Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Filmes mais longos são tendência atual do cinema

Com narrativa mais trabalhada, produções esbarram, no entanto, na falta de hábito e na impaciência do público

“O Lobo de Wall Street”, de Martin Scorsese, chega às telas de cinema com 3h de duração

“O Lobo de Wall Street”, de Martin Scorsese, chega às telas de cinema com 3h de duração (Reprodução)

Em cartaz no circuito comercial da cidade, os filmes “Azul é a cor mais quente” e “O lobo de Wall Street” têm algo mais em comum além dos muitos comentários que vêm acumulando - ambos chegam a 3h de duração, confirmando uma tendência que reapareceu nas últimas décadas (“A Lista de Schindler”, de 1993, tem exatas 3h17). Com seus 160 minutos, “O Hobbit: A Desolação de Smaug” é outro exemplo ainda atual na lista de longas que ultrapassam a média de 2h na qual se encaixam a maioria das estreias. Mas, e quando a duração acaba fazendo os espectadores deixarem a sala de cinema antes do tempo?

Para o cineasta Sérgio Andrade, a falta de hábito cinéfilo, e até mesmo uma programação mais diversificada, acabam “desacostumando” o público. “No caso de O lobo...’ e ‘Azul...’, vou ser bem franco, é uma prova de fogo mesmo. Assisti a ambos no Rio e vi evasão de público”, conta. Apesar de achar o primeiro um filme menor na cinegrafia de Scorcese, o amazonense acredita que o segundo vale pela sua potência inovadora e libertária (mas não descartaria o corte de algumas cenas longas demais).

Já o advogado e cinéfilo Lucas Jardim chama a atenção para o fato de que, para o circuito comercial, um filme que dura muito também tem menos sessões. “Falando de ‘Azul é a cor mais quente’, que está em cartaz por aqui, ainda tem outro problema: nos EUA, ele foi classificado como para maiores de 17 anos, então não é todo cinema de lá que topa exibi-los. Para o cinema de arte isso pouco importa, mas mexe com o bolso do segmento comercial”.

Ele acredita que os filmes de fôlego tendem a ser mais aceitos nos circuitos artísticos e independentes. “Raras exceções ultrapassam essa barreira, por isso são dignas de nota e sempre viram notícia”, opina.

Recepção
Por outro lado, filmes muito longos, ainda que com grandes estúdios por trás ou um elenco de peso, nem sempre conseguem prender a atenção do público, que não se acanha em abandonar a sala de exibição. “São pessoas que não apostam num passatempo mais apurado e querem o imediatismo da piada fácil ou da ação mirabolante”, defende Sérgio Andrade, em relação aos filmes de arte.

Enquanto o mestre Alfred Hitchcock acreditava que “a duração de um filme deveria estar diretamente relacionada à paciência da bexiga”, para o cineasta, a duração tem que estar de acordo com a intensidade e o ritmo do enredo.

“Não pode haver cenas que se alongam por uma questão puramente de capricho. Talvez por conceitos estéticos, quando realmente ficam saborosos. Mas se um filme é longo e funciona, essa é a verdade dele”, afirma.

Ele também faz um contraponto à visão de cineastas como o filipino Lav Diaz, que diz não acreditar no público e fazer “cinema pelo cinema”. Diaz foi homenageado na Mostra Internacional de Cinema (SP), no ano passado, quando o seu filme “Evolução de uma família filipina” foi exibido – o longa tem nada menos que 11 horas de duração.

“Fazemos filme para quem? Para curadores de um festival? Para o público em geral? Para um público de salas de arte com 50 lugares? Acho que fazemos filme para exprimir uma verdade ou uma fantasia que precisa ser exposta, pois com certeza aponta uma nova interpretação das coisas e do mundo. Mas tudo bem, acho que cinema é isso, tem essa função de fazer produtos que agradam a todos. Todos saem ganhando, até os filmes longos”.