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Pagode é com elas! Mulheres despontam no estilo

Com músicas feitas sob a ótica feminina, Hellen Caroline e Ana Clara dão novo fôlego ao gênero que é cria do samba

A paulista Caroline Hellen chama pelo estilo a atenção e talento para a composição

A paulista Caroline Hellen chama pelo estilo a atenção e talento para a composição (Divulgação)

Numa fatia do mercado da música dominada por cantores e grupos masculinos, a paulista Hellen Caroline tem provado que as mulheres também podem ter espaço na linha de frente do pagode. Depois de ficar em terceiro lugar no programa Ídolos, ela se inscreveu no quadro “Mulheres que Brilham”, do programa Raul Gil, e saiu de lá não só vencedora, mas apadrinhada pelo jurado Rodriguinho (Os Travessos), que ela sempre admirou. Agora, a Princesa do Pagode - como tem sido chamada - roda o Brasil apresentando o disco autoral “O Sonho Aconteceu”, produzido com a pegada do melhor que o gênero lançou desde a sua explosão, na década de 1990.

“Canto desde os cinco anos de idade, mas profissionalmente mesmo só a partir dos 16. Meus pais nunca tiveram condições de investir nessa minha vocação, então tive que me virar como pude”, conta a compositora de 27 anos, nascida em Ubatuba e radicada em Taubaté. Assim, seus primeiros passos na música foram em corais e bandas de baile, onde ela mostrava domínio dos hits pop que todo mundo queria ouvir. Mas Hellen se realizava de verdade quando o repertório adentrava na seara do pagode, com canções de grupos como “Só Pra Contrariar” e “Fundo de Quintal”.

“Apesar de ter referência de vários estilos, sempre escutei muito pagode. Minha irmã mais velha vivia me levando para shows. É viciante”, confessa. “Sou fã do Alexandre Pires, Exaltasamba, Péricles... então na hora de compor sempre vinha à tona essa influência”. Hoje, a cantora revelação levanta a bandeira do estilo que é uma das crias mais famosas do samba.

Perseverança

Hellen recebeu o chamado para participar do programa Raul Gil enquanto gravava um disco acústico para divulgar seu trabalho autoral. “A pretensão era conhecer o Rodriguinho e mostrar minhas músicas. Deu mais do que certo. Acredito que estava mesmo escrito. O prêmio foi lançar um disco (‘O Sonho Aconteceu’) pela Sony, e eles chamaram justamente o Rodriguinho para produzir”, relembra, contente.

A paulista também conta que escapou de algumas “tentações” desde que começou a ganhar visibilidade na cena musical. “Quando saí do Ídolos recebi muitas propostas para cantar sertanejo, mas para mim não era interessante. Sou movida pela paixão, pelo que gosto, então nunca me passou pela cabeça seguir um estilo musical só porque estava na moda. Sempre pensei que podiam até não gostar do pagode que eu faço, mas eu continuaria fazendo meu trabalho”.

Olhar feminino

Com 15 faixas, sendo seis autorais, o disco “O Sonho Aconteceu” abre com “Que Medinho”, onde a voz de Hellen se mostra preparada para o pagode, parte para “Príncipe Encantado”, com um arranjo de cordas suave, e emenda para uma mistura de samba com pop e sinterizador em “Inconsequência”. Os mundos do samba e pagode voltam a se misturar em “Não Vou Mais Aceitar”, mas é em “Amor Para Depois”, “De Repente Amor” e “Senta Aí” que surgem as principais referências à vertente pagodeira que fez sucesso nos anos 1990, de embalo mais romântico.

Se são as mulheres que estão despontando no pagode, nada mais natural que uma nova leva de composições esteja cada vez mais alinhada ao olhar e aos anseios femininos. Sobre o processo de criação das suas músicas, Hellen comenta: “Minha composição vem de uma forma natural. No álbum tem de tudo – da mulher apaixonada à sofrida, com medo de amar, mas também músicas mais leves e até engraçadas, porque tem que haver alegria também. Quero representar a mulherada, estamos precisando, né?”.

Talento catarinense

Aos 20 anos, a catarinense Ana Clara é outro nome que vem ganhando destaque como cantora de pagode. Nascida em Joinville, desde criança ela está envolvida com o mundo da música. Começou com aulas de violino e piano e, ao longo da adolescência, a paixão só cresceu. Nesse contexto que lhe deu uma bagagem musical extensa, Ana encontrou no samba e no pagode romântico os ritmos que quer cantar para a vida inteira.

O primeiro CD, “Aos Quatro Cantos”, foi lançado em 2012 e produzido por Leandro Sapucahy no Rio de Janeiro. O álbum conta com 13 músicas, nove delas inéditas. A primeira música de trabalho, “Trajetória”, foi também a primeira parceria com um grande cantor, Péricles, e ganhou grande repercussão nas rádios. No momento, Ana Clara trabalha na divulgação do novo EP, “Essa Sou Eu”, que também é produzido Rodriguinho.

Em Manaus: Célia Moreno

Com quase 20 anos de carreira, Célia Moreno também dá voz aos compositores do pagode nos shows que apresenta em diversos espaços de Manaus. “Já comecei cantando samba e pagode num clube famoso que havia na cidade na década de 80. Nessa época, o pagode já era sucesso de público, onde tinha uma festa eu não perdia a oportunidade de chegar junto”, conta a amazonense, que foi passista de escola de samba.

Para ela, a diferença entre os dois estilos musicais é clara: enquanto um envereda mais pelo lado romântico, o outro é “mais pra cima”, com forte relação com nossas musicais. “Canto bolero, MPB e outros estilos, mas o samba corre nas minhas veias tanto para dançar quanto para cantar. Em breve, pretendo regravar músicas de artistas daqui e de fora”, adianta.

Linha do tempo

Historicamente, “pagode” era o nome das festas de escravos nas senzalas, mas acabou denominando também as festas realizadas nos quintais do subúrbio carioca.

Quem lançou o novo estilo na mídia, em meados dos anos 1970, foi a sambista Beth Carvalho. Ela se encantou com o grupo Fundo de Quintal, que apostava num samba diferente, com a introdução do banjo, do repique de mão e a substituição do surdo pelo tatãn.

Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Almir Guineto foram alguns dos compositores gravados (e revelados) por Beth Carvalho depois disso.

Nos anos 1990, surgiu uma outra vertente do pagode, quando novos grupos buscaram inspiração nos conjuntos vocais estadunidenses como os Temptations, Stylistics, Take 6 e Four Tops para compor suas roupas e coreografias.

Impulsionado pela indústria da música, que buscava um concorrente à altura do sertanejo, o “pagode romântico” apostou em músicas mais “açucaradas” e com pegada pop, inclusive com uso de instrumentos eletrônicos. Só pra Contrariar, Raça Negra, Exaltasamba e Molejo são alguns grupos que fizeram sucesso no auge do estilo.

Novata

Chamada de “Princesa do Pagode”, a paulista Hellen Caroline chama a atenção pelo estilo e talento para a composição. Rodriguinho produziu o disco de estreia da cantora, lançado pela gravadora Sony.