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Arte no banquinho: móvel vira tema de exposição

“Origens do Brasil”, a ser realizada em abril em Milão, na Itália, reúne peças de designers e de artesãos tradicionais

Móvel vira tema de exposição

Móvel vira tema de exposição (Mariana Chamma/Divulgação)

Design contemporâneo e artesanato tradicional vão se encontrar numa exposição que vai enfocar uma das peças mais prosaicas e singelas do mobiliário residencial: o banquinho de sentar. Intitulada “Origens do Brasil”, a mostra reunirá peças contemporâneas, concebidas por povos indígenas, comunidades artesanais e designers brasileiros, de várias regiões do País. A exibição com foco no design brasileiro de mobiliário vai ocupar os salões do Palazzo Affari ai Giureconsulti, em Milão, na Itália, no período de 8 a 13 de abril.

Com curadoria de Adélia Borges, uma das referências em pesquisa do design nacional de mobiliário, “Origens do Brasil” se destaca pela diversidade de procedência geográfica das peças apresentadas, oriundas de 12 Estados brasileiros – inclusive do Amazonas. Entre os designers brasileiros que integram a exibição, destacam-se nomes de peso no segmento, como Ilse Lang, Marko Brajovik, Pedro Useche, Sergio Mattos e Rodrigo Almeida.

Simbolismos

Trazendo formatos e grafismos plenos de significados, que atravessam gerações, os bancos indígenas que irão compor a mostra foram produzidos por índios da etnia tukano, do Amazonas, além de representantes dos povos Karajá (Tocantins), Wajampi (Amapá), Juruna, Mehinako, Suyá, Trumai e Waurá (Mato Grosso).

Feitos numa só peça de madeira, os formatos dos banquinhos indígenas variam. Alguns exemplares mimetizam animais como a onça, o macaco, o gavião ou o urubu; enquanto outros têm formas limpas que parecem saídas dos manuais da Bauhaus. Alguns são particularmente ricos nos grafismos.

Prático e popular

Por sua vez, os bancos populares, de autoria anônima, empregam materiais que se encontram à mão na comunidade em que vivem seus artesãos. Muitos desses exemplares encerram valiosas lições de conforto ergonômico e de uso apropriado de matérias-primas.

No banco caipira do interior de Minas Gerais, por exemplo, a dupla inclinação no assento oferece condições perfeitas de conforto a quem senta, e a estruturação dos pés confere resistência e durabilidade à peça.

Inspiração

Já os bancos feitos por designers em alguns casos bebem direto da lição popular. Este é o caso de Sergio Rodrigues, que se inspirou no comum banquinho de tirar leite para criar seu celebrado Mocho, de 1954, um dos ícones do design brasileiro, e que em 2014 está completando 60 anos de vida.

Outros nomes que integram a mostra, além dos já citados, são Flávia Pagotti Silva (SP), José Paraguai (CE), Tina Moura e Lui Lo Pumo (RS), Sergio Rodrigues (RJ), Patricia Naves (MG), Quadrante Design (MA), Genival Santos, Rona Silva, e Yang da Paz Farias (AL).

“A exposição vai mostrar como uma mesma função – o sentar – pode gerar objetos totalmente diferentes entre si. Evidencia-se, assim, que a forma segue, sim, a função, mas vai além, expressando a cultura dos lugares em que os objetos são concebidos e elaborados”, afirma Adélia Borges. A curadora observa que o conteúdo da exposição reflete o multiculturalismo, “um valor seminal da cultura e do design brasileiros”.

Referência no segmento

Curadora de “Origens do Brasil”, Adélia Borges conta com uma vasta bagagem em pesquisa e curadoria de exposições com foco no design brasileiro de mobiliário. Como autora ou coautora, ela já soma mais de dez livros, entre eles “Móvel brasileiro contemporâneo” (2013) e “Design + Artesanato: O caminho brasileiro” (2011). Também produziu artigos e capítulos de livros, traduzidos para vários idiomas.

Adélia também exibe um extenso currículo na curadoria de exposições de design. Entre outras, ela esteve à frente de “Novos alquimistas”, realizada no Instituto Itaú Cultural, São Paulo, em 1999; “Uma história do sentar”, no Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, em 2002; “Design brasileiro hoje: Fronteiras”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2009; “Jewels from Brazil”, The Civic Cultural Centre, Barnsley, Inglaterra, em 2011; e Design da Periferia, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, São Paulo, em 2013.

Atualmente, Adélia prepara a curadoria da próxima Bienal Brasileira de Design, a se realizar em Florianópolis em 2015.

Em paralelo às atividades de curadoria, ela atua como professora de História do Design na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP-SP). Já fez palestras em quase todos os Estados brasileiros e em vários países, entre eles Uruguai, Chile, México, Estados Unidos, Alemanha, Finlândia, Holanda, Inglaterra, Austrália, Índia e Japão. Pertence ainda ao conselho de várias instituições, entre as quais Comitê de Indicação do Design Prize do London Design Museum, Londres