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Tudo dublado? Falta de opção frustra fãs do cinema

Seguindo tendência nacional, cinemas da cidade privilegiam filmes dublados – há quem defenda e quem critique 


Cena do filme "O Hobbit: Uma jornada inesperada"

Cena do filme "O Hobbit: Uma jornada inesperada" (Divulgação)

A queixa de que os cinemas de Manaus têm dado preferência aos filmes dublados, vira e mexe, aparece em postagens nas redes sociais ou nas rodas de conversa entre amigos. Ao que tudo indica, a situação reflete uma mudança no público consumidor da Sétima Arte. No ano passado, o Instituto Datafolha ouviu 2 mil pessoas em vários Estados do País e descobriu que 56% dos entrevistados preferem as versões em português às cópias legendadas.

As explicações que circulam por aí vão desde a ascensão de uma nova classe média até a preguiça do público jovem em ler o equivalente a 30 páginas de livros numa ida ao cinema (confira números ao lado). “As novas gerações não se importam com a voz original do ator, preferindo curtir os efeitos especiais sem ter de ler legendas”, justificou certa vez o presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas, Ricardo Leite, em entrevista à imprensa mineira.

Segundo levantamento realizado pela reportagem, ao menos cinco filmes estrangeiros, incluindo uma estreia, estão em cartaz nos cinemas da cidade apenas com sessões dubladas. São eles: “A sombra do inimigo”, “O Hobbit”, “O impossível”, “As aventuras de Pi” e o lançamento “Uma família em apuros”. (A rede Cinemais não forneceu programação atualizada até o fechamento desta edição.)

LEVANTAMENTO

Segundo o supervisor de operações do Cinemais, Alexandre Olegário, a escolha de quais versões dos filmes entram em cartaz é feita com base nas bilheterias, que funcionam como termômetro do público.

“Fazemos um levantamento que indica a quantidade de pessoas para cada tipo de filme. Quando temos necessidade de escolher, diante do que é disponibilizado pela distribuidora, usamos essas informações na hora de optar por um tipo de cópia para cada complexo”.

INTERFERÊNCIA

O maestro e produtor musical Paulo Marinho é do time dos que preferem os dublados, mas, tecnicamente falando, ele reconhece que a obra perde muito com a dublagem. “O filme deixa de ter a sensibilidade do ator e a vibração da cena. Por melhor que seja o dublador, sempre vai faltar a alma e a naturalidade do intérprete, que muitas vezes fez todo um trabalho de pesquisa para conseguir determinada entonação ou timbre”.

Segundo ele, os estúdios comercializam as películas com o som separado em camadas. “Muitos sons são captados originalmente na cena, mas outros podem ser inseridos pelo produtor. Nesse processo, algumas camadas podem se perder, dando a impressão de algo falso depois da mixagem”, afirmou Marinho.