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Festival de ópera começa no próximo domingo (20) trazendo clássicos para o Amazonas

Montagem de ‘Carmen’ é um dos destaques da edição, que traz ainda concertos e recitais populares

Pier Francesco Maestrini (de cinza, no palco) com os cantores no ensaio de ‘Manon’

Pier Francesco Maestrini (de cinza, no palco) com os cantores no ensaio de ‘Manon’ (Euzivaldo Queiroz)

Chegando à “maioridade” em seu 18º ano, o Festival Amazonas de Ópera (FAO) começa no próximo domingo, dia 20, apostando em títulos consagrados do repertório lírico como atrações principais de sua programação. A seleção deste ano inicia com montagens de “Manon Lescaut”, de Puccini, abrindo o festival, e segue com “Lucia di Lamermoor”, de Donizetti, e “Carmen”, de Bizet, além da infantojuvenil “Onheama”. À parte esta última, todas são habituais no repertório de casas líricas mundo afora.

“A ideia, em função de ser este o ano da Copa, foi a de trazer títulos mais tradicionais, mais comuns nos festivais”, explica o maestro Luiz Fernando Malheiro, diretor artístico do FAO. “Estes são todos títulos queridos, aos quais o público está habituado”.

Nomes estrelados

Terceira na ordem de estreias, “Carmen” foi na verdade a primeira peça eleita para a edição deste ano, por sugestão de Cristina Gallardo-Domâs, soprano chilena de carreira internacional. “Fizemos um concerto juntos em 2010, em Málaga, e ela disse, ‘Tenho muita vontade estrear ‘Carmen’, e quero estrear com você no Festival’”, recorda Malheiro, que rege as três récitas da ópera.

Além de Cristina, que esteve numa gala lírica em Manaus em 2006, a montagem da ópera de Georges Bizet (1838-1875) terá o tenor basco Andeka Gorrotxategi, estrela ascendente no terreno lírico, e a soprano ítalo-americana Joanna Parisi no elenco. Outro nome de peso é o do italiano Enrico Castiglione: também diretor do festival de Taormina, na Itália, ele assina direção cênica e cenografia de “Carmen”.

Não menos digna de nota será a montagem de “Manon Lescaut”. A terceira ópera de Giaccomo Puccini (1858-1924) será dirigida pelo italiano Pier Francesco Maestrini, com os brasileiros Daniella Carvalho e Juremir Vieira nos papéis principais. “Sempre foi nossa preocupação no Festival abrir espaço para os brasileiros”, assinala Malheiro.

O maestro, que divide a regência de “Manon” com Otávio Simões, nota ainda a dificuldade da peça: “É uma ópera que se costuma até evitar por não se encontrarem artistas à altura. E nós resolvemos fazer, e com um elenco formado inteiramente por artistas do Brasil”.

Papel principal

Ópera do bel-canto, “Lucia di Lamermoor” também se destaca pelo elenco – ou melhor, pelos dois elencos, para diferentes récitas. Um deles é formado em sua maioria por cantores de Manaus. “Será a primeira peça com uma amazonense no papel-título”, antecipa Marcelo de Jesus, regente da ópera e diretor adjunto do FAO, referindo-se a Dhijana Nobre, que divide o papel de Lucia com Leticia de Altamirano.

A montagem, com cenografia de Marcos Apolo, traz parceria ainda com a Ópera de Bogotá nos figurinos e na direção cênica de Alejandro Chacón.

A última montagem do FAO será “Onheama”: fruto da iniciativa de De Jesus, a peça foi escrita sob encomenda por João Guilherme Ripper, baseada em poema também encomendado ao amazonense Max Carphentier, inspirado nas lendas indígenas. A peça é voltada ao público juvenil e será encenada por artistas locais.

A agenda do FAO terá ainda vários concertos, recitais e shows populares (confira alguns destaques na lista abaixo).


Mulheres fortes dominam nas montagens deste ano

As fortes personagens femininas são o ponto em comum às três montagens principais do 18º FAO. Não por acaso, “Manon Lescaut”, “Lucia di Lamermoor” e “Carmen” trazem os nomes de seus principais papéis femininos já no título.

