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Eles deixam cedo a casa dos pais e voam alto

Mesmo contrariando as estatísticas, esse perfil de jovem “pássaro”, sedento por voos cada vez mais altos, resiste e prova que é possível administrar e crescer bem, mesmo longe do ninho

Bruna Castro, hoje com 25 anos, sempre quis trabalhar e ser independente desde cedo

Bruna Castro, hoje com 25 anos, sempre quis trabalhar e ser independente desde cedo (Evandro Seixas)

Fenômeno mundial, a “geração canguru” - aquela formada por jovens entre 25 e 34 anos que ainda moram com os pais – aumentou na última década no Brasil, segundo dados do IBGE. Em contrapartida, jovens que cedo criam coragem de deixar para trás o carinho e o conforto da casa dos pais e se aventurar em busca dos seus sonhos e da independência, estão se tornando exceções. Mesmo contrariando as estatísticas, esse perfil de jovem “pássaro”, sedento por voos cada vez mais altos, resiste e prova que é possível administrar e crescer bem, mesmo longe do ninho.

O designer Ítalo Duarte de Déa é um exemplo. Hoje com 20 anos, formado e contratado por uma empresa de aplicativos móveis, lembra como foi difícil deixar a casa dos pais em Boa Vista (RR), para na época, com apenas 15 anos, morar com o irmão e depois sozinho em Manaus.

“Meu irmão morava e estudava aqui. Nas férias, quando vim visitá-lo, recebi uma proposta de bolsa atleta da escola Idaam para jogar basquete e estudar. Era o ano de 2009. Eu aceitei e, seis meses depois, ele [o irmão de Ítalo] resolveu voltar para Boa Vista. Eu fiquei em Manaus. Foi muito difícil ficar longe da família. Tive que aprender a me organizar para cuidar de casa, mas eu amadureci muito. Aprendi a dar mais valor ao meu trabalho e me organizar com o dinheiro”, conta ele que hoje conquistou mais coisas que a maioria dos jovens de sua idade. Apesar da precocidade, ele lembra que o apoio dos pais foi fundamental no início. “Eles me deram esse suporte e me acompanharam”.

Pelo mundo

O desejo de conhecer o mundo e morar fora do Brasil parece ter nascido com a relações públicas Danielle Alves, 31. “Ainda criança, eu sonhava em ser aeromoça. Quando viajava com a família, via essas profissionais e tinha esse sonho de viajar mundo afora e falar vários idiomas”.

A profissão mudou mas os planos não. Determinada, com 24 anos, ela juntou dinheiro dos primeiros trabalhos e partiu para o primeiro intercâmbio em Londres. Foi o início de tudo. “Após essa experiência tive certeza que era o que eu queria. Retornei a Manaus e trabalhei mais um ano com esse objetivo. Foi quando larguei tudo e fui fazer o mestrado na Espanha”. Hoje, após quatro anos morando longe da família, ela está em Manaus para matar a saudade do “feijão da mãe”, Maria Luiza Silva, 57, mas já pensa em voltar à europa para fazer o doutorado. “Não foi fácil, tinha que dividir o quarto, não tinha ninguém para fazer o café para mim, mas é legal que você começa a ter independência, aprende a se virar e a viver sem estar sob as asas. Por outro lado, a saudade é cruel. É impossível viver tanto tempo separado”.

Como saldo da experiência, ela fala fluentemente Inglês e Espanhol e conhece gente de todo o mundo. “O mais importante disso tudo é sair do seu mundo, ver e conhecer outras culturas e aprender a respeitar as diferenças”, enfatiza.

Bonecas de lado

Nem brincar de casinha ou com bonecas. Quando criança, a estudante de Marketing Bruna Castro, hoje com 25 anos, queria mesmo era trabalhar. “Isso é da minha personalidade. Via minha mãe, solteira, com minhas duas irmãs pequenas para criar e tinha vontade de crescer o mais rápido possível”, explica ela, que, aos 18 anos, deu o primeiro passo rumo a sua independência e saiu de casa.

No começo, a estudante conta que foi complicado, pois o salário que recebia era pouco na época. A quantia só era suficiente para Bruna dividir uma kitnet com um amigo.

No entanto, apesar dos desafios, ela não se arrepende da decisão de deixar tão cedo as “asas da mãe”. “Hoje vejo que foi uma coisa boa em minha vida. Não me arrependo, pois me fez crescer e me tornar a pessoa independente que eu sempre quis. A saudade bate sempre, mas sou feliz por ter meu espaço”.

Para quem deseja sair cedo da casa dos pais, Bruna dá algumas dicas. A primeira delas é ter paciência, ainda mais se forem dividir com amigos. “Todos temos manias e personalidades diferentes, então às vezes é preciso relevar algumas coisas chatas. Na casa dos nossos pais, eles estão acostumados com o nosso jeito, mas as outras pessoas não”, destaca. “Também aconselho que a pessoa tenha um emprego estável, pois, além das contas do mês (água, luz, telefone e etc.), somos obrigados a lidar com diversos problemas que nunca demos conta que existiam”, finaliza.

Blog: Evelyn Almeida - Bacharel em Ciências Naturais

“Tenho 24 anos e decidi sair da casa dos meus pais. Pela primeira vez, vou passar um aniversário longe deles. Sempre fui apaixonada pelo mar e resolvi fazer pós-graduação em oceanografia, no Rio de Janeiro. Estar longe da família é bem ruim. Sempre penso que tenho que ter muito foco no que quero. As primeiras semanas foram horríveis, chorava todos os dias, as lágrimas diminuíram, mas a saudade não. Mesmo assim estou feliz por estar dando um grande passo e fazendo o que sempre quis.

Destaque

Quem quiser conhecer um pouco das aventuras da relações públicas Danielle Silva pelo mundo pode acessar o blog dela (www.dannypelomundo.com), que traz vários registros das viagens feitas durante os quatro anos morando, estudando e viajando pela Europa.