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‘Sonhos e Pesadelos’: cinema pra curar a dor

Diretor de Manaus lança primeiro filme para superar a perda da esposa e de um paraíso juvenil: o igarapé do Mindu

Após levar a filha para uma oficina de roteiros, Moacy se encantou com a sétima arte e a desenvolve, hoje, como uma espécie de terapia

Após levar a filha para uma oficina de roteiros, Moacy se encantou com a sétima arte e a desenvolve, hoje, como uma espécie de terapia (Divulgação)

A arte como terapia não é novidade. As histórias da pintura, da música, da literatura e do cinema estão repletas de casos de artistas que, em momentos difíceis ou terríveis, buscaram na arte uma forma de expressar ou, quem sabe, até mesmo superar a dor da vida pessoal.

Quem envereda por esse caminho difícil agora é o técnico em telecomunicações aposentado Moacy Freitas, de 72 anos. Diretor do curta-metragem “Sonhos e Pesadelos”, que será lançado no próximo domingo (8) no Teatro da Instalação, no Centro de Manaus, Moacy buscou no cinema uma forma de lidar com duas grandes perdas: a da esposa, com quem foi casado por 49 anos, e a de um paraíso da juventude – no caso, o igarapé do Mindu.

“O cinema na verdade foi uma válvula de escape”, revela o diretor, que chegou aos filmes quase por acidente. “Eu fui levar minha filha para a oficina do (diretor e professor de cinema) Júnior Rodrigues, quando me encantei com a apresentação dele. A empolgação, o entusiasmo, aquele capacidade que o cinema tem de tornar ilusões e devaneios em realidade, tudo estava no modo como ele apresentou as coisas pra mim”, conta.

Atento ao potencial da Sétima Arte, Moacy se lançou no ofício. Fez filmes de um minuto e criou o roteiro de “Sonhos e Pesadelos”, que foi premiado num concurso local e, apesar das filmagens terem terminado há cerca de um mês, só foi finalizado nesta semana, com ajuda do produtor e cineasta Anderson Mendes.

“Mergulhei no cinema, fiz filmes pra me distrair mesmo”, confessa. A perda recente da esposa, com quem Moacy manteve um relacionamento de quatro décadas – “sem nunca termos tido um problema sequer”, recorda – foi o fator que detonou essa busca. “O cinema é uma forma de externar sentimentos, de expressá-los nessa linguagem simples, universal, que é a da imagem”, reflete o diretor.

A inspiração para o trabalho veio da sua própria vida. Apaixonado pela natureza e por invenções – ele mantém um site chamado Visual Amazônico, onde faz fotos de paisagens locais utilizando uma câmera instalada em um aeromodelo –, Moacy uniu as duas paixões na trama de “Sonhos e Pesadelos”.

Um cientista, interpretado por ele próprio, constroi um barco feito de garrafas pet para cruzar o igarapé do Mindu, no Novo Aleixo, Zona Leste de Manaus. A história acrescenta ainda outra dimensão ao trabalho de Moacy – a denúncia, expressa aqui na preocupação com o meio ambiente.

Lembrança e libelo

“Eu nadava nesse igarapé na juventude, uma paisagem linda, com a água pura, peixes, uma verdadeira maravilha, que hoje está assim. Eu precisei passar álcool pra limpar a água que respingou em mim, pra eu não pegar uma doença”, conta.

Embora insista que “Sonhos e Pesadelos” seja um filme principalmente lírico, nostálgico, Moacy também acredita que a trama tem muito de libelo, de denúncia. “Não chega a ser um ataque, porque eu não tenho muita esperança de que alguma coisa se resolva, mas fica o meu testemunho pessoal, de decepção, de amargura, com a injustiça que vem sendo feita com a natureza”.

Moacy pretende seguir fazendo filmes – “acredito que ainda há muito para expressar nesse meio” –, mas sua preocupação agora é divulgar o trabalho. “Espero que esse filme sensibilize, comova as pessoas, que as chame à necessidade de preservar a natureza, que hoje em dia anda mais urgente do que nunca”, afirma.

No Youtube, já é possível assistir ao trailer do curta-metragem e também ao making of.

Serviço

O quê: estreia do curta-metragem “Sonhos e Pesadelos”, de Moacy Freitas;

Quando: Próximo domingo, dia 8 de dezembro;

Onde: Cineteatro da Instalação, rua Frei José dos Inocentes, Centro de Manaus;

Horário: 19h.