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Mistura de humores: Silva fala sobre o processo de composição musical

Em entrevista, cantor e compositor comenta o novo álbum “Vista pro mar” 



Silva toca piano, violino, mas não abre mão das batidas e dos sintetizadores de som

Silva toca piano, violino, mas não abre mão das batidas e dos sintetizadores de som (Divulgação)

As pequenas aulas de musicalização que recebeu aos dois anos de idade certamente colaboraram para que o cantor e compositor Lúcio Silva, 25, se tornasse, desde pequeno, um entusiasta da arte de compor. Com o apoio da mãe, que era professora de música, aos cinco anos começou a estudar violino e aos sete passou a se dedicar ao piano. As influências da música erudita, porém, não foram o suficiente para “prendê-lo” ao gênero, e o jovem músico se interessou também pelo pop. Atualmente, ele é um dos nomes que melhor mesclam os dois estilos no Brasil, através do suporte dado, também, pelo indie. Por conta disso, se tornou alvo da crítica especializada no que diz respeito à renovação do indie-pop no País.

O estopim começou quando a música “A Visita” ganhou espaço em um comercial da Nattura. Longe de ter seu talento restrito a apenas uma música, Silva alega ter achado interessante a abrangência alcançada por ela em meio à propaganda. “Fiquei impressionado como a publicidade tem o poder de levar a música para todos os públicos. Percebi que antes minha página no Facebook tinha um público só, pessoas de um certo tipo de idade. Depois que a música começou a aparecer na TV, houve pessoas mais velhas e de lugares diversificados, que começaram a ouvir as canções”, celebra ele.

As influências musicais do artista atingem desde Chico Buarque, João Donato, Tom Jobim e João Gilberto a elementos novos na música, como o chamado Futurepop, que mistura synthpop ao hip-hop e trance. Com o álbum de estreia, “Claridão”, Silva traz um misto de timbres e batidas. Para o segundo álbum, “Vista Pro Mar”, ele diz ter “invertido” o processo, trabalhando primeiro as melodias antes das batidas. “Na composição, acho que a ordem dos fatores altera o resultado. Antes eu nem tinha melodia ou letra, mas já fazia um esboço da música, da batida, produção e timbres. E para o segundo disco fiz primeiro as melodias, para depois colocar as batidas. Depois que eu tive as letras prontas comecei a produzir as batidas e o resto dos arranjos em torno disso”, coloca.

Silva consolida o seu talento com uma espécie de “revisitação da tristeza”: algumas letras (a exemplo de “Imergir”) apresentam uma melancolia que contrasta com uma sonoridade remetente a uma certa “esperança”. Sobre a prática, ele afirma apreciar a mistura de humores. “Acho que se você pega um só humor e investe só nele, fica enfadonho. Se você compartilhar a tristeza e fazer um arranjo trabalhado só na melancolia, fica maçante. Já a mistura pode trazer sentimentos maiores. Se a letra se contrapõe ao arranjo, fica melhor. Tenho o conceito de tentar balancear a tristeza, para que ela não tome conta”, revela.

Um dos questionamentos que Silva faz desde os 15 anos é o porquê de os discos estrangeiros usarem um som mais “diferente” e cheio de batidas, enquanto que no Brasil, o som é mais simples. Foi o que fez o cantor se aliar ao sintetizador. “A música é louca, vem em ciclos. Tem uma época em que o synthpop ficou brega, e agora todo mundo usa sintetizador. Eu toco violino e piano, podia fazer um disco “pós-Visita”. Mas é bom ficar atento ao rumo que as coisas tomam e fazer algo diferente”, coloca ele.

Sobre a participação de Fernanda Takai na música “Okinawa”, ele diz que tinha por meta trazer uma voz feminino para o disco. Fã da artista desde novo, foi através do Festival “Sonoridades” que Takai e Silva se aproximaram pela internet. Ao abrir um show da Lana Del Rey em Belo Horizonte, o cantor descobriu que Fernanda estava na cidade e levou para ela uma versão demo de “Okinawa”. “Ela adorou, sempre achei que nossas vozes combinariam”, lembra ele, afirmando o desejo de chamar a cantora Céu para alguma participação em seus futuros trabalhos. “Para mim, é a cantora mais original que temos no Brasil hoje”.

Silva já conversa com alguns diretores para gravar um videoclipe, e, apesar ainda não haver definições, ele pontua as músicas “Entardecer”, “Janeiro” e “Okinawa” como possíveis nomes a ganharem vídeo. Sobre shows em Manaus, ele destaca ainda não haver previsões, mas não esconde o desejo de vir para as terras de cá. “Tenho muita vontade de ir pro Norte. Tenho uma tia que mora em Manaus”, encerra Silva.

A influência oceânica

Desde o primeiro álbum do artista, percebe-se que Silva possui um laço intenso com o mar. A música “Ainda”, do segundo disco, foi literalmente composta de “vista pro mar”. “Fiz essa música em Dublin, na Irlanda, em 2009, antes de ‘A Visita’. Estava no verão lá e não costumava sair muito. Resolvi ir para uma cidade-ilha que havia do lado, e levei o violão. Fiquei sozinho, vendo o mar, e assim a música saiu. É a música mais de ‘vista pro mar’ do álbum”, reflete.

Destaque

Silva afirma que em seu segundo álbum está mais consciente do que faz. “’Claridão’ foi o primeiro, teve aquela coisa do susto inicial. Acho que em ‘Vista Pro Mar’ já tinha experiência de palco, o que me trouxe mais maturidade como compositor. Na época de ‘Claridão’ meu avô faleceu, então há alguns elementos mais densos no álbum. Para o segundo disco quis fazer letras mais leves e tranquilas, como um dia bom”, diz.