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‘Tropeço’: história de amor entre velas, mãos e rugas

Grupo curitibano Tato Criação Cênica dá vida às mãos em espetáculo, por meio da improvisação e dramaturgia física; obra será encenada no Teatro Américo Alvarez, no Centro, entre 14 e 17 de maio

O espetáculo “Tropeço” tem patrocínio da Petrobrás através do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2013/2014. A circulação do espetáculo abrange cinco estados da Região Norte: Amapá, Amazonas, Pará, Roraima e Tocantins

O espetáculo “Tropeço” tem patrocínio da Petrobrás através do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2013/2014. A circulação do espetáculo abrange cinco estados da Região Norte: Amapá, Amazonas, Pará, Roraima e Tocantins (Divulgação/Fábio Oliveira)

Dois pares de mãos que viram cenas inteiras - sob luz de velas e a luz, acima de tudo, do amor – dão a tônica do espetáculo “Tropeço”, a aportar em Manaus no período de 14 a 17 de maio, sempre às 19h30, no Teatro Américo Alvarez (Rua Ramos Ferreira, 1.572, Centro). Na montagem, que pertence à companhia curitibana Tato Criação Cênica, tais partes do corpo ganham - ocasionadas por uma penumbra - textura de pele envelhecida e rugas, narrando o dia a dia dócil, poético e sutil de duas velhinhas que levam uma vida a “duas”. A peça possui entrada franca.

A trupe é composta por Dico Ferreira e Katiane Negrão, cujas mãos dão vida às duas personagens da peça e que assinam juntas a dramaturgia, concepção, atuação e direção do espetáculo, subsidiado pelo teatro de animação. Este se refere ao ato de dar vida a um objeto inanimado, cuja pesquisa resulta de um extenso trabalho de dramaturgia física e de improvisação de cenas. “Dentro dessa categoria existe o teatro de bonecos, objetos, entre outros. No nosso caso, como animamos uma parte do nosso corpo chama-se ‘teatro de animação corporal’, onde pegamos nossas mãos e damos a elas uma personalidade”, aponta Katiane Negrão.

“Tropeço” é o primeiro espetáculo da cia., e está circulando nacionalmente por conta do aniversário de 10 anos do grupo. O projeto é patrocinado pela Petrobras e Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet. A escolha do teatro de animação para embalar o cerne das criações do grupo partiu da necessidade de Dico e Katiane em criar uma peça juntos e mesclar as técnicas trabalhadas por eles (Negrão pertence ao universo do teatro e dança, enquanto Ferreira, ao mundo do teatro e da mímica).

Uma relação de amor

“Queríamos entrelaçar as artes com as quais lidávamos, brincar com o corpo, movimentos e bonecos. Colocamos um tecido nas mãos e achamos que elas se pareciam duas velhinhas com o pano por cima. A partir dessa escolha decidimos que seria um casal homossexual. Na época em que criamos o espetáculo eu estava recém-saída da faculdade e tanto eu quanto o Dico tínhamos muitos amigos homossexuais, inclusive amigas mais velhas casadas a muitos anos. E a influência da terceira idade surgiu porque a montagem nasceu em Ouro Preto (MG), onde morávamos naquele tempo, e tínhamos muitos vizinhos idosos, estávamos sempre próximos deles”, pondera Negrão.

Sonoplastia

As influências sonoras também são alvo do grupo no espetáculo, onde as vozes dos atores completam a dramaturgia física e originam ruídos, temas musicais, instrumentos e efeitos sonoros, além de uma linguagem potencialmente “indecifrável” no diálogo das velhinhas. “Trabalhamos o ‘Grammelot’, uma linguagem inventada. Com ela, as personagens não verbalizam o Português, mas o público entende uma ou outra palavra que elas soltam na nossa língua. Os ruídos em cena são compostos pelo abrir de um baú, o toc toc do andar, e o som da vitrola”, pondera Katiane. Entre os instrumentos musicais estão o violão e o banjo, além da atriz simular o som de um trompete com a voz.

O figurino do espetáculo passou por uma transição ao longo dos 10 anos: antes apenas um tecido simples encobria as mãos e “vestia” as idosas. Já o cenário reproduz o que seria a casa das personagens, composta por muitos baús de tamanhos variados, pelos móbiles que uma hora viram vitrola e em outra viram mesa; além dos castiçais de vela.

Mesa redonda

Em Manaus, o grupo promove ainda uma mesa redonda no dia 16 de maio (sexta-feira), após o espetáculo no Teatro Américo Alvarez. Serão discutidos temas como sexualidade e terceira idade, além do próprio processo de trabalho da Tato Criação Cênica. Além dos atores, participarão da mesa: Jorge Bandeira (professor especialista, diretor, autor e articulador do Espaço Cultural - Sebo O Alienígena) e Nicolas Palladino (estudante de Letras e co-fundador do Clube de Contos e ativista da diversidade sexual).