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‘Frozen’: nova animação da Disney pode marcar retorno do estúdio à liderança nos desenhos

Longa é um dos favoritos para disputar o Oscar de Melhor Animação desse ano; história faz lembrar clássicos como ‘Cinderela’

Frozen [Divulgação]

Desenho se junta a 'Detona Ralph' como um dos melhores da Disney nos últimos anos (Divulgação)

A nova animação da Disney, “Frozen: Uma Aventura Congelante”, que estreou na última sexta-feira (3) em Manaus, além de ser um ótimo desenho, divertido e encantador, pode também sinalizar uma mudança mais significativa, de enorme importância no universo dos desenhos: o retorno dos estúdios Disney à liderança no segmento.

O domínio da empresa fundada por Walt Disney, incontestável desde o lançamento de “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937), foi sendo progressivamente minado ao longo da década de 1990, com o advento da animação digital.

É quase um consenso entre apreciadores de desenhos que o último grande trabalho da Disney no gênero foi “O Rei Leão”, de 1994 (por mim, seria um pouco mais otimista – colocaria “Tarzan” (1999) nessa posição). Desde então, a empresa foi superada por estúdios que estavam na linha de frente da nova tecnologia, como a Pixar (“Toy Story”, “Procurando Nemo”, “Os Incríveis”) e a Dreamworks (série “Shrek”) – a Blue Sky (“Era do Gelo”, “Rio”) só se juntaria à corrida depois.

Desde a aquisição da Pixar pela Disney, em 2006, e a ascensão de John Lasseter a chefe de animação, porém, as coisas parecem estar mudando. Enquanto a Pixar dá sinais de arrefecimento criativo (“Carros 2”, “Valente” e “Universidade Monstros” podem até ser bons – sobretudo o segundo –, mas não chegam nem perto de Toy Story 3, a possível última animação da melhor fase da produtora), a Disney vem experimentando novos caminhos.

Renascimento
Os ventos começaram a soprar favoravelmente ao estúdio com o sucesso da modesta produção televisiva High School Musical (2006). Ali ficou provado que a Disney ainda era capaz de se conectar ao público jovem, e bem-sucedidas atrações posteriores, como Hannah Montana e Os Feiticeiros de Waverly Place, que revelaram as estrelas adolescentes (hoje maluquetes) Miley Cyrus e Selena Gomez, continuaram a boa maré.

Na área de animação, porém, a mudança foi mais gradual. Tolhida pelo avanço das novas tecnologias, a Disney chegou a fechar seu estúdio de animação tradicional em 2004, para investir na computação. Os fracos resultados (“Selvagem”, de 2006, alguém lembra?), no entanto, só fizeram acirrar a crise. Nesse lamaçal, que ameaçava jogar a Disney na irrelevância, a decisão da Pixar de vender seu controle acionário foi providencial.

A mudança já se sentiu nos primeiros trabalhos da Disney sob John Lasseter. Se “Bolt – Supercão”, de 2008, não chega perto do contemporâneo “Wall-E”, da Pixar, ao menos é um filme mais cativante do que “A Família do Futuro” (2007) ou “O Galinho – Chicken Little” (2005). Produções posteriores – até um retorno à animação tradicional em “A Princesa e o Sapo” (2009) – lançaram mais sinais positivos. A prova mais contundente desse renascimento criativo, porém, talvez seja mesmo “Detona Ralph”, lançado ano passado.

Considerado o primeiro grande trabalho da Disney em computação gráfica, “Detona...” fez um vibrante passeio pelas tradições do videogame (sem contradição), numa trama divertida, colorida e acelerada, que valeu uma indicação ao Oscar de Melhor Animação, além, é claro, de bilheteria massiva mundo afora. Agora, com “Frozen”, é chegada mais uma etapa – e das mais importantes, por sinal – nessa caminhada de volta ao topo.

Lembranças
“Frozen” conta a história de Anna (Kristen Bell/Érika Menezes) e Elsa (Idina Menzel/Taryn Szpilman), as duas herdeiras do reino de Arendelle. Elsa nasceu com a habilidade mágica de criar gelo, mas esse mesmo dom, sobre o qual ela não tem controle, a fez lançar o reino num inverno que nunca acaba. Anna parte então numa jornada para tentar reverter essa situação, e, no processo, se reaproximar de Elsa, de quem foi afastada ainda criança.

Com a dosagem certa de aventura, romance, humor e canções (se você não gosta de canções, fica o aviso: é melhor fugir desse), “Frozen” diverte e encanta como nenhuma outra animação do ano passado, à exceção de “Detona...”. Não está livre de defeitos, contudo: a trama é bastante convencional, praticamente retrô, o que, com a memória da Pixar à espreita, pode afastar os que buscam histórias mais originais; e o tom às vezes é excessivamente infantil, principalmente nas aparições do boneco de neve Olaf (Josh Gad/Fábio Porchat na versão brasileira), defeito que o filme também compartilha com “Detona...”.

Mas, na real, “Frozen” justifica as reminiscências de grandes animações da Disney do passado, como “O Rei Leão”, “Aladdin” “Cinderela” e tantas outras. Eu não consigo dizer isso de nenhum outro trabalho da produtora nos últimos quinze anos, à exceção de “Detona...” e “Tarzan”.

De olho na disputa do Oscar, vale lembrar que o filme venceu recentemente os Globos de Ouro de Melhor Animação e Melhor Canção Original, tornando-se um dos favoritos ao prêmio da Academia desse ano.

E, por fim, vamos torcer para que a Disney tenha se tornado mais uma vez capaz de surpreender e encantar, como fez durante quase oito décadas.


Nota: 8,0