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Não há nada como o cheiro de bebê recém-nascido, certo?

O cheiro do bebê é fugaz. Por volta da sexta semana de vida, ele normalmente se vai, termina...

Alguns bebês trocam o dia pela noite nos primeiros dias de vida

O cheiro do bebê não só é real, mas funciona como uma espécie de compensação sensorial para as mães (Divulgação)

A natureza fornece muitas razões para os pais adorarem seus recém-nascidos. Os olhos grandes, os arrulhos adoráveis, a pele impecável, a figura frágil... Mas, nos dias seguintes ao nascimento, é o cheiro do bebê que funciona como um ímã para muitos pais. Eles são capazes de esquecer as noites de sono perdidas, mas garantem que nunca vão esquecer “aquele cheiro característico”.

“Mas que cheiro é esse que o recém-nascido tem? Esta é uma questão que se mostrou surpreendentemente difícil de responder. E há um grupo considerável que insiste que cheiro de bebê novo é apenas um mito, que o efeito persistente é fruto de lenços perfumados ou de uma alucinação olfativa provocada pela privação do sono...”, brinca o pediatra Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

Agora, um estudo publicado na revista Frontiers in Psychology sugere que o cheiro do bebê não só é real, mas funciona como uma espécie de compensação sensorial para as mães.

Os pesquisadores pediram a 30 mulheres - 15 que tinham dado à luz recentemente e 15 que nunca tinha dado à luz - para identificar “odores misteriosos” enquanto sua atividade cerebral era monitorada. Quando o cheiro de recém-nascidos foi exposto às mulheres, todas mostraram atividade cerebral ativada pela dopamina, mesma área que é estimulada após a ingestão de um alimento saboroso ou de outros comportamentos indutores de recompensa. As reações foram observadas em todas as mulheres, apesar de serem mais fortes nas novas mães.

Os autores do estudo acreditam que o cérebro da mulher é “programado” desta maneira para assegurar a evolução da espécie. Este é um mecanismo para concentrar a atenção da mãe no bebê. Quando ela interage com o bebê, ela se sente recompensada. Um processo semelhante pode se aplicar a homens também, embora ainda não existam dados para provar isso.

“Grande parte da pesquisa anterior feita sobre o tema (cheiro do bebê) se concentrava em como as crianças reagem ao cheiro da mãe. Já sabíamos, por exemplo, que os bebês são mais propensos a chegar perto de uma almofada embebida com o odor da mama de sua mãe do que de uma almofada limpa, e que os recém-nascidos submetidos a procedimentos dolorosos são acalmados quando expostos ao leite de sua mãe, mas não ao leite de outras mulheres. Não é surpreendente, então, que as equipes dos hospitais, muitas vezes, coloquem uma peça de roupa da mãe na incubadora ao lado dos bebês prematuros na esperança de acalmá-los”, diz o médico.

Outra pesquisa sobre o cheiro do recém-nascido, feita na década de 80, descobriu que mães que receberam três vestimentas de um hospital para cheirar, conseguiram adivinhar qual a peça de roupa utilizada pelo próprio filho em 80% dos casos.

Mesmo com tantas pesquisas, ainda assim, ninguém parece saber ao certo “o mistério do cheiro do recém-nascido”. Mas, como qualquer outro odor do corpo, provavelmente, “a formula mágica” é uma combinação de fatores. Os odores são produtos químicos. Em um odor natural do corpo, temos cerca de 120-130 compostos químicos individuais, e eles variam de acordo com os indivíduos. E para complicar as coisas, o cheiro do bebê é fugaz. Por volta da sexta semana de vida, ele normalmente se vai, termina...

“Um componente provável da ‘fórmula secreta do odor do bebê’ é a vernix caseosa. O recém-nascido nasce coberto por esse material esbranquiçado gorduroso. Essa substância é composta por produtos da secreção das glândulas sebáceas, células e por pêlos da própria pele do bebê. Acredita-se que a vernix caseosa seja uma barreira mecânica contra bactérias e fungos, além de diminuir o atrito facilitando a saída do bebê através do canal do parto. Os funcionários do hospital geralmente higienizam o bebê logo após o parto, mas traços dessa substância podem permanecer no cabelo do bebê ou nas dobras dos braços e das pernas e contribuem para o cheiro de recém-nascido por algum tempo”, explica Moises Chencinski.

O líquido amniótico também tem um cheiro distinto que mães e pais podem reconhecer e que também pode ser uma fonte do cheiro do bebê. Em 1988, pesquisadores pediram a 15 mães e 12 pais para determinar qual das duas garrafas de líquido amniótico pertencia a seu filho. Doze das mães e 11 pais adivinharam corretamente.

E, por fim, talvez a indústria de perfumaria saiba algo que os cientistas não sabem... Afinal, eles são os únicos que comercializam produtos com “cheirinho de bebê”, que geralmente contêm ingredientes como o almíscar branco, a baunilha e a laranja. Curiosamente, esses ingredientes variam conforme o país.  Se você olhar para os produtos de bebê espanhóis ou franceses, estes tendem a ter flor de laranjeira como um dos ingredientes, porque o campo é fresco. Americanos, por outro lado, têm um caso de amor com baunilha.