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Paixão à francesa: Isabelle Sabrié se apresenta em recital de música da França, pelo FAO

Há seis anos radicada em Manaus, a soprano parisiense revela paixão pelo Amazonas, pelo Brasil e pelo canto lírico

Desde 2008, Isabelle Sabrié vive em Manaus, onde também dá aulas de Canto

Desde 2008, Isabelle Sabrié vive em Manaus, onde também dá aulas de Canto (Divulgação)

O encanto pela diversidade da cultura e do povo brasileiros levaram Isabelle Sabrié a trocar Paris por Manaus, seis anos atrás. Soa como um reflexo de sua natureza apaixonada, portanto, a participação da soprano e compositora no recital “Música francesa”, que evoca o fascínio dos músicos franceses por outros países e paisagens. O espetáculo, que integra a série “Recitais Bradesco” do Festival Amazonas de Ópera (FAO), acontece amanhã, às 20h, no Teatro da Instalação, com entrada franca.

“É uma viagem pelas paixões exóticas dos compositores da França do século 20”, resume a soprano, que se apresenta ao lado do pianista André dos Santos. “A Grécia, o Mediterrâneo, os Orientes, são grandes poemas de amor que homenageiam esses lugares”.

Roteiro emotivo

No repertório selecionado por Isabelle, a viagem começa com Ravel, que exibe sua paixão pelo Mediterrâneo em suas “Melodias populares gregas”, e pelo Oriente em “Shéhérazade”. Em seguida, vem Henri Tomasi, que celebra a sonoridade da África em “L’Atlantide”, e se reaproxima da França em suas “Melodias populares córsegas”. “São músicas que vão direto ao coração”, comenta Isabella.

A própria França não fica de fora da viagem, com peças de Francis Poulenc e Guillaume Apollinaire que revisitam Paris. “Elas evocam coisas modernas, com um lado popular e outro aristocrático, algo bem parisiense”, explica.

O roteiro passa por Londres, com “Hyde Park”, de Poulenc e Apollinaire, e Nova York, com o “Intermezzo américain” de Erik Satie. “Para dar um tom mais jazz, mais alegre”, diz.

O repertório terá uma interpretação pessoal de Isabelle e de André. “Ouvi originais de música folclórica grega, não para cantar igual , mas para entender o que Ravel queria. E ouvi Piaf para rever essa coisa parisiense”, exemplifica. Mesmo na música erudita, ela afirma, “é preciso achar a musa que inspirou a paixão no compositor”.

Novo mundo

Assim como aos compositores franceses, foi uma “paixão exótica” e profunda que trouxe Isabelle para o Brasil, no final de 2007. “Queria conhecer este mundo. Amo a inteligência que surge da diversidade”, declara ela, que se encantou de cara com o novo lar. “Tudo era maravilhoso, todo dia descobria coisas. Em Paris se encontra o mundo todo, mas o que há aqui não se encontra lá: as culturas indígenas, as filosofias, os sons da floresta”.

Mesmo em Manaus, Isabelle nunca deixou de se dedicar ao Canto. De um lado, participando de concertos e espetáculos na cidade, e também em outras capitais, a mais recente delas Porto Alegre. Nesses concertos, ela faz questão de incluir obras de compositores brasileiros. “É importante: desenvolver e consolidar estas ligações musicais entre a França e o Brasil”, diz.

Em outra ponta, Isabelle dá aulas de Canto na Universidade Estadual do Amazonas, onde também desenvolve um projeto transdisciplinar de música espacial (veja o Box). Como professora, ela atua para difundir a arte lírica fazendo visitas a alunos da rede pública de ensino.

“Eles olham minha garganta e dizem, espantados, ‘Olha, sem microfone!’”, conta ela, comentando que alguns jovens depois vão às óperas e recitais. “Espero que isso faça surgir mais vocações para o canto e também mais público para a ópera em Manaus. Numa cidade com mais de 2 milhões de habitantes, isso é muito importante”, conclui.

Uma música que envolve

Inspirada pelos sons da floresta, Isabelle Sabrié começou a desenvolver um projeto experimental baseado na música espacial, que envolve o espectador em três dimensões, por assim dizer. Intitulada “Esculturas musicais e coreográficas da floresta”, a iniciativa busca pesquisar e produzir espetáculos em que a música se origina não somente num palco, mas também de outros locais ao redor de uma plateia.

Com a participação do maestro Adroaldo Cauduro, a ação resultou num primeiro concerto em 2011, “Amor e vida”, no Palácio da Justiça, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura. E, em 2012, veio “A fada e o girassol”, “ópera digital” em dois atos, baseada em poemas de Kalynka Cruz, encenada no Theatro da Paz, em Belém.

O projeto de Isabelle reflete a reverência de Isabelle pelo espaço natural e pelo meio ambiente na Amazônia. Para a artista, a natureza amazônica “escolheu” reunir em si diferentes universos sonoros: “A floresta tem tantos sons diferentes, só faltava o canto lírico. Às vezes, penso, foi a floresta que chamou para ter essa ópera aqui, no meio do coração dela”.

Serviço

O que é: Recital Bradesco II – Música Francesa – 18º FAO

Onde: Teatro da Instalação, rua Frei José dos Inocentes, Centro

Quando: Amanhã, dia 28, às 20h

Quanto: Entrada franca