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Sob nova face: Coyotes Voadores lança single de retorno

O retorno se refere à repersonalização da antiga banda de rock alternativo Tetris, que agora é Coyotes Voadores. Atualmente composta por Matheus Santos, Luiz Roberto , Rodrigo Abinader, Jean Carlos e Anastácio Júnior – AJ, a CV incorporou um estilo mais rock’n’ roll, diferenciado do primeiro trabalho formado pelos músicos

Stonner clássico com rock industrial. Riffs repetitivos com bastante pegada, dançantes em sua essência, porém melódicos no final. Apesar de não se enquadrar em um estilo de música específico, essas são as palavras utilizadas para classificar a banda manauara Coyotes Voadores, que, nessa terça-feira (05) lançou o seu primeiro single oficial intitulado ‘À República Parte 1’, e que promete ganhar mais uma vez, sob nova face, os palcos da capital amazonense.

Criada em 2011, a banda é uma repersonalização da saudosa Tetris, banda de rock alternativo que saiu no site da revista Rolling Stone Brasil, em fevereiro de 2008. Composta por Matheus Santos (voz e guitarra base), Luiz Roberto (baixo), Rodrigo Abinader (guitarra solo e vozes), Jean Carlos (também guitarrista da Ed Ondo e guitarra solo/efeitos) e Anastácio Júnior – AJ (baterista da Alaídenegão e bateria), a Coyotes Voadores incorporou um estilo mais Rock’n’ Roll, diferenciado do primeiro trabalho formado pelos músicos, e mesclando ao circuito autoral ostentado pela banda.

Identidade nominal transporta à evolução do grupo, diz vocalista

Sobre o nome Coyotes Voadores, o vocalista e guitarrista Matheus Santos contou ao acritica.com a origem da identidade nominal da banda, que nasceu em uma conversa de bar após a faculdade. “O nome veio da influência do estilo musical, o stonner ou desert rock. Os coiotes representam um dos ícones desse estilo por se conectarem com o deserto, assim como os urubus e os abutres. O Y veio pra dar originalidade (risos). Só o nome "Coyotes" não agradou muito, então, numa conversa de mesa de bar pós-faculdade de direito (aula de português pra ser mais exato) minha (Matheus), surgiu o Voadores”, certificou Santos.

Na aula antecedente à conversa de bar, Matheus afirmou que tinha aprendido algo sobre o efeito causado por advérbios que não se conectam diretamente à primeira palavra utilizada, no caso, a palavra ‘Coyotes’. “Então ficou Coyotes Voadores, pelos coiotes não voarem. E ainda por acaso, fez alusão aos abutres e urubus do deserto por possuírem os mesmos costumes que os coiotes com a diferença de que podem voar. Finalizando, a ideia é de que somos como um animal que evoluiu naturalmente, se tornando um ser único e completamente diferente. Arrisco em dizer que é isso que tentamos passar com nosso som depois de quase dois anos de muito trabalho e experimentos”, levantou o guitarra base.

Diferenças entre a Tetris e a Coyotes Voadores

A migração das influências musicais da antiga Tetris para um rock mais pesado resultou no término da banda, que na época do seu fim tinha cinco anos e que era composta por Matheus, Rodrigo, Luiz, AJ e um quinto integrante, Marcos Amorim.

“Logo após um bom tempo sem tocar, compus algumas músicas diferentes e cheguei em Luiz e Aj com a proposta de criar uma nova banda, mas com uma condição: ela ia ser uma banda legitimamente de ROCK, com riffs distorcidos e graves, muita pegada, letras que protestam por si, com efeitos sombrios e muitos solos de guitarra. Assim, depois de alguns ensaios, surgiu a formação base que renderam alguns shows que culminaram na entrada de Bina (Guitarrista da banda Incaos) e Jean (Grande guitarrista de Blues e da banda Edondo), formando assim os Coyotes”, explicou Santos. Com a Tetris, o grupo já fez shows em Boa Vista, em Manaus e dividiu palco com bandas nacionais como Holger, Vivendo do Ócio, Madame Saatan, Aditive, Mr Jungle, Rock Rocket, Forgotten Boys, Marcelo Nova, Matanza, Ecos Falsos e tocaram em diversas casas de show da cidade, sob a sua proposta autoral.

Das diferenças entre a antiga Tetris e a atual Coyotes Voadores, Matheus pontuou que o antigo projeto refletia o rock’n’roll cru, transparente e simples, salientando a necessidade de compor música mais técnica e especializada. “Hoje não é assim, existem sim músicas que surgem de forma simples, como se viessem prontas de algum tipo de sonho abençoado por deuses do rock, mas ainda assim, a prioridade maior é trabalhar bastante para que as ideias simples se transformem em arranjos geniais e empolgantes que possam emoldurar a altura o contexto das letras que temos escrito nesses últimos tempos”, analisou o guitarrista.

