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Festival Amazonas de Ópera completa 15 anos

Mais de 60 montagens depois, festival segue firme, forte e produzindo com excelência em Manaus

  • “Suor Angelica” tem 90% de solistas locais e residentes, gente da terra
    FOTO: Marcelo Cadilhe
  • Primeira ópera vai até Iranduba e será apresentada em bairro da cidade
    FOTO: Marcelo Cadilhe
  • Maestro Malheiro é o diretor musical do FAO, além de regente de títulos
    FOTO: Marcelo Cadilhe

Como um filme, cenas marcantes dos 15 anos do Festival Amazonas de Ópera (FAO) passam pela cabeça do maestro Marcelo de Jesus, que nesta edição do mega evento, cuja abertura oficial acontece terça-feira, 26, às 20h, no Teatro Amazonas, vai reger “Carmina Burana”, de Carl Orff, “Dialogues des Carmélites”, de Francis Poulenc, “Messias”, de Händel, as “Cenas Líricas”, uma homenagem às mais de 60 montagens apresentadas desde 1996, em parceria com o diretor artístico e maestro Luiz Fernando Malheiro, fora recitais e até tocar piano com solistas.

Na verdade, o maestro tem exatos 12 anos no evento, que consolidou sua carreira na música erudita.

“O FAO é impressionante, uma referência mundial. Estava em Nova York, fazendo reciclagem, assistindo temporada de ópera, e conversando com uma senhora, uma pessoa do público, normal, ao falar que era de Manaus, ela logo fez referência ao festival”, diz Marcelo, entre um intervalo e outro dos ensaios gerais para o início da temporada operística da capital.

Com a maturidade de um bom vinho, envelhecido, de qualidade e excelência, o FAO ultrapassa barreiras geográficas - e até foi citado no Vaticano, pelos dois últimos papas, João Paulo II e Bento XVI, por montar Wagner - e de classes, unindo o erudito ao popular, levando a arte quadricentenária às ruas, aos bairros e ao interior.

“Não existe nada, com tanta duração, em produção no Brasil, tirando o teatro e o Festival de Gramado, que passe por tantos governos e não seja uma cultura popular”, diz o maestro.

Inovação, recriação e o fora do comum sempre foram uma marca registrada do FAO nestes 15 anos, e agora não poderia ser desigual. No extenso programa, que vai até final de maio, há três montagens de porte.

O “Dialogues des Carmélites” é montada no Brasil pela segunda vez, sendo a primeira produção nacional.

Já “Tristão e Isolda”, de Wagner, é o desafio técnico, artístico, musical e cênico para quem faz a ópera na Amazônia: “É o auge de Wagner, uma obra de maturidade, perfeita para comemorar a 15ª edição do festival. Podemos fazer, apesar de ter uma exigência de arte total. Tudo tem que estar no máximo de qualidade para ‘Tristão e Isolda’”, fala o regente.

E, fechando o programa deste ano, o concerto de encerramento apresentará ao público, no Largo São Sebastião, “Cenas Líricas”, fazendo um apanhado de cada edição do mega evento, um roteiro musical e cênico para contar a história do FAO.

Nele, a plateia terá trechos de “Carmen”, de Bizet (1º FAO), “Tosca”, de Puccini (2º FAO), “Madama Butterfly”, outra de Puccini (3º FAO), “Il Guarany”, de Carlos Gomes (apresentada no 4º ano), entre outros tantos títulos, como o fantástico “O Anel do Nibelungo”, a peça de desafio do 9º ano.

Além do Anel, o evento tinha outras duas produções e se caracterizou, fora a afinação em todos os setores, pela dedicação extrema e doação dos artistas e técnicos que trabalharam sem parar, alguns sem sair do TA.

Foi o caso dos montadores de palco, que passaram uma semana morando no teatro, porque os cenários eram tão grandiosos, que começavam a desmontar de madrugada, e ficavam desmontando e montando a próxima ópera até 17h do dia seguinte.

“Não dava tempo deles irem para casa. O palco era inclinado e havia um espaço embaixo, onde eles dormiam em redes”, lembra Marcelo de Jesus.

Não houve refresco para os regentes e orquestra. Em geral, os ensaios noturnos acabam antes da meia-noite. “Com a ‘Valquíria’, de Wagner, no Anel, lembro que era 1h e ainda faltava um ato inteiro para ensaiar. E o Malheiro ainda dizia: hora do intervalo, brincando”.

Outra característica do FAO é seu mergulho no novo e original, digamos quase no fora de circuito. Na hora de escolher as montagens de cada ano, nem só de clássicos vive a temporada operística de Manaus.

Eles até estão lá, sempre presente, mas não como carro-chefe. Se valoriza resgatar um título e até mesmo se arriscar a fazer o que não tinha sido feito com propriedade antes. Foi o caso de “Yerma”, de Villa Lobos, do ano passado, que tinha uma dificuldade com a partitura, que precisou ser recriada. “Temos liberdade, uma concessão cultural, sem interferências”, diz o maestro.

Para onde aponta o futuro
Cronograma, cenário, afinação. Essas são palavras que fazem parte da rotina de monta e desmonta do Festival de Ópera, uma ginástica enorme entre todos os atores deste grande ato.

Este ano são mais de 500 pessoas envolvidas diretamente na produção. Entre os marcos dos 15 anos, destaque para a criação da Central Técnica de Produção (CTP); da formação de solistas locais ou residentes; e a abertura de uma Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica, para onde vão os jovens músicos formados no Liceu de Artes Cláudio Santoro, também outra herança do FAO.

A importância dos formados aqui é tanta que a abertura terá a estreia da Experimental, mostrando a confiança na excelência do futuro da ópera.