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Cineasta amazonense presta tributo a Alves Netto com 'Tudo por amor ao cinema'

Longa do cineasta Aurélio Michiles sobre Cosme Alves Netto terá première mundial no É Tudo Verdade, no Rio de Janeiro, no dia 4 de abril

Michiles com o documentarista Eduardo Coutinho, falecido há poucas semanas e um dos entrevistados de “Tudo por amor ao cinema”

Michiles com o documentarista Eduardo Coutinho, falecido há poucas semanas e um dos entrevistados de “Tudo por amor ao cinema” (Divulgação/Reprodução)

Aurélio Michiles estava para iniciar as filmagens de “O cineasta da selva” quando recebeu a notícia da morte de Cosme Alves Netto, seu conterrâneo e grande estímulo para a realização do filme sobre o pioneiro do cinema no Amazonas, lançado em 1997. Após quase duas décadas, o cineasta amazonense hoje presta seu tributo a Alves Netto com “Tudo por amor ao cinema”. O novo filme, que resgata a trajetória de um dos nomes mais importantes na história do cinema brasileiro, terá sua première mundial no festival de documentários É Tudo Verdade, no Rio de Janeiro, no dia 4 de abril.

“Tudo por amor ao cinema” é fruto de cinco anos de trabalho, da pesquisa à finalização, com depoimentos de 67 entrevistados captados em filmagens em Manaus, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Mossoró (CE), Havana e Lisboa. “O Cosme, esse amazonense pai d’égua, foi um cara que transitou pelo mundo. A presença dele aparece em diversos países”, comenta Michiles. “E, a qualquer lugar onde ia, ele era sempre ‘o cara’ do cinema”.

Alves Netto se destacou pelo trabalho à frente da Cinemateca do MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro, onde por mais de duas décadas se dedicou à preservação e à difusão do cinema nacional. Nas pesquisas para o longa, Michiles conta que descobriu a figura de um apaixonado pelo cinema e, principalmente, por filmes.

“Cosme era um cara que via o cinema como olhar antropológico sobre a humanidade. Todo filme de ficção lançado e exibido acaba na Cinemateca como um documentário: figurinos, cenários, trejeitos, tudo passa a ser referência de um tempo. E ele tinha esse ideal de que todas as imagens, quaisquer que fossem, tinham de ser guardadas”, explica o cineasta.

Esse mesmo ideal, prossegue Michiles, baseou a construção da narrativa de “Tudo por amor ao cinema”. “Foi um desafio – e um trabalho hercúleo, quase impossível – de contar a história do Cosme por meio de fragmentos de filmes”, resume ele, citando a frase que serviu de tagline ao filme: “Ele fez dos filmes a história de sua vida”. Parte desse trabalho pode ser vista no trailer do filme – confira em seu smartphone ou tablet por meio do QR Code ao lado.

Luta pelo cinema

Michiles destaca a importância de Alves Netto para o cinema brasileiro, citando seu papel na disseminação do movimento cineclubista pelo Brasil e no incentivo à criação da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), entre outras coisas. “Ele teve uma vida dedicada ao cinema. Embora breve, pois ele morreu com apenas 59 anos, ele fez muita coisa”.

Michiles lembra ainda que Alves Netto enfrentou o regime militar – que o prendeu e torturou por duas vezes – e ajudou a salvar de suas garras inúmeros filmes. Exemplo disso foi “Cabra marcado para morrer”, produzido pelo cineasta Eduardo Coutinho com negativos escondidos e preservados por anos sob um nome trocado na Cinemateca do MAM.

“No termo de saída das latas do negativo na Cinemateca aparece o nome falso: ‘Rosa do Campo’. Só ele (Alves Netto) sabia desse arquivo secreto”, recorda o cineasta. “Coutinho, embora não esteja mais aqui, aparece no filme com esse depoimento pungente, verdadeiro e revelador, pois poucas pessoas sabiam disso”.

O cineasta amazonense se diz honrado por ter seu filme escolhido para a abertura do É Tudo Verdade: “É um privilégio, um reconhecimento. Passei a vida inteira fazendo documentários, até já concorri no festival, e ser escolhido para abrir o evento no Rio, que também é a terra do Cosme, depois de Manaus, é de uma emoção que não consigo descrever”.

E fala de sua vontade de exibir o filme no Amazonas: “Não há previsão, mas quero muito mostrar em Manaus. O Cosme costumava se dizer descendente dos sateré-mawé. Ele é muito mais nosso que qualquer otura pessoa”.

Serviço

o que é: É Tudo Verdade – 19º Festival Internacional de Docu- mentários

Onde e quando: São Paulo, de 3 a 13 de abril; Rio de Janeiro, de 4 a 13 de abril; Campinas (SP), de 22 a 24 de abril; Brasília, de 30 de abril a 4 de maio; e Belo Horizonte, de 24 a 27 de julho

Info: http://etudoverdade.com.br/br/home/