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LER avança em meio ao silêncio

Doença ocupacional tem subnotificações por parte dos estabelecimento de saúde

Cristiana Alves luta há dois anos contra a síndrome do túnel do carpo, mas continua trabalhando

Cristiana Alves luta há dois anos contra a síndrome do túnel do carpo, mas continua trabalhando (J. Renato Queiroz)

Um dos mais graves problemas de saúde enfrentado por trabalhadores nos últimos anos, no Brasil, está por trás de uma rotina que exige produtividade, na maioria das vezes cobrada sob pressão. Para cumpri-la, o trabalhador obedece uma atividade operacional repetitiva, por tempo prolongado, e com a postura incorreta.

Os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), chamados também de Lesões por Esforço Repetitivo (LER), segundo o Ministério da Previdência Social, atingem todos os setores produtivos.

Em Manaus, foram notificados 130 casos relacionados com LER/DORT no ano passado. Em 2012, foram 237, segundo dados obtidos pelo Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador (Cerest). Mas a diretora do centro, Verônica Souza, alerta que as notificações estão abaixo do esperado e não espelham a realidade do Estado.

Tendinite, bursite, síndrome do túnel do carpo, que afetam músculos, nervos e tendões dos membros superiores principalmente, são doenças que fazem parte do grupo de LER/DORT.

Em Cristiana Alves, 30, os sintomas da síndrome do túnel do carpo se manifestaram há pouco mais de dois anos. “Comecei a sentir dormência nas mãos, não tinha força para segurar objetos, não conseguia mais escrever. Então procurei ajuda médica”, conta a auxiliar administrativa.

Cristiana foi ao ortopedista e encaminhada pelo especialista para uma ultrassonografia dos punhos. “O médico diagnosticou a síndrome do túnel do carpo. Os nervos estavam muito inflamados”, relata. Trata-se de uma lesão causada pela compressão do nervo mediano no canal do carpo, localizado entre a mão e o antebraço, e é gerada por movimentos repetitivos como digitar.

“Comecei a trabalhar muito cedo e não tive a orientação desde o início sobre como trabalhar corretamente com o computador. Antes, digitava direto, por horas seguidas, sem nenhum intervalo de tempo. Sempre ficava fazendo o mesmo movimento“.

Pouco mais de dois anos depois do diagnóstico, Cristiana continua trabalhando, mas hoje cumpre sua atividade no trabalho mais atenta aos cuidados necessários para que a doença não agrave. “Uma das minhas principais ferramentas de trabalho continua sendo o computador. Mas uso num período de 3h e paro por 10 ou 15 minutos para fazer os movimentos específicos para os nervos não ficarem muito inflamados”, destaca.

Prevenção é exercícios são essenciais

 O fisioterapeuta e vice-presidente da Associação Brasileira de Fisioterapia do Trabalho (Abrafit), Luis Ferreira Monteiro Neto, diz que é fundamental a conscientização para se prevenir LER/DORT.

“A primeira coisa é o cuidado com relação a postura. Para isso, é importante ter uma boa estação de trabalho. Ficar na frente do computador exige que o trabalhador adote posturas corretas. Então, deve regular a cadeira corretamente, regular a altura do monitor. No caso de notebook é obrigatório colocar num suporte para que a tela venha ao nível dos olhos”, alerta.

O especialista avisa que os cuidados vão permitir o trabalhador exercer sua função sem sofrimento. “Geralmente os sintomas estão relacionados com dor, dormência dos membros, perda de força, dificuldade de realizar os movimentos corretamente. Tudo isso vai crescer conforme a doença vai progredindo”, aponta.

A cada período trabalhado é importante dar uma pausa, fazer movimentos circulares leves com a mão, alongamentos leves.

Aposentadoria em casos extremos

Trabalhando por muitos anos numa agência bancária em Manaus, Lourdes Brito, 54, vivia uma rotina de trabalho obedecendo muitos esforços repetitivos até que chegou ao ponto de não ter força nas mãos para carimbar documentos.

“Pedia ajuda por causa do cansaço na mão. Quando segurava uma xícara de café minha mão começava a tremer. Mas também sentia muitas dores nos braços e no pescoço. Parecia que estava queimando a região do pescoço”, relata.

Mas antes do diagnóstico do rompimento de um tendão e da tendinite - uma inflamação do tendão caracterizada por inchaço, calor e vermelhidão na área afetada - Lourdes chegou a ser diagnosticada com hérnia de disco porque os médicos relacionavam as queixas das dores com o seu peso.

Lourdes foi afastada e precisou se aposentar por invalidez porque não pode mais sobrecarregar o braço direito. “Me sinto inutilizada, mas continuo com a vontade viver. Hoje também já sinto dores no ombro esquerdo”, lamenta.

Blog: Verônica Souza - Diretora do Cerest

“Falta uma sensibilização dos profissionais de saúde com a questão da notificação. Depende de uma simples pergunta ao trabalhador: você trabalha em quê? E o profissional poderá relacionar a queixa dele com o trabalho. É o que a gente chama de anamnese. A partir daí devem surgir mais perguntas: quantas horas ele trabalha, a função, sobre o processo produtivo, se é repetitivo. E fazer esse nexo: é ou não por causa do trabalho. Porque a recuperação será trabalhada sob aquela perspectiva de que o processo produtivo do trabalhador está causando queixas. O Sistema Único de Saúde (SUS) está trabalhando mais na reabilitação e recuperação e quando isso acontece, para reabilitar ou recuperar um agravo relacionado ao trabalho fica mais caro, principalmente para LER/DORT. Porque precisa de ortopedistas, de mais exames clínicos, de fisioterapia, muitas vezes 10 sessões não adianta, dependendo do estágio que está a doença. A estatística não quer dizer que os agravos de 2012 para 2013 diminuíram. Quer dizer que há subnotificações, que são os casos que a gente sabe que existem, mas não são notificados pelos estabelecimentos de saúde”.