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Sentidos da cidade nos traços de Talles S. Mattos

Estudante de arquitetura amazonense retrata em croquis sua visão poética – e também crítica – da paisagem urbana em Manaus

Prédios, palafitas e símbolos de Manaus dividem a cena de desenho onírico de Talles

Prédios, palafitas e símbolos de Manaus dividem a cena no desenho onírico de Talles (Divulgação)

A página de arquitetura, arte e design “Arquitêta” foi quem primeiro divulgou o trabalho do amazonense Talles S. Mattos nas redes sociais. Natural de Pauini, no Sul do Estado, o jovem de 20 anos hoje interage com quase dois mil seguidores de todos os cantos do País em uma página própria, “Arquitetando Sonhos”, onde compartilha seus projetos e croquis, que quase sempre têm a cena urbana e ribeirinha como referência, além de um marcante traço artístico.

Talles veio para Manaus há três anos para estudar e “ser alguém na vida”. Desde sempre, o curso de Arquitetura era a sua primeira opção e, atualmente, ele frequenta as aulas do quinto período da Universidade Nilton Lins. Na mala, trouxe não apenas seus pincéis e nanquins, mas também um repertório de paisagens literalmente sonhadas. Isso porque muitos embriões de projetos e croquis costumam pintar na cabeça do estudante durante as horas de sono.

“Desde pequeno é assim, por isso fui criando interesse pelo desenho, apesar de nunca ter feito um curso específico. É tudo questão de prática e esforço, de treinar o traço. Vejo como um dom”, comenta o pauiniense, para quem a paixão pela Arquitetura só é precedida pelo encanto pelo Urbanismo. “A cidade é como se fosse um organismo vivo”, reflete o também artista, consciente do seu papel de intervenção como futuro profissional.

Arte no papel

Para Talles, o que define o arquiteto-artista é a disposição a um olhar mais subjetivo e sensível. “Na faculdade aprende-se a técnica, mas a arte vem com a pessoa desde a infância”, completa, concluindo que ele mesmo entrou na academia mais como um artista em busca de técnica. Por falar nisso, uma das que ele mais usa é a da perspectiva urbana, onde são traçados uma linha do horizonte e pontos de fuga que dão profundidade ao desenho, que transmite a sensação de 3D.

Um exemplo de que arte e arquitetura estão sempre se misturando nos trabalhos do amazonense são os seus chamados desenhos de observação, também feitos à mão livre, como todos os demais. “É como se fotografasse com a vista o que estou vendo e passasse isso para o papel. Geralmente, desenho coisas que chamam a minha atenção, como uma fachada no estilo eclético, bastante comuns no Centro Histórico, ou até mesmo paisagens como o Largo e arredores”.


Manaus dos sonhos

Ele conta que, no pouco tempo em que mora em Manaus, foi criando amor pela cidade. “Gosto de desenhar arquitetura vernacular, como as palafitas dos ribeirinhos, que usam os materiais encontrados no espaço natural. É um cenário que está sumindo da cidade com projetos como o Prosamim, enquanto deveriam reordenar e qualificar esses espaços, mantendo a identidade da cidade”, opina Talles, que prefere destacar referências amazônicas em seus desenhos, ao invés de prédios e fachadas modernistas.

Dentre as inspirações, ele destaca em especial o nome de Severiano Porto, que sempre prezou pelo conforto ambiental em seus projetos. “Por isso gosto de desenhar parques e ruas em que as pessoas transitem, e não os carros. A cidade deve priorizar as pessoas, e não o transporte individual”. E uma Manaus com traçado diferente já apareceu para Talles em um dos seus sonhos? Ele garante que sim: “É tudo reflexo do que vejo no meu dia a dia e da vontade que sinto de ver a cidade de outra forma”.