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Silvino Santos recebe homenagem em Portugal em março

Ciclo de atividades em Sertã, Portugal, relembra pioneiro do audiovisual na Amazônia, autor de ‘No Paiz das Amazonas’

Exposições, filmes e livros sobre Silvino marcam ciclo em Portugal

Exposições, filmes e livros sobre Silvino marcam ciclo em Portugal (Divulgação e Acervo pessoal de João Santos)

Cineasta pioneiro da Amazônia e do Brasil, Silvino Santos vem ganhando reconhecimento cada vez maior também em sua terra de origem, Portugal. Depois do evento “Um europeu na Amazônia”, realizado há dois anos na cidade de Guimarães, agora é a vez de “Silvino Santos – Um regresso”, ciclo de homenagem que terá lugar justamente na terra natal do luso-brasileiro, na freguesia de Cernache do Bonjardim, concelho de Sertã. A programação, que integra as celebrações pelos 500 anos do município, inicia nesta segunda e vai até 30 de março, com a participação de estudiosos e cineastas de Portugal e do Amazonas, onde Silvino viveu grande parte da vida.

O ciclo de homenagem a Silvino abre com uma exposição de fotografias no Clube Bonjardim, onde fica em cartaz até 6 de março. Nos dias 25 e 26, respectivamente, haverá exibições dos filmes “O cineasta da selva” (1997), de Aurélio Michiles, e “No paiz das Amazonas” (1921), de Silvino.

De 8 a 10 de março, o ciclo segue na Casa de Cultura de Sertã, com a exibição de “No paiz...” com trilha sonora feita ao vivo, e projeções do filme de Michiles e de trechos de “No rastro do El-Dorado” (1925), de Silvino. E, no Convento de Santo António da Sertã, haverá o lançamento do catálogo do ciclo, com fotos e textos sobre o cineasta e sua obra.


Das atividades em Sertã participam Michiles e o escritor Márcio Souza, ambos amazonenses, mais João Antunes, da Cinemateca Portuguesa, e João Paulo Macedo, da Think Forward, coprodutora do evento ao lado da Amazon Film.

Reconhecimento

Uma das figuras que ajudaram a difundir a história de Silvino, Michiles esteve na mostra em Guimarães, em 2012, e considera que já existe um movimento notável de resgate do pioneiro do cinema, em Portugal. “Encontrei muitos jovens estudantes escrevendo teses não só sobre o Silvino cineasta, como também sobre a família J.G. de Araújo. Foi incrível, as coisas estão se processando lá”, avalia ele, que se diz feliz com o novo tributo. “Os lusitanos pegaram o Silvino e estão assumindo ele como grande personalidade (...) Estou feliz que tenham conseguido, em detrimento da crise econômica que Portugal vive”, diz.

Chicão Fill, cineasta e produtor da Amazon Film, acredita que a difusão da imagem do cineasta é a grande contribuição de “Silvino Santos – Um regresso”. “Nossa preocupação é que ele seja reconhecido no Brasil e em Portugal, e mostrar aos jovens de hoje quem foi Silvino Santos”, declara. “Será um presente para Portugal e para o Brasil”.


Personalidade

Ainda muito jovem, Silvino Simões Santos Silva (1886-1970) veio para a Amazônia tentar a vida. Com o apoio de um rico seringalista, estudou cinema com os irmãos Lumière, em Paris. De volta à região, produziu vários registros em película da floresta e seus seringais, além da então capital federal, o Rio de Janeiro.

“Nossa memória de fauna, flora e arquitetura de antigamente, dessa Manaus que não existe mais, nós devemos a ele”, declara Michiles, que defende um maior reconhecimento do cineasta também na terra que ele adotou como sua: “Embora tenha escolhido viver como amazonense, ele ainda não foi reconhecido na dimensão e importância que merece. Manaus deve ainda reconhecê-lo como pioneiro e tê-lo como patrono, grande imagem do cinema amazonense, amazônida, brasileiro, latino-americano e luso-amazonense”.