pudesse ter tanta repercussão.  De todos os bares e pontos turísticos da cidade, talvez nenhum tenha assistido tão “a camarote” a alegria da Copa em Manaus como o tradicional Bar do Armando, adotado pelos turistas como uma sede de socialização.

Gerente do bar, Roberto afirma que, pouco antes de começar o Mundial, alguns grupos de estrangeiros mandavam mensagens por meio da página do bar no Facebook, avisando da ida a Manaus e perguntando detalhes sobre a casa. “Os turistas estavam felizes só por estar aqui, e isso faz falta”, aponta ele, dizendo apostar que o saudoso Seu Armando, mesmo no céu, também deve estar em saudosismo com a Copa por aqui.

“Teve um dia em que chegamos às 9h no bar e já tinha ingleses esperando para entrar. Informamos que o bar abria às 10h, mas acabamos abrindo mais cedo mesmo. Quando chegou o caminhão de cerveja, os turistas ajudaram a descarregar as caixas. É claro que não deixamos, mas foi engraçado”, relembra Roberto, às risadas. Ele afirma que mesmo com o fim dos jogos em Manaus a movimentação não parou.