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Ilustrador registra plantas amazônicas por meio da pintura

Renomado internacionalmente, grandes pinturas botânicas de Felipe França percorreram países como Alemanha e França. Suas pinturas, em telas ou papel, mostram riquezas de detalhes das plantas que fotografias não revelam

Felipe passou em primeiro lugar no concurso público para a área, no Inpa, em 1980. Desde então contabiliza mais de duas mil obras pintadas

Felipe passou em primeiro lugar no concurso público para a área, no Inpa, em 1980. Desde então contabiliza mais de duas mil obras pintadas (J. Renato Queiroz)

A missão de registrar em forma de desenhos plantas amazônicas e fazer com que elas pareçam mais vivas que em uma fotografia, apenas com tinta, pincel e uma tela, é o desafio que o ilustrador botânico Felipe França Moraes, 63, adotou há mais de 35 anos como paixão e ofício. Ele é o único ilustrador botânico ainda em atuação no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) onde fez aproximadamente 2 mil ilustrações, desde 1980, que ganharam o mundo levadas para países como Alemanha, Inglaterra e França.

O trabalho da ilustração científica é fundamental para auxiliar pesquisadores, cientistas e estudantes de doutorado que precisam apresentar imagens em seus trabalhos. Isso ocorre porque a maioria dos pesquisadores não domina a arte da ilustração e precisam delas para a publicação dos trabalhos científicos.

Segundo Felipe, a ilustração ganha maior importância porque precisa conter elementos únicos que caracterizam a espécie para evitar que seja confundida com outra, o que também resulta em um grande trabalho artístico.

Pesquisadores que encontram espécies, coletam um exemplar e levam até Felipe enroladas em papel ou cartolina. Algumas chegam secas, sem vida e cabe a ele devolver vida às plantas nas telas ou no papel. Em alguns casos, o desafio é tão grande que ele precisa retornar em excursões com profissionais do Inpa aos locais de onde a espécie foi extraída. Os olhos de Felipe são responsáveis por mapear cada detalhe, curva, traçado e cor de plantas da Amazônia e suas mãos encarregadas de imprimir o máximo de realismo da espécie estudada.

O resultado das ilustrações impressiona, mas desperta a curiosidade para saber por que pesquisadores, cientistas e estudantes de doutorado preferem a técnica da ilustração que a fotografia. A resposta de Felipe é simples e imediata: “Porque as ilustrações conseguem mostrar os mínimos detalhes de plantas e frutos”, afirmou.

Ilustrações microscópicas que, para pessoas sem habilidade com desenhos, parecem impossíveis saem dos contornos dos pincéis do ilustrador com facilidade. Em muitos casos ele precisa olhar em um microscópio, guardar a imagem no pensamento e reproduzí-la na tela.

O ilustrador explicou que o desenho científico de plantas pode ser feito em preto e branco ou colorido. “A técnica mais usada em desenho preto e branco é a nanquim quando o pesquisador quer algo mais rápido. Quando o desenho é colorido a técnica mais utilizada é a aquarela, mas têm técnicas mistas também”, disse.

Profissão

Felipe entrou no Inpa por meio de concurso público na década de 80 que oferecia apenas uma vaga para área. Ele desenhava na adolescência, mas de forma amadora e se surpreendeu ao passar em primeiro lugar no certame. Quando começou a trabalhar foi procurado por pesquisadores que pediam ilustrações e desde então não parou mais. Felipe diz que se especializou em ilustração dentro do próprio Inpa com os trabalhos que fez.

“Eu conseguia fazer tudo do jeito que os pesquisadores queriam e eles me procuravam sempre. Muito depois o Inpa pagou um curso para mim no Rio de Janeiro e eu aprendi mais técnicas”, disse.

Acervo

Apesar de ter um acervo pessoal rico em diversidades, Felipe França nunca fez nenhuma exposição ao público. Por diversas vezes ele foi procurado por pessoas que queriam comprar suas ilustrações. Entretanto, ele nunca as vendeu.

Hoje em dia ele expressa o desejo de expor o seu acervo de obras para que a população manauense, de outros estados do Brasil ou até de outros países possam ver e apreciar não somente a beleza de seus desenhos, mas as espécies de plantas desconhecidas para o grande público. Embora se dedique mais à ilustração botânica, ele trabalha num projeto paralelo com paisagens amazônicas. “Durante as excursões que faço para ver as plantas de perto vejo uma cena, um pôr do sol, um animal e faço a pintura”, destacou.