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Museu na selva recria seringal

A série 'Bem Viver Indica' do jornal A Crítica faz um passeio pelo espaço cultural que remete ao tempo áureo da borracha

Local serviu de cenário para o filme "A Selva", lançado em 2002

Local serviu de cenário para o filme "A Selva", lançado em 2002 (Luiz Vasconcelos)

Situado a 15 minutos de lancha da Marina do Davi, fazendo divisa com a Comunidade Nossa Senhora de Fátima, está o Museu Seringal Vila Paraíso, erguido há mais de dez anos entre espécies nativas da região e diversos exemplares da Hevea brasiliensis. Gerenciado pela Secretaria de Cultura, o espaço serviu de locação para o filme “A Selva” e hoje recebe visitantes das mais diferentes nacionalidades, curiosos em descobrir de onde saíram as riquezas que financiaram o luxo da Belle Époque amazonense.

Quem conduz a reportagem é Marilene Batista, moradora da comunidade vizinha e guia do museu há quase um ano. Para quem chega, ela começa explicando que o local é uma réplica do verdadeiro Seringal Vila Paraíso, localizado no Município de Humaitá, onde o escritor português Ferreira de Castro trabalhou durante quatro anos e no qual ele ambientou o seu livro “A Selva” (que viria a inspirar o longa-metragem homônimo).

A primeira parada da visita guiada é a sala de jantar do coronel, colada ao “canto da cultura”, que abriga um piano centenário e um autêntico relógio suíço. No ambiente, as únicas coisas que parecem ser genuinamente amazônicas são as tábuas que dão forma à casa e o teto, que naquela época era feito de palha de tupé – como explica a guia.

Casa do coronel e barracão de aviamento têm objetos de época

“O coronel morava no meio da selva amazônica, mas vivia no luxo. Na mesa dele tinha prata, porcelanas portuguesas e cristais italianos. Nas paredes, telas pintadas na Europa. Todas as peças são originais da época, mas não pertenciam ao seringal”, acrescenta Marilene. Conhecedora de cada palmo do lugar, por vezes ela fala como se recitasse o texto do livro de Ferreira de Castro.

Realidade e ficção

Os outros cômodos conduzem o visitante a um verdadeiro mergulho ao modo de vida em um seringal do fim do século 19 e início do século 20, período considerado como o ápice do ciclo econômico da borracha. Os ambientes, de certa forma, aproveitam o enredo de “A Selva” para contar passagens da História do Amazonas, assim como as extravagâncias da Belle Époque amazônica.

Na cômoda de um dos quartos, repousa uma caixa de charutos cubanos, hoje puídos pela ação do tempo. A guia, então, reconta causos já conhecidos pelos amazonenses: charutos que eram acesos com notas de 100 mil réis e roupas mandadas para lavar em Lisboa ou Paris, porque acreditava-se que a água do Rio Negro mancharia as peças.

Contraste

Na sequência, visita-se o barracão de aviamento, a pequena capela, e os locais de trabalho e descanso dos seringueiros do primeiro ciclo da borracha. É quando toda a experiência começa a ser contrastante.

A guia vai revelando detalhes da rotina de sofrimento e privações de quem ocupava o posto mais baixo no sistema produtivo que ergueu o Teatro Amazonas e deu contornos europeus à capital amazonense. “Era proibido caçar, plantar e pescar, para que os seringueiros comprassem tudo aqui e fizessem dívidas. Quanto mais dívidas, melhor para o coronel”, conta Marilene.