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Artista francesa busca inspiração nos tons amazônicos para suas obras em laca

Quando esteve em Manaus pela primeira vez, em 2010, para acompanhar o marido, Dominique se encantou com as cores fortes e a luz da Amazônia, o que, na volta, tornou seu trabalho mais radiante e moderno

O verde específico da Amazônia foi uma das cores que chamou a atenção da artista

O verde específico da Amazônia foi uma das cores que chamou a atenção da artista (Bruno Kelly)

Com uma infinidade de escolas artísticas para seguir, a artista francesa Dominique Humbert se identificou justamente com uma que surgiu há mais de 3 mil anos na Ásia. A laca (em francês “laque”) é um estilo tradicional de pintura, que explora a mistura de camadas por meio de tons frios como o vermelho, o preto e o marrom. Quando esteve em Manaus pela primeira vez, em 2010, para acompanhar o marido, Dominique se encantou com as cores fortes e a luz da Amazônia, o que, na volta, tornou seu trabalho mais radiante e moderno. O encanto foi tamanho que ela retornou este mês à capital baré em busca de mais inspiração e no anseio de conseguir futuramente protagonizar uma exposição por aqui.

“A laca explora essa tentativa de capturar luz. Então é interessante para mim trabalhar com a luz e cores específicas do Brasil”, comenta Dominique, que nesta temporada visitou também São Paulo, Rio de Janeiro e Pará. “Conheço melhor o Amazonas e é claro que aqui a luz e as cores são mais quentes e vibrantes. São Paulo, por exemplo, por não estar próxima da floresta, tem tons mais frios. Me lembra um pouco Paris, onde você não olha para o céu livre, há muitos prédios. Se eu trabalhasse lá, minha inspiração seria diferente”, explica.

Quando veio pela primeira vez, Dominique Humbert passou dois meses na capital amazonense. Neste meio tempo, alugou um estúdio nas proximidades do Largo de São Sebastião e lá conseguiu produzir painéis de laca. Quando voltou a Paris, disse ter sentindo algo diferente na sua produção. “Alguma coisa ficou aqui dentro. E deve continuar, por isso voltei”, disse.

Modernidade

Segundo a francesa, o motivo de ter escolhido a laca – e somente ela – como técnica de trabalho se explica pelo fato desta ser rodeada da magia da tradição. Mas como boa artista que é, Dominique foi criativa e adicionou um toque de modernidade às suas obras.

“Gosto da ideia de continuar mantendo uma tradição, porém quero fazer isso adicionando certa modernidade por meio das cores. Escolhi trabalhar principalmente em torno da questão da luz e cores vibrantes, as quais não são usuais na laca”, diz.

Atualmente dividindo seu trabalho entre Paris e Veneza, na Itália, a artista não esconde o desejo de realizar uma exposição em Manaus. Para tanto, porém, ainda está em busca de fazer contatos. “Ainda quero passar mais tempo aqui. Preciso de alguns meses para trabalhar, produzir novos painéis e então expor”, comenta. Se a atual visita à capital amazônica vai render uma exposição temática lá por Paris, Dominique prefere deixar o tempo dizer. “Não dá para programar, mas acredito que é praticamente certo que algo vai surgir”, encerra, deixando claro que a inspiração colhida aqui volta, sim, com ela.

Criatividade em camadas

A laca é uma espécie de verniz obtido através do refinamento da seiva ou resina da árvore de mesmo nome. Quando surgiu, no Extremo Oriente, era utilizada para revestir objetos diferenciados. Nas artes plásticas, mistura-se com outros elementos em camadas para que seja obtido o resultado final. Dominique Humbert afirma que explora até 22 camadas variadas (incluindo pigmentos em pó, tinta acrílica ou a óleo, pó de grafite e contém incrustações de folhas de cobre ou de alumínio, casca de ovo, lascas de conchas, de metal ou de têxteis) em suas obras.

É um processo trabalhoso, pois cada camada precisa secar completamente para então sobrepor-se outra. A artista conta que a finalização de cada painel pode demorar até cerca de um mês. “Em uma pintura normal, você só pode adicionar mais tintas e cores, mas no caso da laca, você pode tirar coisas. Voltar ao passado. Posso remover cores ou partes do painel”. Para “ganhar tempo”, ela explica que costuma a fazer vários paineis simultaneamente. “O que mais gosto neste trabalho é que a laca proporciona uma grande diversidade e grandiosidade de trabalhos utilizando-se apenas uma técnica”.