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Musicoterapia: sons para curar os males da alma

Conheça mais sobre esse método terapêutico que estimula o cérebro, ajuda a resgatar memórias e traz qualidade de vida para seus praticantes

Endereço da UnATI (oficina de musicoterapia): UEA Cachoeirinha (Avenida Carvalho Leal, nº 1777, 3º andar, Bloco B)

Endereço da UnATI (oficina de musicoterapia): UEA Cachoeirinha (Avenida Carvalho Leal, nº 1777, 3º andar, Bloco B) (Lucas Silva)

É ouvindo a canção “As Rosas Não Falam”, de Cartola, que a dona Dionízia Ribeiro da Silva, de 76 anos, busca por meio de seus sentimentos e universo particular dialogar com a natureza. O amor por elas também ajuda, diz a simpática idosa. “Às vezes nos sentimos sozinhos e com isso passo a conversar com as plantas. Me lembro de uma história triste em que meu filho, sem saber, cortou minha palmeira que ficava no jardim da casa”, comenta Dionízia.

Tais momentos e lembranças são reavivados com os estímulos de um método terapêutico pouco conhecido por muitos de nós: a musicoterapia, que é a ciência que utiliza a música e suas demais partículas, como sons e ruídos. Nesta prática, tais elementos são utilizados para resgatar preciosas memórias, propondo assim uma espécie de restauro social, emocional e mental dos indivíduos. Silva alega que a experiência com o método é a melhor possível. “Sempre gostei muito de música e acredito que tanto a música quanto a terapia tem uma relação. A técnica reaviva coisas que já estão morrendo dentro da gente, como as memórias, e com essas atividades nós vamos exercitando-as”, pondera ela.

Segundo a psicóloga e cantora Ketlen Nascimento, que ministra a oficina de musicoterapia na Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), o profissional habilitado para prestar aulas de musicoterapia é o musicoterapeuta. Mas que, por conta do número reduzido destes profissionais, os psicólogos com conhecimentos técnicos no ramo da música também podem prestar a atividade.

“A musicoterapia, na verdade, é um trabalho que se pode fazer individual ou em grupo. O que eu trabalho com os idosos são as minhas dinâmicas de música, onde eles escolhem o repertório deles o que querem ouvir. No fechamento de cada encontro, que acontece duas vezes na semana, decidimos um tema, interagimos e debatemos a questão das escolhas individuais de cada um”, reflete Ketlen.

Prognóstico

As pessoas que procuram o método geralmente possuem um nível de ansiedade muito alto, segundo Ketlen. Ainda conforme a psicóloga, o trabalho com os idosos precisa ser feito com cuidado, por conta dos históricos, que podem envolver a ocorrência de derrames ou AVC. Músicas muito agitadas ou que revelem memórias muito ruins podem causar desconfortos físicos, levando o indivíduo até a passar mal.

“Essa preocupação é no sentido físico. Há uma parte no cérebro que, se acionada, acelera o batimento cardíaco, outra onde a pressão aumenta. Antes de iniciar a prática, fazemos uma pequena anamnese com eles. Às vezes pode ocorrer um desconforto ou desequilíbrio, se não houver o cuidado de observar”, pondera Nascimento, lembrando que a musicoterapia leva instrumentos como teclado, violão e trabalha também a psicomotricidade, que envolve toda a parte cognitiva do ser humano, a exemplo da memória e coordenação motora.

Processo

Nas aulas, o processo inicia por meio de um relaxamento antes das atividades, com músicas lentas e instrumentais, conforme a psicóloga. A cada semana, é escolhido o repertório de alguém diferente e este é trabalhado junto ao grupo. Em relação aos idosos, ela afirma que os gêneros predominantes são o bolero e os sambas de vanguarda. “Eles cantam, e após isso, abrimos para a discussão, de modo que a pessoa dona do repertório da semana explique o significado daquelas músicas em sua vida. Depois vem o quebra-gelo, para exercitar a memória e afunilar o relacionamento de ambos”, conta.

Em alguns momentos, o emocional da saudade da infância, juventude e de um ente que já se foi vem à tona. “Eles escolhem músicas que os faz lembrar de momentos importantes, como o nascimento dos filhos, o dia do casamento. Procuramos trabalhar o resgate da história deles desde o nascimento. Nascemos, crescemos e morremos, e a música faz muito parte disso”, pondera Ketlen.

Há um momento onde os idosos criam paródias de músicas que gostam, e são estimulados a tocar instrumentos mesmo sem saberem. “Fazemos um trabalho de elaboração de composição. Não construímos melodias, mas fazemos paródias. Uns falam de amor, outros de mágoa e cada um põe no papel o que sente no momento. Ninguém tem tratamento psicológico acompanhado, mas o relacionamento com os colegas de grupo sempre os ajuda a melhorar”, encerra Nascimento.