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No dia delas, conheça as mães que contribuem para a formação cultural dos filhos

Ao lado de filhos ou netos, mulheres amazonenses dão sentido à palavra compartilhar, dividindo experiências e ajudando a formar futuros artistas

Mãe cultural: Leyla Leong criou a filha e as netas cercadas de livros

Mãe cultural: Leyla Leong criou a filha e as netas cercadas de livros (Erica Melo)

A jornalista e escritora infantojuvenil Leyla Leong costuma dizer que acertou na loteria por ter nascido numa casa com biblioteca, onde se lia muito. E foi esse ambiente cultural que ela procurou conservar e tornar parte do dia a dia de mais duas gerações da sua família: tanto a filha de Leyla, a fotógrafa Anna Beatrice, 30, quanto as netas Maria Luiza, 15, e Clarice, 5, cresceram em meio a quadros de pintores amazonenses, livros e discos que vão da música clássica à popular. “É o legado que quero deixar para elas e quem mais estiver ao meu redor”, enfatiza.

Leyla compara a proximidade com a cultura e a arte no seio familiar à primeira vez que ela tomou Coca-Cola, em Bogotá. “Achei horrível, mas acabei me acostumando. Acho que também é assim com a música clássica e a literatura, por exemplo. No começo há uma estranheza, mas com o tempo se acostuma com as doses diárias de beleza. A arte sensibiliza”.

Poder compartilhar esses momentos, então, é a grande satisfação da escritora, que já está levando a segunda geração da família ao teatro. “Com a minha filha foi a mesma coisa. A neta mais velha me acompanha desde cedo e já assistimos juntas a quase todos os festivais de ópera. A menor também gosta muito de teatro”, conta.

A avó ajuda, inclusive, nas tarefas de casa das netas e, sempre que pode, dá seus palpites: no momento, Leyla e Maria Luiza estão lendo juntas “Otelo”, de Shakespeare. “Eles vão montar a peça na escola e eu fiz questão que ela conhecesse a obra. Acabei aproveitando para revisitar esse clássico”, acrescenta.

Fora de casa, a disposição é a mesma. “Moro num prédio pequeno, e para toda criança que encontro no elevador ou nos corredores eu prometo e dou um livro meu. A dedicatória é sempre igual: ‘para você começar a montar a sua biblioteca’”.

Mãe fashion

Colunista de A CRÍTICA, Iolanda Oliveira Braga escreve sobre o mundo fashion, mas confessa que não daria para ser personal stylist. Já a filha dela, Louise, 22, é ótima na hora de ajudar a mãe a escolher os looks do dia, mas não tem interesse nenhum em se especializar no assunto – o foco é a faculdade de Direito.

“Acho até que ela conhece meu guarda-roupa melhor que eu mesma. Ela tem uma memória muito visual e sempre tem uma boa dica para dar, até porque é muito antenada. Com certeza não foi comigo que a Louise aprendeu isso”, diverte-se Iolanda, que sempre vai às compras na companhia da filha.

O mundo dos estilistas, grifes e temporadas de moda é uma paixão relativamente recente na vida de Iolanda, que também é advogada, jornalista e mãe de outro filho. “Estou em um momento de transição profissional. Antes, eu estava parada, sem escrever. Foi então que fui convidada para fazer o projeto pedagógico do curso de Design de Moda da Nilton Lins. Comecei a me interessar por esse nicho e não consegui mais parar”, relembra.

Desde então ela já fez cursos da área na Universidade Anhembi Morumbi e na FAAP, em São Paulo. “Não me considero uma crítica de moda, mas uma informadora. Observo principalmente o chamado street style e, nas minhas viagens para o exterior, percebi que os europeus levam bem a sério as estações”.

Desde que assumiu o posto de colunista, há três anos, é que ela vem colocando em prática toda essa experiência acumulada. “Às vezes choro para a Louise me ajudar na coluna, mas como ela é muito atarefada acaba não acontecendo. Já se eu pedir para ela dar um palpite em relação a um look ou acessório, aí ela tem o maior prazer de fazer isso”.

Companheirismo

A cantora Márcia Siqueira tem com as cinco filhas um forte elo de companheirismo. “Desde pequenas elas me acompanham em quase tudo. Vida de artista não é fácil, cansamos de passar datas como Réveillon e Natal na estrada, com o carro quebrado”, conta, lembrando da época em que ela e o marido tinham uma banda e viajavam pelo Norte e Nordeste se apresentando. “Eu cantei até o último mês de todas as minhas gestações. Eu não conseguia ficar parada. E com 15 dias de resguardo já estava de volta ao palco”. Algumas chegaram a fazer balé e teatro, mas Márcia nunca impôs a carreira artística a nenhuma das filhas. “A mais nova, de 15 anos, toca de tudo um pouco e gosta de Billie Holiday; já a mais velha tem talento para a escrita. Cada uma está procurando o seu caminho”.

Nos bastidores

Eliana Printes é mãe da designer Luanda, 27, e lembra de quando a família vivia na ponte aérea Manaus-Rio de Janeiro. “Ela não tinha escola fixa, mas sempre tive a preocupação de estar perto. Fui crescendo e aprendendo com ela, faz parte da luta diária de uma mãe cuidar dos filhos e tentar fazer o melhor por eles”, diz a cantora. Quando pequena, Luanda sempre estava junto da mãe nos bastidores dos shows, ora ajudando na produção, ora na bilheteria. Hoje, as duas gostam praticamente das mesmas coisas – de filmes a estilos musicais – e já foram juntas para o Rock in Rio. “Vejo que eu, ela e minha mãe somos muito ligadas pelo trabalho, pelo sonho e magia de viver”.