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Nos passos de Callas: Sílvia Pfeifer revive diva da ópera no teatro

Atriz fala do desafio de encarnar maior cantora lírica de todos os tempos no palco

Callas surge na pele de Sílvia Pfeifer, na foto entre o ator Cássio Reis e a atriz e diretora, Marília Pera

Callas surge na pele de Sílvia Pfeifer, na foto entre o ator Cássio Reis e a atriz e diretora, Marília Pera (Divulgação)

Há pouco menos de um ano, Sílvia Pfeifer recebeu um telefonema de Marília Pera, trazendo uma proposta irrecusável: viver o papel de Maria Callas, a mais famosa cantora lírica da História, numa peça sob sua direção. A atriz não pensou duas vezes: “Aceitei mesmo sem ter lido o texto. Imagina, perder essa oportunidade de trabalhar com Marília Pera, fazendo Callas! Não tem o que discutir”, conta.

Passados seis meses da estreia de “Callas” no Rio de Janeiro e já em turnê nacional com a peça, que será encenada no próximo dia 9 no Teatro Amazonas, Sílvia relembra a história com bom humor. Mas, naquela ocasião, ela conta que ainda sentiu frio na barriga: “Ao desligar, entrei em um certo pânico com a responsabilidade, afinal Marília é uma grandíssima atriz, sabe tudo e qualquer coisa”.

A saída de Sílvia foi buscar aprender tudo que podia sobre Callas. Não era exatamente uma desconhecida para a atriz – ela sabia da importância da norte-americana de ascendência grega, conhecia algumas árias e sabia de seu casamento não oficial com o magnata Aristóteles Onassis. Mas Sílvia foi além: leu livros e resumos de óperas, e assistiu a vários vídeos com gravações e documentários disponíveis na Internet. E ficou fascinada com o que descobriu.

“Eu não tinha, e acredito que muitos não tenham, ideia da dimensão que Callas teve. Conheci Callas dos dois lados: a artista e a pessoa, com suas fragilidades, fortalezas, coragem, desprendimento e luta. Eu a vejo como uma grande guerreira”, declara ela, que vez por outra se refere à diva como atriz, em vez de cantora. “De vez em quando me pego nesse ato falho, mas ela realmente trouxe esse lado de atriz para o cenário do canto lírico. Até então, a maioria das cantoras só se preocupava em cantar, e é incrível a doação e a entrega de Callas no palco”.

Entrando na pele

O início dos ensaios foi outro desafio: “Tive medo no processo todo. Não tinha grande experiência no teatro, só fiz uma peça antes. Agora estava sendo dirigida pela Marília, vivendo uma pessoa que existiu de verdade”. Aqui, Sílvia teve ajuda da diretora, que vivera Callas em 1996, na peça “Master Class”, de Terence McNally.

“(Ela) trouxe elementos fundamentais para eu entender coisas que tinha lido e visto, e me ajudou a colocar tudo aquilo no palco”, comenta a atriz, citando o desafio que é “dar dignidade mesmo aos defeitos de uma pessoa”. “(Callas) tinha defeitos conhecidos até internacionalmente – a arrogância, o temperamento difícil, os casos no trabalho e na vida pessoal. Como mostrar esse lado com dignidade? Marília me ajudou, o que estudei ajudou, e também o texto do Fernando Duarte (...) No final, foi uma grande comunhão de ajuda para desenvolver o papel”.

Documentário vivo

À parte Callas, Sílvia teve de lidar com a complexidade de uma peça com várias linguagens e recursos narrativos. No texto de Duarte, ambientado na Paris de 1977, ano da morte de Callas, a diva encontra o jornalista John Adams (Cássio Reis) para discutir a exposição que ele quer organizar sobre a cantora. Na cenografia, uma galeria de paredes brancas recebe projeções de fotos, vídeos, frases e outros elementos que recontam a trajetória de Callas. Há ainda vestidos e réplicas de acessórios reais usados pela diva e com os quais Sílvia interage no palco.

“Vou pegando as roupas enquanto falo, e o público vê a Sílvia, como Callas, colocando o vestido, e a Callas verdadeira lá atrás, usando aquele vestido”, exemplifica a atriz. “É um documentário vivo. Quem conhece Callas talvez se surpreenda, e quem não conhece sem dúvida terá uma aula de qual foi a importância dessa mulher, o quanto foi famosa, que vida levou”.

O grande número de deixas e marcações obriga Sílvia a fazer ensaios prévios a cada novo palco, mesmo sozinha. “Preciso da intimidade com aquele espaço, e ele muda de um lugar para outro, nas dimensões, na distribuição dos objetos. E isso me leva a mudar ritmos de falar ou de me mexer”, explica. Ela não reclama, ao contrário: para a atriz, o “treino” constante a ajudou a evoluir com o papel. “Fui encontrando sutilezas, redescobrindo coisas que Marília tinha me proposto lá no início e que enfim consegui realizar. Isso foi uma alegria enorme, pois mostra que você está crescendo e fazendo a personagem crescer”.

Sílvia deverá seguir o mesmo ritual no Teatro Amazonas, no sábado. “Estou honrada de poder fazer isso nesse palco”, declara ela. A atriz se diz feliz por poder conhecer Manaus, e deixa um convite para o público: “Nosso Brasil é grande, e as distâncias, enormes. Será a primeira vez que irei à cidade, e espero que todos possam ir ver o espetáculo e gostem. Vamos todos ver ‘Callas’!”.

Trabalho intenso nos ensaios

Os ensaios para “Callas” duraram menos de dois meses, período relativamente curto. Contribuiu para isso a dedicação de Sílvia Pfeifer, que Marília Pera definiu numa declaração como “uma das atrizes mais sérias, disciplinadas e obstinadas com quem já tive o prazer de trabalhar”. A atriz gaúcha devolve os elogios e conta que trabalhar com Marília foi “um aprendizado”: “Trabalhar com uma pessoa séria, focada e exigente acrescenta à gente um outro estofo. Foi maravilhoso”.

Exigência e disciplina, aliás, foram fatores em comum entre diretora e atriz: “Marília é muito séria, pontual, o que você marca em dado horário tem de fazer. Eu chegar pontualmente, estar aberta e disponível para a hora em que ela quisesse marcar ensaios, tudo isso era bom para nós duas”.

Outra prova da dedicação de Sílvia é que a atriz, mesmo sem precisar cantar, decidiu ter aulas com uma cantora lírica profissional. Elas a ajudaram a falar frases longas num fôlego, seguindo uma sugestão de Marília, e a entrar mais no universo de Callas. “Também tive noção da dificuldade e aprendi a dar valor, pois exige muito talento e dedicação. As coisas mínimas que consegui foi a muita pena”.

Na tevê

Enquanto segue em turnê com “Callas”, Sílvia Pfeifer se prepara para voltar à TV. Ela está no elenco de “Plano astral”, novela com roteiro de Daniel Ortiz e supervisão de Silvio de Abreu, que deverá suceder “Geração Brasil”. As gravações devem iniciar mês que vem.