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Fazer fofoca traz prazer momentâneo, mas é prejudicial a longo prazo

É mais fácil falar do outro do que olhar para si. "O fofoqueiro não se conhece. Seu prazer é buscar na vida alheia interesses que ele julga não ter. Por exemplo: é mais simples criticar o comportamento de uma pessoa que está se destacando do que ir atrás do seu sucesso", afirma Anette.

Aderir ao "fale mal, mas fale de mim", é uma demonstração de carência

Aderir ao "fale mal, mas fale de mim", é uma demonstração de carência (Reprodução )

Uma pesquisa europeia feita em 2010 mostrou que a fofoca levanta a autoestima do fofoqueiro e o faz sentir amparado. Será? A psicóloga Anette Lewin não concorda. Para ela, é um efeito momentâneo. "O mais comum é a pessoa sentir uma certa satisfação com a fofoca, afinal, pimenta nos olhos dos outros é refresco, mas daí a aumentar a confiança em si mesmo tem uma grande diferença", diz ela.

É mais fácil falar do outro do que olhar para si. "O fofoqueiro não se conhece. Seu prazer é buscar na vida alheia interesses que ele julga não ter. Por exemplo: é mais simples criticar o comportamento de uma pessoa que está se destacando do que ir atrás do seu sucesso", afirma Anette.

Essa insegurança só causa transtornos, diz a psicóloga especializada em psicodrama Marina Vasconcellos. "Ao invadir a privacidade de todo mundo, ele se torna antipático e sozinho, pois ninguém quer aprofundar uma amizade com alguém assim."

O outro lado da moeda

Como tudo, porém, há o outro lado. Há os que pregam o ditado popular: "Falem mal, mas falem de mim". Isso parece fazer sentido em tempos de internet. Se alguém fala mal de você ou de seu blog, por exemplo, as visitações no seu perfil nas redes sociais e no seu site aumentam e mais gente fica sabendo que você existe. Pelo menos por algumas horas, ou por quinze minutos, você fica famoso.

Na maioria das vezes, da mesma forma que esse furação veio, vai, sem deixar rastros. Mas, dependendo da fofoca, pode trazer sofrimento para os envolvidos. “Há pessoas tão carentes que se sentem satisfeitas ao saber que estão falando dela, mesmo que os comentários não sejam positivos. Só de ser lembrado está bom”, diz Anette.

À toa na vida

Mas até que ponto a fofoca é papo de quem não tem o que fazer e quando se torna prejudicial? "Comentar sobre o namoro de uma personalidade, uma notícia que saiu na mídia, sem pretensões, é natural. Mas quando a pessoa começa a ter prazer com o desprazer do outro, a se intrometer para causar mal estar, é hora de olhar para o próprio umbigo", afirma Marina Vasconcellos.

O primeiro passo é se aprofundar nas suas questões pessoais. "Ao fazer isso, a pessoa pode perceber que está criticando justamente o que não gosta em si mesma. Ela joga para o outro o defeito que não consegue aceitar que tem”, explica Anette. Além disso, fofocar é um comportamento indelicado, de quem se sente melhor do que os outros, pega mal e passa a imagem de que a pessoa não tem nada mais importante na vida para fazer.