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Dengue em debate: problemas e soluções

Especialistas discutem os desafios da doença, que em 2013 provocou mais de 800 mortes no Brasil

Pesquisadores vão trabalhar o controle da população do mosquito a partir de sua alteração genética, com a inserção da bactéria Wolbachia no organismo do inseto, reduzindo sua longevidade

Pesquisadores vão trabalhar o controle da população do mosquito a partir de sua alteração genética, com a inserção da bactéria Wolbachia no organismo do inseto, reduzindo sua longevidade (Reprodução)

Considerada atualmente como a arbovirose mais importante do mundo, a dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, é tema de diversos debates e conferências pelo mundo. Recentemente, aconteceu no Brasil o Painel Multidisciplinar Dengue 2014, promovido pela Johnson & Johnson, onde especialistas de diversas partes do País discutiram e apresentaram resultados acerca do panorama atual da doença. Ainda que a vacina específica contra a doença, conforme explicitado no encontro, esteja distante de nós, uma descoberta digna de nota se refere à redução da transmissão do vírus a partir do controle da população de mosquitos, cujo teste já encontra-se armazenado em terras brasileiras.

Para o médico Artur Timerman, mestre em infectologia pela Universidade de São Paulo, a dengue é a maior expressão da urbanização caótica vivenciadas nas grandes cidades distribuídas pelo País. Ele afirma que a população brasileira vive uma das maiores secas da história do Brasil, além da deficiência de coleta e tratamento de esgoto, fatores que, somados, ampliam a população do mosquito. Timermam pondera, por sua vez, o possível surgimento do quinto sorotipo da doença, surgido na Malásia há quatro anos, cujas análises são coordenadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Conforme o especialista, foi realizada uma análise no material genético que circulava pela região e ele tinha todas as características que o definiam como um vírus da dengue, mas com mutações em seu genoma. “A dengue do quinto sorotipo não é mais grave que as demais. É como a dengue clássica, cujos sintomas eram febre, mal-estar e dor de cabeça. Talvez esteja no processo que chamo de maturação das suas características biológicas, que vão fazer com que o sorotipo se adapte a ser transmissível e então ele terá a relevância como os quatro tipos”.


Possível salvação

A erradicação do vírus da dengue é impossível, conforme o mestre em Biologia Parasitária pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz RJ), Gabriel Sylvestre (foto). Porém, estudos que já chegaram ao Brasil em 2012 se preparam para trabalhar o controle da população do mosquito a partir de sua alteração genética, com a inserção da bactéria Wolbachia no organismo do mesmo, presente em 65% das espécies de insetos e responsável pela redução do tempo de vida deles. O projeto original é oriundo da Austrália e foi baseado na Universidade de Monash, em Melbourne.

“A bactéria vem de uma história muito antiga de interação do mosquito com a fruta, pra que descobríssemos esses efeitos de redução de longevidade, tempo de vida da mosca, e do bloqueio da infecção pelo vírus de mosca. Em 2009, eles conseguiram fazer essa introdução da bactéria no mosquito da dengue. Os pesquisadores perceberam no laboratório que acontecia a mesma coisa que acontecia com a mosca”.

Conclusões deram conta de que o mosquito Aedes aegypti com a Wolbachia no seu organismo vivia menos tempo, e não se infectava com o vírus da dengue. Ainda segundo Gabriel, testes de campo liberavam mosquitos com a bactéria em quantidade elevada em algumas regiões, para que estes cruzassem com os outros mosquitos, comenta. “Em pouco tempo todos os mosquitos do lugar passam a ter a bactéria. Isso chegou ao Brasil em 2012 e a Fiocruz assumiu o projeto, ainda em testes de laboratório. Temos esse mosquito com a bactéria alojado lá, mas não há nenhum teste de campo ainda, porque estamos esperando as aprovações regulatórias do governo”, pontua.


E a vacina?

A variedade de sorotipos da dengue é o que impede que se produza uma vacina realmente eficaz para a doença, conforme Kleber Luz (foto), doutor em doenças infecciosas pela Universidade de São Paulo (USP).

“Se você tem a dengue tipo 1 e anos depois contrai a dengue tipo 2, neste segundo momento a doença pode vir mais grave. Existe uma modificação no sistema imunológico da pessoa, que ao invés de combater o vírus, fica ao lado do vírus, facilitando sua multiplicação, o que chamamos de mecanismo de amplificação. Se fazemos uma vacina contra o tipo 1, e a pessoa se contamina depois com o tipo 2 ou 3, ela corre riscos. Nesse caso, a vacina seria um agravante para a doença. Já foram testadas vacinas para todos os tipos, mas elas não conseguem fazer com que o indivíduo produza defesas contra os quatro sorotipos da doença”, revela.

* A jornalista viajou a convite da Johnson & Johnson.