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Dia Mundial do Rock: conheça a história de William Lauschner, o ‘Alemão’ por trás do Porão

Neste mesmo dia, em 1998, Lauschner inaugurava aquele que hoje é o mais popular espaço do rock em Manaus

William transformou o bar que abriu com o pai, Luiz Lauschner, naquele que até hoje é o mais antigo reduto do rock em Manaus

William transformou o bar que abriu com o pai, Luiz Lauschner, naquele que até hoje é o mais antigo reduto do rock em Manaus (Márcio Silva)

O Porão do Alemão comemora hoje seu aniversário de 16 anos mantendo o posto de grande reduto do rock em Manaus. Mas o clube que hoje é sucesso entre os roqueiros na verdade surgiu com a proposta bem mais modesta de ser um bar ameno e de estilo germânico. Quem revela é o proprietário William Lauschner, 36 anos, cuja história se confunde com a da casa na Ponta Negra.

“Eram amigos do meu pai que frequentavam o lugar. Nessa época, como nós não tínhamos uma porta para fechar o lugar, eu dormia no bar. Meus amigos saíam para a noite e, por volta das 2h, 3h da manhã, não havia mais nada na cidade. Eles falavam, ‘O que vamos fazer? Vamos lá acordar o William!’. E vinham para cá”, recorda William.

Os amigos trouxeram com eles a trilha sonora roqueira, e logo William resolveu dar um novo rumo para o bar. E a casa, que ainda nem tinha nome, virou o Porão do Alemão: “Quando mudei a cara do bar para ser um bar de rock, ‘expulsei’ os amigos do meu pai e trouxe os meus”, ele brinca com o pai, Luiz Lauschner.

E engana-se quem acha que a inauguração do bar foi escolhida a dedo para coincidir com o Dia Mundial do Rock: na verdade, foi uma coincidência fortuita que William só descobriu mais tarde, certo dia, folheando um livro de curiosidades. “Lá dizia: ‘No dia 13 de julho, os roqueiros comemoram o Dia do Rock’. E pensei, ‘Essa data não me é estranha’”, ele conta. Não era mesmo: William ligou para o pai, que foi conferir no convite enviado à imprensa para a inauguração do bar. E qual era a data? Sim, 13 de julho.

Evoluindo na cena

A coincidência, afinal, parece ter servido de bom augúrio para o Porão do Alemão: a partir de 1998, a casa evoluiu em conjunto com a cena roqueira local. “Quando abriu o Porão havia umas cinco bandas de rock em Manaus, profissionais e regulares. Hoje trabalhamos com mais de 16 bandas, que se apresentam nos 16 dias que abrimos por mês, algumas tocando mais de uma vez por semana. Nesse lado, acho que ajudamos bastante o cenário do rock”.

No Porão, certos hits do rock nacional e internacional dos anos 1990 e 2000 se consolidaram no repertório, fazendo sucesso entre o público até hoje. Segundo William, os clientes ainda curtem muito sucessos de outrora, e as novidades têm de vir aos poucos. “Falo para as bandas: se você tem músicas novas, para não expulsar o público, mesclem a outras mais conhecidas. No fim das contas, todo mundo pede as mesmas músicas. Se a banda coloca algo diferente, as pessoas dizem, ‘Aquela banda não presta!’”, afirma ele. “As bandas que fazem sucesso hoje no Porão fazem cover. Ainda falta um reconhecimento do trabalho feito pelos grupos entre o público de Manaus”.

Crescimento

Se o repertório se mantém em parte o mesmo, na casa, quanta diferença: o pequeno espaço dos primeiros tempos se expandiu, ganhou climatização, espaço para fumantes e mais acessibilidade. E ainda mais mudanças vêm aí: o Porão hoje está em obras para ganhar uma fachada nova – e mais bonita e moderna –, um restaurante – que ficará no nível da rua e terá lojinha de souvenirs –, pista e área de fumantes ampliadas, e plena acessibilidade para pessoas com necessidades especiais.

A reforma, a ser concluída até o final de outubro, deverá preservar a essência da casa tão querida pelos roqueiros: “Queremos mudar bastante, sem mudar o espírito do bar em si. O Porão hoje tem como que vida própria”.

A frase de William faz mais sentido à luz das várias histórias ligadas à do Porão do Alemão, ao longo desses 16 anos. Por exemplo, a de como o proprietário conheceu Juliana, hoje esposa e que ajuda a gerenciar a casa: “Meu amor chegou com as amigas, e logo foi uma ‘mucura’ para cima dela. ‘Mucura’ era o nome que dávamos aos clientes homens. Ele passou mais de meia-hora em cima dela, depois desistiu e ela foi embora. Quando ela estava subindo as escadas, fui correndo atrás. Isso foi em 2000”, recorda ele, que hoje tem quatro filhos com a mulher.

No balanço dos 16 anos de Porão, William conclui destacando a “surpresa” que o lugar se revelou ser: “São 16 anos, não há outra casa de show em Manaus funcionando há tanto tempo. Nesse período, já teve dia mais forte na sexta, quarta, quinta, sábado. O espaço surpreendeu todo mundo, e é gratificante isso”.