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Milton Hatoum participa do projeto ‘Memórias Capitais’

Em ‘ensaio sonoro e fotográfico’ para o Itaú Cultural, escritor amazonense desnuda lembranças e sentimentos sobre Manaus

Milton Hatoum #1

Escritor revisitou locais como Largo São Sebastião e o Porto de Manaus (Matthieu Rougé/Divulgação)

O romancista amazonense Milton Hatoum, autor de “Cinzas do Norte” e “Dois Irmãos” foi o escolhido para participar do projeto virtual “Memórias Capitais”, concebido pelo músico e historiador Cacá Machado para o Itaú Cultural. Com a proposta de ser um “ensaio sonoro e fotográfico”, a iniciativa retrata cada capital brasileira através das lembranças de pessoas nativas desses lugares com destaque nas áreas criativas, como a música, a literatura e o cinema.

Em áudios de cerca de 10 minutos, nos quais são captadas “texturas” sonoras de cada lugar, “Memórias Capitais” leva seus personagens a refletir sobre sua própria trajetória, buscando memórias que vão das mais infantis às mais amadurecidas. No caso de Hatoum, por exemplo, ele passa por locais como o Largo de São Sebastião e o Porto de Manaus, centrais tanto na sua história pessoal quanto nos seus romances.

“Saí de Manaus aos 15 anos e eu queria e não queria sair daqui. Queria, porque a província é sufocante, e não queria porque abandonaria o meu paraíso: minha infância é meu paraíso”, relata o escritor. Hatoum comenta que, até o início dos anos 1970, a capital amazonense convivia com a natureza.

“Com o descaso e a irresponsabilidade dos administradores, ela foi banida da cidade. Antes, você estava ao mesmo tempo na floresta e na cidade”, lamenta. Na visita ao Largo, pode-se inclusive ouvir o badalar dos sinos da Igreja São Sebastião, informando que o passeio se deu às 16h.

Visão crítica
“O modo de ser do amazonense é profundamente indígena, embora a classe média e a elite não queiram reconhecer as suas origens”, critica Hatoum, a certa altura da gravação. Ele também rechaça os clichês espalhados sobre a população local, às vezes taxada de preguiçosa ou indolente. “São estereótipos construídos ao longo dos séculos, pelos missionários, viajantes, exploradores [...] pessoas que associam a floresta à barbárie e nem têm ideia do que seja Manaus”.

Por fim, o escritor diz se sentir contente em saber que seus jovens leitores vêm ao Estado com a curiosidade de conhecer Manaus. “Minha literatura não tem nenhuma pretensão de ser importante, mas acho bacana quando o pouco que escrevi desperta o interesse pela minha cidade”, finaliza, depois de acrescentar que a culinária local ainda é motivo para muita saudade.