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Após quase meio milênio, Shakespeare continua dominando a cultura mundial contemporânea

Em abril, poeta e dramaturgo do século 16 completaria 450 anos; tempo é de homenagens

William Shakespeare continua 'vivo' no mundo

William Shakespeare continua 'vivo' no mundo (Arte: Romahs )

Um famoso aniversariante do mês de abril acabou influenciando a veia cômica de Nigel, a cacatua vilã da animação “Rio 2”, há algumas semanas em cartaz nos cinemas. Depois de ter se dado mal no filme anterior, a ave desta vez encarna o espírito elisabetano para citar, em diversas momentos do longa, textos famosos de William Shakespeare, como Romeu e Julieta e Hamlet.

A referência poderia ficar apenas no plano das coincidências caso não se comemorasse, no próximo dia 23, os 450 anos do nascimento do poeta e dramaturgo inglês, com direito a reencenações e homenagens ao redor do mundo. Para o professor Jhon Weiner de Castro, mestre em teatro e docente do curso da UEA, se há um consenso entre os estudiosos e admiradores de Shakespeare é o de que o escritor continua atual, mesmo quatro séculos após ele ter saído de cena.

“Principalmente por conta do texto que ele escrevia, com situações comuns a todos”, explica o professor, citando temas como ambição, intrigas, amor e superação. “Até hoje em dia as histórias refletem isso. Sem contar que ele era um artista do povo, escrevia para todos – dos reis à população mais simples”. “Ser ou não ser...” – Jhon recorre à famosa fala de Hamlet para exemplificar como a obra shakespeariana já faz parte do repertório mental até de quem não é do teatro. “Quem não consegue completar essa frase?”, indaga.

MEIO TERMO

O professor também acredita que os artistas do teatro de hoje ainda têm o que aprender com o autor de “A Megera Domada” e “Sonho de uma Noite de Verão”. “Um dos grandes objetivos da arte é estendê-la a todos, e isso ele fez muito bem ao abordar tramas comuns a qualquer indivíduo. Quando se faz isso, naturalmente o sucesso vem e a expressão se torna universal”.

“Muitos dizem que Shakespeare não merece mais ser montado porque virou apenas literatura. Eu discordo. É preciso achar um meio termo entre a linguagem dele e o cotidiano do século 21, tentar entender o que o texto significa para nós no presente”, acrescenta.

PARA CONFERIR

As homenagens ao dramaturgo inglês vêm ganhando fôlego no Brasil desde o Festival de Teatro de Curitiba, que iniciou no fim de março e reuniu duas montagens de “Ricardo III”, além de “The Rape of Lucrece”, da Royal Shakespeare Company.

Em Manaus, o público vai poder conferir “Romeu e Julieta: o encontro de Shakespeare e a cultura popular”, do Grupo Garajal (CE). O espetáculo de rua passa pela cidade no dia 27 de novembro dentro do circuito do Palco Giratório, promovido pelo Serviço Social do Comércio (Sesc). Entre lutas de espadas e ao som de tambores, maracatu e reisado, a peça faz uma releitura da trágica história de amor a partir dos signos da cultura nordestina.

Até segunda-feira, dia 14, fica em cartaz no CCBB do Rio de Janeiro o “Fórum Shakespeare”, que reúne exposição fotográfica, palestra, mesa-redonda e masterclasse com a proposta de promover um intercâmbio entre artistas brasileiros e estrangeiros.

“É claro que não há uma única maneira de montar Shakespeare na Inglaterra e outra no Brasil. Mas lá o processo tende a iniciar pelo texto. No Brasil há um teatro de pesquisa mais forte. O fato é que a obra dele pertence ao mundo”, declara Paul Heritage, diretor artístico do projeto itinerante que segue para Brasília (23 a 28/4), Belo Horizonte (30/4 a 5/5) e São Paulo (7 a 12/5).