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Longa ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’ terá estreia em Manaus

Em entrevista exclusiva ao BEM VIVER, o diretor de cinema Daniel Ribeiro comenta repercussão do filme

Cena do longa “Hoje eu quero voltar sozinho”

Cena do longa “Hoje eu quero voltar sozinho” (Divulgação)

Em 2010, o cineasta Daniel Ribeiro, 31, chegava ao prestigiado “Festival de Berlim” para apresentar o curta “Eu não quero voltar sozinho”. Com pouco mais de 17 minutos de duração, a película foi um sucesso e acumulou diversos prêmios por festivais do Brasil. No YouTube, a marca alcançada também é louvável: apenas na rede social, cerca de 3 milhões de internautas conferiram a produção. Agora, quatro anos após a estreia do curta, o cineasta revisita esses personagens para o lançamento de “Hoje eu quero voltar sozinho”, seu primeiro longa-metragem.

Com lançamento agendado para a próxima quinta-feira, o filme é uma adaptação da história original. “A ideia era que o curta servisse como um piloto para o longa”, disse Daniel em entrevista exclusiva ao BEM VIVER. No entanto, o inesperado sucesso de “Eu não quero voltar sozinho” acabou adiando os planos do diretor. “Fui obrigado a fazer algumas mudanças, para que fosse um filme diferente. Como os atores cresceram, também tive que adaptar isso na história”, completa.

Na trama de “Hoje eu quero voltar sozinho”, Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego, tenta lidar com a mãe superprotetora ao mesmo tempo em que busca a sua independência. Quando Gabriel (Fabio Audi) chega na cidade, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo. “A ideia era falar da homossexualidade, mas não claramente. Por isso o personagem cego”, conta o diretor. “Um garoto que nunca viu um homem ou uma mulher e que, mesmo assim, se apaixonou por uma pessoa do mesmo sexo”, explica.

A questão da sexualidade, inclusive, é um tema recorrente nas produções de Daniel. Seu primeiro curta, o premiado “Café com leite” (leia mais no Destaque), por exemplo, mostra a história de um casal gay que se torna responsável por uma criança. “O objetivo era trazer à tona esses temas mais polêmicos, de uma forma que a questão da homossexualidade não estivesse em primeiro plano. Procuro tratá-la de uma maneira natural”, destaca.

Para isso, o cineasta aposta na criação de personagens carismáticos, cujos dramas e sentimentos comuns do dia a dia são facilmente relacionáveis com o público. “A ideia é procurar o que cada personagem tem em comum com as pessoas. No caso do Leonardo, deixei a questão da cegueira em segundo plano e foquei em outras características, como o fato dele estar tendo o seu primeiro amor”, aponta Daniel. “Os dramas da deficiência estão ali, mas são os outros conflitos do personagem que chamam a atenção”.

TRAJETO VITORIOSO

“Hoje eu quero voltar sozinho” estreou em fevereiro deste ano no “Festival de Berlim”, com direito a aplausos no término da sessão. A boa recepção coroou o longa com o prêmio da FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos) de melhor filme da mostra Panorama. “A receptividade está sendo muito boa e temos alcançado muita gente. O tema do longa não atrapalha em nada, pelo contrário, só tem nos beneficiado, pois é tratado de forma tranquila”, diz Daniel. “É como digo, não existem temas que não interessem às pessoas, só depende da maneira como são abordados”, frisa. Em Berlim, o filme também levou o troféu Teddy, destinado a longas com temática homossexual.

A grande repercussão causada pelos bons resultados de “Hoje eu quero voltar sozinho” gerou certa ansiedade nos cinéfilos manauaras, que temem que o longa não chegue às salas da capital. Sobre isso, o cineasta tranquiliza: “O filme vai estrear em Manaus. Ainda não está 100% confirmado que o lançamento seja já nesta quinta, mas existem, sim, cinemas da cidade interessados na produção”, revela.