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Instrumentistas apresentam sua arte em espaços públicos e fazem sucesso

O violinista Victor Medeiros se apresenta no Largo sempre à noite, de roupa social e tendo uma pequena caixa de som e um pendrive como acompanhamento

O reconhecimento se reflete ainda nas contribuições do público, em shows não patrocinados

O reconhecimento se reflete ainda nas contribuições do público, em shows não patrocinados (Bruno Kelly)

Pesadelo para muitos artistas, a falta de público não é problema para o violinista Victor Medeiros, 25 anos. Isso porque suas apresentações, feitas em frente ao Teatro Amazonas, são ouvidas e vistas por qualquer um que esteja passeando pelo Largo de São Sebastião, no fim da tarde e à noite. O músico ainda ganha tratamento de celebridade: “As pessoas tiram fotos, algumas até pedem para aparecer comigo nelas”, ele conta.

Medeiros não é o único: como ele, outros músicos são adeptos da máxima da canção “Nos bailes da vida”, de Milton Nascimento, que diz: “Todo artista deve ir aonde o povo está”. Aí se incluem o saxofonista Dom Carioca, 73, habitué do calçadão da Ponta Negra e das noitadas do Bar Caldeira, e a acordeonista Arneide Feitosa, 66, que exibe seu talento com a sanfona em lugares como a Praça Heliodoro Balbi e, mais recentemente, nas Galerias Populares do Centro da cidade.

“É muito gostoso, as pessoas amam demais”, afirma Arneide, cheia de satisfação. “Aprecio o carinho das pessoas. O povo gosta muito do meu trabalho”, acresce Dom Carioca.

Clássico e popular

Novato entre os músicos entrevistados, Medeiros se apresenta no Largo sempre à noite, de roupa social e tendo uma pequena caixa de som e um pendrive como acompanhamento. Seu repertório é extenso: “Toco valsas, ‘My way’ (de Frank Sinatra), músicas de ‘Romeu e Julieta’, ‘O poderoso chefão’, ‘O fantasma da ópera’”, enumera.

Arneide, por sua vez, toca ao lado do Estrela do Norte, que ora é trio, ora é grupo. A seleção musical inclui xotes e forrós pé de serra, mais tangos e canções hispânicas como “Granada” ou “La cumparcita”. “Dependendo do local, já sei o que vou fazer a caminho do show”, ela diz.

Nas performances solo ou ao lado de seu grupo Celebridade, Dom Carioca exibe gêneros como jazz, blues, MPB e Bossa Nova. Mas não se restringe a eles: “Quem escolhe é o povo, estou apto a tocar de tudo”, assevera.

Dançando na rua

Seja qual for o ritmo, a magia musical inesperada contagia o público. “Uma vez estava tocando uma valsa e um casal de idosos que estava ali começou a dançar”, lembra Medeiros. “As pessoas adoram dançar xote e pé de serra. Fica cheio de gente ao nosso redor”, diz Arneide.

E os músicos, claro, conquistam a consideração da plateia. Medeiros, por exemplo, além de posar para fotos, é reconhecido na rua. “Outro dia estava numa loja, e um rapaz me parou perguntando, ‘Você é o violinista do Teatro, não é?’”, conta.

“As pessoas vêm, me beijam, aplaudem forte. O povo amazonense é muito querido”, relata Dom Carioca, por sua vez.

Carinho e consideração

O reconhecimento se reflete ainda nas contribuições do público, em shows não patrocinados. No caso de Medeiros,  elas ajudam no orçamento familiar: “Pago o aluguel por meio da música”.

Dinheiro à parte, todavia, o ganho que mais permanece após os shows é a afeição e o carinho do público. Como resume Dom Carioca: “O dinheiro é a consequência do trabalho. O melhor  é o prazer de transmitir a boa música e apresentar o instrumento na rua”.

‘E eu aqui na praça’

Diferentes caminhos levaram os instrumentistas até as apresentações em logradouros públicos de Manaus. Arneide Feitosa e Dom Carioca começaram primeiro, ao lado de outros músicos do cenário local, como participantes do projeto “Arte por toda parte” da Secretaria de Estado de Cultura, que promovia apresentações artísticas em ruas e praças da cidade, no início dos anos 2000. E os dois gostaram tanto que fizeram das praças os seus palcos.

“Acabou o projeto, mas eu continuei, pois me identifiquei com esse trabalho. Não parei, graças a Deus sigo com saúde e nada nunca me aconteceu”, declara Dom Carioca – nome artístico de Jair Pereira Marques. Arneide também seguiu com seus shows em praças. “Toco mais na Praça da Polícia e no Largo de São Sebastião”, diz ela, que também vai a todo lugar aonde é convidada: “Toco em festas juninas, em igrejas”.

Já Victor Medeiros “estreou” no Largo apenas no ano passado, após deixar um emprego no Distrito Industrial. “Queria fazer algo para não depender dos outros. E na música encontrei uma forma de mostrar meu talento para o público”, conta o músico, que é autodidata e aspira a estudar música e entrar para a Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica. Enquanto isso, ele se apresenta quase que diariamente em frente à casa de ópera de Manaus: “Falo que o Teatro Amazonas é meu segundo lar. Fico inspirado por ele”.