No meio da noite, Paulo e Marcelle Chaves, não-raro, acordavam com uma terceira pessoa em sua cama. O pequenino ser era Paola, a primogênita do casal, que ainda se acostumando a dormir no próprio quarto insistia em ficar com os pais. Essa transição, nada fácil para as crianças, foi um drama para a mãe e para filha.
“Ela chorava e dizia ‘eu te amo, me deixa ir pro seu quarto’”, lembra a mãe Marcelle Dantas Chaves. A “chantagem emocional” durou um mês. Nessas noites, a bibliotecária precisava antes de dormir ler histórias e cantar para a filha.
Experiência semelhante viveu a fotógrafa Elisa Garcia. Mas no caso dela, a mudança foi mais demorada. “Decoramos o quarto da Juliana com bichinhos, colocamos TV, tudo para que ela se sentisse bem. No começo tive que colocar um colchão e ficava lá até ela dormir. No meio da noite ela acordava, não via ninguém, chorava, voltava pro nosso quarto e lá começava tudo de novo. Foram seis meses assim”, conta Elisa.
Rotina
Os psicólogos e pediatras entendem que esta difícil transição é absolutamente normal e deve ser vencida aos poucos. “A ida para o quarto é traumática porque a criança pensa que o pai ou mãe não gostam mais dela. É necessário muito carinho, paciência e perseverança”, aconselha Vitor Gomes, pediatra.
Para a pediatra Denise Nunes, o bebê deve ficar no máximo até seis meses no quarto dos pais. E no berço. Passou disso, pode gerar uma dependência que não é salutar.
“A criança pode pensar que é incapaz de dormir sozinha, o que é muito prejudicial para sua autonomia, pois gera mais dependência em relação aos pais. Com o passar do tempo pode atrapalhar na resolução de problemas cotidianos sozinha. A criança se torna mais insegura com dificuldade de enfrentar seus medos”, comenta Denise Nunes.
Limites
Ainda segundo a pediatra, quando os pais não conseguem se posicionar e não estabelecem regras claras, ora permitido e ora recusando a permanência da criança em seu quarto na hora de dormir, fica tudo muito complicado.
“Os pais que permitem e às vezes até estimulam que a criança durma com os mesmos na cama, demonstram dificuldade de impor limites, cansaço, culpa por achar que estão rejeitando a criança, pena porque se identificam com ela e se sentem sós ou até mesmo para encobrir possíveis problemas de relacionamento do casal. Poder dormir sozinha significa que a criança está se tornando mais autônoma e independente emocionalmente, que já lida com seus sentimentos de agressividade e que se sente segura, mesmo estando distante de seus pais”, acredita a pediatra.
Os pais também precisam ficar atentos se a criança não consegue dormir por problemas de sono que estão relacionados às condições de saúde. Neste caso é aconselhável: deve-se consultar um pediatra.
“É importante que se transforme a hora de dormir numa experiência positiva. Então nunca mande seu filho para a cama sentindo-se infeliz - por exemplo - depois de uma repreensão ou como castigo. Ao contrário, caso o mesmo vá o quarto dos pais deve ser levado de volta para o seu quarto, colocando-o na sua cama de volta, permanecendo ao seu lado para que ele se sinta amado”, conclui Denise Nunes.
Paciência
Na casa de Elisa foram seis meses até que a filha Juliana, hoje com quatro anos, se acostumasse a dormir no próprio quarto. Abaixo, Marcelle e o esposo Paulo: mais perseverança com os filhos
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Denise Nunes
Pediatra
“Quanto mais cedo o bebê for para o seu próprio quarto mais fácil será ele se acostumar a dormir no mesmo. Uma massagem leve antes de dormir é muito relaxante para o bebê, podendo ser feita a partir da segunda semana de vida. Fale mansamente, para acalmá-lo. Mantenha uma luz fraca no quarto e não faça ruídos. A obediência aos horários garante que o bebe durma o quanto e sempre que precisar. A partir do seis meses com a rotina já estabelecida, permaneça firme para não alterá-la. Nesse período o bebê já entende o que acontece na hora de dormir e o significado do ritual - que chegou a hora de ir para o seu berço dormir - tornando-se previsível”.
Pontos
O recém-nascido necessita de uma rotina e mudanças constantes podem causar estresse e ansiedade. Durante o processo, é necessário que exista uma hora certa para dormir e que se converse com o bebê: ele entende muito mais do que se acredita.
Bichinhos de pelúcia podem se tornar companheiros da hora de dormir, o que é positivo, já que a criança passa a se sentir acompanhada a noite toda, mesmo quando os pais não estão por perto.
Tornar o quarto da criança um ambiente acolhedor e agradável aumenta as chances de que ela queira ficar lá naturalmente e por escolha própria.
Se preciso, vale ficar com a criança no quarto até que ela durma, mas depois é importante deixá-la sozinha.
Todo esse processo de transição tem de ocorrer de forma gradativa. É comum que o bebê venha a chorar – e ocasionalmente até berrar – nos primeiros dias, mas não se deve retroceder no processo: recomenda-se que os pais entrem no quarto, o acalmem e voltem a colocá-lo no berço, sempre com tranquilidade.
Fonte: bebe.abril.com.br
Serviço
Quem: Pediatra Denise Nunes
Contato: 3642-3313
Quem: Pediatra Vitor Monteiro
Contato: 3234-9093
Quem: Psicóloga Rochelle Rolim, sistema Hapvida
Contato: 3627-0300