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Oca Digital muda a vida dos indígenas que vivem em aldeia

Moradores de comunidade indígena  estão conectados ao mundo e à sétima arte por meio de uma iniciativa da Fundação Amazônia Sustentável

Oca Digital foi implantada em novembro na comunidade indígena Três unidos

Oca Digital foi implantada em novembro na comunidade indígena Três unidos (Antonio Lima)

A cultura indígena sempre atraiu os olhares dos “brancos”, mas agora é a vez dos índios conhecerem um pouco da cultura ocidental!

E isso só é possível graças ao projeto da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), que idealizou na aldeia Três Unidos – habitada por índios da etnia Kambeba –, localizada numa Área de Preservação Ambiental (Apa), no rio Cuieiras, afluente do rio Negro, várias ações simples, porém grandiosas e que levaram renda, qualificação, integração social, além do conhecimento de novas culturas, por meio da “Oca Theater” – uma espécie de sala de cinema feita com palha de caranã, cipó e varas de madeira.

A fundação construiu na comunidade também um posto de saúde, escola,restaurante/refeitório, playground, alojamentos, base da FAS, Casa Digital, entre outras coisas. Mas com certeza o “point” do Kambebas é a “Oca Theater”.

“Estamos encantados. Hoje os alunos que forem estudar vão saber o que é um cinema. Fico emocionado, porque estou com 53 anos de idade e nunca tinha visto um filme no cinema. Assisti-lo nos fez pensar que estamos num outro mundo. Com isso, acabamos tendo contato com outras culturas”, disse Waldemir da Silva, tuchaua (chefe indígena) da Três Unidos, tocando sua tiara feita de pau, utilizada somente pelos homens da etnia.

A “Oca Theater” foi inaugurada no dia 18 de novembro, com um documentário e com a exibição do longa-metragem “Planeta dos Macacos - A Origem”.

“As comunidades indígenas têm carência de atividades, o que sobra para alguns é o futebol ou beber. Assistir a um DVD é algo comum para nós, mas para eles não. A ideia foi criar um espaço de interação entre os moradores e que tivesse, principalmente, atividades destinadas aos jovens”, fala Sérgio Santos, arquiteto da FAS e criador da “Oca Theater”.

A aldeia conta com cerca de 12 famílias, contudo o núcleo, construído no local, atende aproximadamente 64 comunidades da Apa.

Mudanças

Após a ação, os Kambeba conseguiram aumentar o fluxo de turistas do local – mensalmente são 720 visitantes. Eles vendem o seu artesanato feito com sementes de morototó, açaí, jarina e tucumã.

Quem for à aldeia pode assistir apresentações de danças características da etnia, que retratam animais e figuras da floresta.

Outra pedida é provar os pratos feitos pelas cozinheiras da Associação das Mulheres Indígenas Kambeba (Asmik), como pupeca (peixe assado na folha da bananeira), mujica (peixe com banana ralada) e fani (peixe com macaxeira).

“O público já chega querendo comprar o nosso artesanato. A ‘Oca’ trouxe um avanço no estudo. Foi uma troca de cultura, porque da parte indígena sabemos, mas da outra parte não”, informa Neurilene Cruz da Silva, presidente da Asmik, sobre a venda de artesanato e a “Oca Theater”.

Para ver de perto toda a simpatia dos índios e se encantar com o visual proposto pela comunidade, basta pegar um barco nos portos da Manaus Moderna (Centro) e da Beira Rio (Compensa).

O tempo estimado de chegada é 50 minutos. E a viagem-experiência vale cada segundo.