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Brian Eno chacoalha a cena pop há mais de quatro décadas

O BEM VIVER, humilde que só ele, traz pra você uma retrospectiva desse artista que chacoalha tanto a cena avant-garde quanto a pop há mais de quatro décadas

Brian Eno

Brian Eno (Divulgação)

Muito provavelmente você está escutando Brian Eno e não sabe. É sério. Curtiu o Viva la Vida do Coldplay? Dedicou With or Without You do U2 pra alguém? Gosta de dançar ao som de músicas cheias de pedaços de outras canções, os chamados samples? O músico inglês Brian Peter George St. John le Baptiste de la Salle... (respire) Eno tem uma mão em tudo isso e muitas outras coisas.

Sua prolificidade é de fazer o mais ativo dos mortais se sentir preguiçoso: só em 2014, ele lançou dois álbuns em parceira com Karl Hyde, vocalista da dupla inglesa de techno Underworld. O BEM VIVER, humilde que só ele, traz pra você uma retrospectiva desse artista que chacoalha tanto a cena avant-garde quanto a pop há mais de quatro décadas.

Glam e ambiente

Eno começou como tecladista da banda inglesa de glam rock Roxy Music em 1971, mas a vida de rock star durou pouco: ele se cansara rápido da loucura das turnês e das brigas constantes com a outra estrela a emergir da banda, o vocalista Bryan Ferry, e saiu dela logo após o lançamento do disco For Your Pleasure, de 1973.

O então roqueiro se lançou na carreira solo, produzindo discos de pop rock em que podia dar asas às suas inventividades musicais. Elas vieram totalmente à tona em Another Green World, disco transicional que apontava a vontade de Brian de ir além das convenções do rock.

Isso acabou ocorrendo quando um acidente automobilístico deixou o músico acamado no hospital em 1975. A experiência inspirou a criação do álbum Discreet Music, com quatro composições calmas e com toques clássicos.

Expandindo as ideias desse disco, Eno juntou vários conceitos musicais anteriores e codificou o que ele chamou de “música ambiente”, ou seja, uma música feita não para chamar a atenção em um recinto, mas para alterar a percepção do ouvinte sobre o mesmo.

Seus primeiros trabalhos nessa veia, a série de discos Ambient, estabeleceram de vez o estilo (o Ambient1: Music for Airports, de 1976, é referência no gênero até hoje). Desde então, sua carreira solo gravita entre dois polos: discos de música ambiente (o mais recente sendo o Lux, de 2012) e novas incursões no pop rock (como o Another Day on Earth, de 2005).

Parcerias

 O fato de se descrever como um “não músico” e de chamar suas intervenções musicais para outros artistas de “tratamentos” não impediu Eno de colaborar com uma gama tão impressionante de artistas que listá-los ocuparia o resto do espaço da matéria.

Entre suas colaborações mais consagradas, estão os três discos lançados pelo roqueiro inglês David Bowie entre 1977 e 1979 chamados de “Trilogia de Berlim”: Low, “Heroes” e Lodger. Seu apelido vem pela incorporação das influências avant-garde que agitavam a cena da capital alemã, onde Bowie morava na época. Neles, Bowie, capitaneado por Eno, abandona qualquer traço do glam rock que lhe dera fama em favor de ambiências eletrônicas.

Ele também teve a sua participação na cena new wave, produzindo o disco de estreia da banda americana Devo, bem como uma trilogia de álbuns lançada pelo seminal quarteto nova-iorquino Talking Heads entre 1978 e 1980: More Songs About Buildings and Food, Fear of Music, e o clássico absoluto do grupo, Remain in Light. Sob sua tutela, o Talking Heads abraçoupolirritmos africanos, ou seja, múltiplos ritmos simultâneos, influenciados pela abordagem africana de execução musical.

Sua afinidade com David Byrne, vocalista do Talking Heads, ainda rendeu o experimentalíssimo disco colaborativo My Life in the Bush of Ghosts, de 1981, que consistia em vocais recortados sobrepostos a batidas eletrônicas, muitas delas influenciadas pela música africana. O registro é influente por ter sido um dos primeiros a fazer amplo uso de recortes sonoros, os chamados “samples”.

Destaque

Sua parceria mais famosa talvez seja com o U2, tendo coproduzido seis dos 12 álbuns do quarteto, incluindo dois de seus mais célebres lançamentos, como The Joshua Tree, de 1987, e Achtung Baby, de 1991.

Trabalhos recentes

Mais recentemente, o artista coproduziu os discos Viva la Vida or Death and All His Friends e Mylo Xyloto para a banda britânica Coldplay, e, em entre maio e junho de 2014, lançou os álbuns Someday World e High Life, em parceira com o vocalista Karl Hyde. Someday World flerta mais com o synthpop e é baseado em canções inacabadas de Eno. “The Satellites” e “Mother of a Dog” mostram, respectiva-mente, como os artistas não têm problemas em alternar entre músicas propulsivas e contemplativas.Já o mais recente, High Life, é um produto muito mais solto, cheio de canções com pinta de jam sessions e que novamente remetem à paixão de Eno pela música africana.