Daniella Carvalho (foto acima) vai interpretar a Manon de Puccini pela primeira vez em sua carreira, mas a soprano brasileira, há anos radicada nos Estados Unidos, conta que já tem certa expertise em viver as fortes figuras femininas que povoam as óperas do compositor italiano. “O que mais faço são heroínas puccinianas. São mulheres fortes, emocionadas e emocionantes, que basicamente carregam o espetáculo, são a sua linha condutora”, comenta a cantora, citando outras personagens, como Tosca ou Madama Butterfly.

Em “Manon Lescaut”, a protagonista é uma jovem que, para escapar do destino de ser uma freira e, mais tarde, de cair na pobreza, acaba se unindo a diversos homens. A despeito disso, ela tem um final trágico ao lado do homem que ficou próximo dela o tempo inteiro.

“Ela usa suas conexões masculinas, de amantes, pois ela é jovem e deslumbrada. Mas, na minha visão, ela é assim porque as mulheres não tinham uma profissão para serem autônomas na época. Ela age assim para conseguir passar pela vida com as coisas que lhe são importantes, como se vestir bem ou ir à ópera”, analisa Daniella. Apesar disso, ela acrescenta, seu amante, Des Grieux (vivido por Juremir Vieira) “está ao lado dela o tempo todo”.

“Ela tem uma vida curta, intensa, com emoções fortes, e morre aos 23 anos, de desidratação e sede, no deserto, com aquele que, eu penso, ela descobre ser o amor da vida dela”.

A trajetória conturbada torna o papel “desafiador”, não só em termos vocais. “É muito físico também. Rolo no chão com um, beijo dois, beijo três”, diverte-se ela, nada incomodada com tais atribulações. Pelo contrário, ela as usa como força propulsora em seu trabalho: “O que mais passa para o público é quando estamos entrosados entre a gente, o libreto e a música, para passar essa emoção que o Puccini descreve tão lindamente. E quanto maior essa troca, mais creio que ela chega ao espectador”.

Alguns destaques do 18º Festival Amazonas de Ópera

Três heroínas...

“Manon Lescaut” (nos dias 20, 22 e 26/04), “Lucia di Lamermoor” (27 e 29/04, 1º e 3/05) e “Carmen” (18, 20 e 24/05) representam diferentes vertentes da tradição operística, mas têm em comum as fortes protagonistas femininas, em torno de quem giram tramas de amor, traição e intriga.

...e um herói

Feita sob encomenda para o FAO, “Onheama” (25 e 28/05) leva o lendário indígena amazônico ao palco. A ópera infantojuvenil inédita de João Guilherme Ripper é baseada num poema de Max Carphentier.

Recitais Bradesco

Série de sete espetáculos, reúne desde apresentações de jovens músicos em formação até programas dedicados à música brasileira ou francesa. Haverá ainda especiais como “Três Tenores” (05/05), que visita o repertório do famoso trio da Itália.

‘Carmen Suite’

O Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas faz sua estreia (22/05) nesta montagem do balé de Rodion Shchedrin, inspirado em Bizet. A coreografia é de Adriana Góes.

‘Pop-Ópera’

Cantores líricos e músicos clássicos se unem numa banda popular para apresentar releituras de trechos de óperas, fazendo um cruzamento entre pop e erudito no Largo (1º/06).

‘Rocka’

Hits dos Beatles, Queen, Eagles, Iron Maiden e outros ícones do rock vão ressoar no Teatro Amazonas, num show com banda e músicos da Orquestra de Câmara do Amazonas, a OCA – daí o trocadilho no título (2, 3 e 4/06).

Serviço

O que é: 18º Festival Amazonas de Ópera (FAO)

Onde: Teatro Amazonas, Teatro da Instalação, Largo de São Sebastião e outros espaços

Quando: Abertura no domingo, dia 20, às 19h, com a ópera “Manon Lescaut”

Quanto: Ingressos de R$ 5 até R$ 80, para óperas, balé e concertos no Teatro Amazonas. À venda na bilheteria do local e pelo site www.bestseat.com.br. Demais espetáculos a definir.

Informações: Pelo telefone (92) 3232-1768 ou na página da SEC no Facebook, no endereço http://facebook.com/culturadoamazonas

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