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‘Praia do Futuro’ inspira discussão sobre homofobia nas redes sociais

Novo filme de Karim Aïnouz traz Wagner Moura em relação homossexual e vira motivo para ‘aviso’ em cinema

Wagner Moura disse não ligar para as críticas dos fãs de ‘Tropa de Elite’

Wagner Moura disse não ligar para as críticas dos fãs de ‘Tropa de Elite’ (Reprodução)

Um ingresso carimbado foi o suficiente para escancarar o que já se notava desde a estreia do novo filme de Karim Aïnouz, “Praia do Futuro”, na semana passada. O longa-metragem brasileiro, estrelado por Wagner Moura, Jesuíta Barbosa e o alemão Clemens Schick, tem levado alguns espectadores a abandonarem as salas de cinema logo nos primeiros minutos de exibição.

Os motivos podem ser de várias ordens, mas relatos que chegaram ao conhecimento da assessoria do filme atestam que a paixão sincera entre os personagens de Schick e Moura (arquétipo do macho alfa desde que viveu o Capitão Nascimento) incomodou muita gente.

Na última terça-feira, dia 21, um novo fato contribuiu para a polêmica. Um espectador de João Pessoa postou nas redes sociais uma foto do seu ingresso com o carimbo de “Avisado”, uma estratégia da rede de cinema para alertar os clientes em relação às cenas de sexo homossexual presentes no filme. “O funcionário da bilheteria perguntou ‘Senhor, tem certeza de que deseja ver esse filme?’ e eu disse ‘sem problemas’. Então recebi meu ingresso com esse carimbo”, contou o professor Iarlley Araújo.

A repercussão do assunto deu origem a memes na Internet e fez a produtora de “Praia do Futuro” lançar uma campanha contra a homofobia. “Eu fiquei um pouco triste, porque eu acho que [a polêmica] reduz um pouco filme, que traz tantas outras questões. Mas se tem uma reação contrária violenta de uma minoria, a gente tem que se colocar”, justificou Aïnouz, em entrevista ao UOL.

Preconceito

Para o crítico do blog Cine SET, Diego Bauer, a má recepção do filme entre o público pode ser considerada natural. “Infelizmente, o brasileiro ainda é conservador. A rejeição a ‘Praia do Futuro’ vem da enorme parcela da população que foi ao cinema por saber que era um filme protagonizado pelo Wagner Moura. Achavam que veriam um longa que apenas ressaltaria as suas certezas, que não traria nada de novo, e que seria comportado demais para não confrontar a sua moral cristã”.

Na opinião dele, a nova obra de Karim Aïnouz exige mais da plateia, que não pode deixar que o preconceito interfira na apreciação do filme. “Mas, no Brasil, isso parece ser algo de outro mundo”.

‘O cinema é livre’

Segundo o cineasta Sérgio Andrade, o “problema da caretice” não é só de Manaus. “Ainda me surpreendo que em 2014 uma pessoa entre no cinema sem ter um mínimo de informação sobre o filme. É muita alienação. O problema é o mau costume que filmes comerciais horríveis criam na cabeça das pessoas”, diz.

Para ele, o caminho para abordar a homoafetividade na Sétima Arte é encarando-a como um traço da condição humana, portanto, natural. “O Cinema dificilmente trata a homossexualidade com preconceito ou como doença. Ele é um veículo de expressão livre onde não pode haver censura ou limitações. Quem não aguenta ver o Wagner Moura fazendo sexo anal, que se informe antes de pagar ingresso. O Cinema não vai deixar de mostrar e provocar isso”, defende.