Influências musicais

Passeando por diversas influências musicais, a CV se apóia em bandas de rock com riffs ‘grudantes’, como Ac/Dc, Rolling Stones, Eagles of Death Metal e pesados como Truckfighters, Red Fang, Kyuss e Black Sabath. “Ainda com uma pitada de Industrial pelo Nine Inch Nails junto de uma boa dose de Progressivo com nomes como Rush e Yes”, explicou o líder da Coyotes. Já a faceta sonora da banda apropria-se do termo ‘melodicamente pesado’, conforme Santos. “Como se o começo existisse só para preparar o ouvinte para o clímax emocional do fim da música, como um filme que te prende até um fim surpreendente. Enfim, acredito que o estilo seja a nossa própria maneira de fazer um bom rock e legítimo rock’n’roll”, defendeu.

Críticas ao sistema político como pilar do novo single

O single lançado na noite dessa terça (05) marca o primeiro registro musical da Coyotes Voadores, e possui ainda o mesmo nome do EP que a banda pretende lançar, em breve, segundo Matheus. “Posso dizer ainda, que essa primeira música é irmã de uma outra que virá em nosso primeiro EP, mas aí é melhor parar por aqui senão estraga a surpresa (risos)”, brincou.

O single ‘À República Parte 1’ se apóia na subjetividade das analogias com temas específicos, e trata de uma crítica ao sistema político e aos agentes políticos atuais do Brasil, revelou Santos. “Mas, do ponto de vista emocional de quem sofre diretamente por conta do egoísmo dessas muitas pessoas que vestem a roupagem de herói social para ludibriar seus verdadeiros motivos de estarem ali. Essa e outras músicas são uma parte do nosso ponto de vista sobre a sociedade, mulheres, a mente das pessoas e tudo que rodeia a cabeça de um cidadão comum de classe média desse país”, assegurou.

Questionado sobre as bandas locais, o vocalista da Coyotes Voadores não escondeu a profunda admiração pelas bandas locais, apenas pelo fato de também batalharem no cenário musical manauara. “Não é fácil ter banda em Manaus, é preciso ter muita força de vontade e acreditar no próprio trabalho, por isso, eu acredito que todas as bandas que existem em Manaus hoje, que tocam, que tem trabalho rodando por aí, merecem toda a admiração desse mundo. Seja de harcore, metal ou brega, quando vou a algum show aqui em Manaus e escuto músicas autorais, faço questão de procurar os integrantes das bandas e parabenizá-los, sendo meu estilo de música ou não”, citando nomes de bandas como Alaídenegão, Malbec, Mezatrio, Alado’s, Os Tucumanus, Cabocrioulo, Livre Prisioneiro, Elisa Maia, MB4, Bandaid, Box 44, Luneta Mágica, Ctrl+Z, Several e Eisenhower.

Projetos para 2013

Os projetos para 2013, que já incluem o lançamento do single e o lançamento do vídeo-teaser do single, envolvem o lançamento de mais um single que, junto às duas músicas, integrarão o primeiro EP da banda. “Com isso virão shows de divulgação em Manaus e fora, vídeos, clipes, materiais promocionais e tudo mais para formar uma boa base para o lançamento do nosso primeiro disco que será lançado mais ou menos no meio do ano. Com o disco lançado, iremos para São Paulo e trabalharemos incansavelmente para que nosso som possa alcançar o Brasil  em nível profissional, chegando aos ouvidos de muita gente para ajudar, inspirar, formar opiniões e divertir quem quer que precise, independente de cor, raça ou estilo musical”, continuou Matheus. A Coyotes Voadores se apresentará em Boa Vista, no dia 02 de março.

Sobre o EP prometido para este ano, Matheus adiantou que está previsto (sem certeza, conforme o vocalista) para o início de março. “As gravações estão finalizadas mas ainda temos todo um processo de planejamento para que nossos dois anos de trabalho possam chegar aos ouvidos do maior número de pessoas da melhor forma possível. O EP terá cinco ou seis faixas, já somadas aos dois singles lançados até lá. Essas músicas somam as quase 14 músicas que trabalhamos hoje, das quais, 11 ou 12 farão parte do disco que sairá no meio do ano. Mas pra quem tiver curiosidade de conhecer todas, basta ir ao nosso show que tocamos todas sempre com maior prazer do mundo”, comemorou Santos.

Confira o novo single da Coyotes Voadores clicando aqui.