Da cor do mar

Na Casa Cor ou nas lojas, os tons que remetem ao mar estão em alta

Parede e sofá  que lembram o Mediterrâneo no home office  de Tiana Meggiolaro e Bia Lynch para a Casa Cor. O espaço ganhou um toque mais feminino

Parede e sofá que lembram o Mediterrâneo no home office de Tiana Meggiolaro e Bia Lynch para a Casa Cor. O espaço ganhou um toque mais feminino (Foto: Divulgação)

Inspirado abertamente nos oceanos, o chamado “aqua” tem levado o balanço das ondas para dentro de casa. Quem visitou a última Feira de Milão, que reúne trabalhos de profissionais do mundo todo, percebeu a tendência em diversos móveis em exposição.

Por aqui,  também vem ganhando destaque. Na Casa Cor Rio de Janeiro, a maior mostra de decoração da cidade, aberta para o público na última sexta-feira, num palacete em Laranjeiras, é ele que mais “acende” alguns ambientes. 

Num tom que remete ao Mar Mediterrâneo, puxando para o verde, o home office de 21 metros quadrados criado pela dupla Tiana Meggiolaro e Bia Lynch é um exemplo. As arquitetas partiram de um sofá de linho no tom, da Novo Ambiente, para compor o restante do espaço.

Um pufe em frente a ele, estofado com um tecido da grife Missoni, à venda na loja Paramento, traz as estampas florais com nuances verdes azuladas.

Atração principal
Se a ideia inicial era apenas pontuar o ambiente com o “aqua”, ele acabou virando atração principal quando elas optaram por cobrir uma parede inteira com a cor. “Acabou dando um toque feminino, que era o que a gente buscava”, diz Bia. “É uma cor que ajuda a criar uma identidade para o ambiente, então, no restante, optamos por tons mais neutros, como a madeira”, complementa Tiana.

Sempre ousado, o arquiteto Jairo de Sender arriscou na mistura do “aqua” (nas cadeiras Lider revestidas de veludo Regatta) com outros tons vibrantes. Na sala de jantar, a mesa grande é violeta e um banco com o encosto bem alto é amarelo-ouro. “Esse tom traz muita luz para o espaço”, diz ele.

 Viciante
O azulão do espaço chamado “Suíte da Moça”, assinado por Roseli Muller na Casa Cor Rio de Janeiro, salta aos olhos. No casarão dividido em 61 ambientes, a arquiteta manteve piso, teto e janelões originais do século 19 e “carregou”, com o maior bom gosto, no azul.

A generosa cabeceira da cama, que serve para separar o ambiente de dormir do de trabalhar, foi toda forrada de veludo italiano azul. No chão, um tapete de patchwork oriental revela outros tons do mar.

Roseli diz que o “aqua” é “uma cachaça”. “Sou viciada muito antes de virar moda”, conta. “Tem tudo a ver com o Rio, porque, com essa costa toda, o mar faz parte da nossa vida. Tive duas filhas, mas nada de rosinha. Só usei azul da cor do mar no quarto delas”.

Outra prova de que ela adora o “aqua” está na cozinha que projetou.  O azul aparece  brilhante nas portas dos armários que embutem os fornos. Como coadjuvantes, entram o branco e a madeira, complementando o ambiente. “É como você usar calça jeans com camiseta branca. Não tem erro, fica sempre elegante”, diz Roseli.

Não falta elegância também numa linha de papéis de parede. A marca holandesa  Eijffinger mergulhou nos diversos tons do mar com a coleção Bazzar. A viagem pelos oceanos resultou em azuis e verdes vibrantes, sem perder a ternura jamais. A aposta num desses para cobrir uma paredona pode funcionar como o principal item da decoração.

Tranquilidade
Aliado à beleza, o arquiteto Júnior Grego lembra-se ainda de que, na cromoterapia, a cor é associada à calma. Hoje, os tons de  azul regem cerca de 30% de seus projetos.

 Um dos seus preferidos é o turquesa. Numa sala, que assina com Ronald Goulart, ele escolheu um sofá de tom claro, de shantung com linho, para combinar com o tapete, de listras de um azul mais profundo, ambos da marca Lider. “Não é aquela cor que some, né? Tem que saber combinar. Azul e vermelho, por exemplo, não se casam, não tem jeito”, adverte Júnior.

Uma das paredes da sala foi revestida com azulejos pintados à mão. No meio do espaço, um nicho com luz azul ilumina um vaso. “Vira o aquário da casa, uma atração que emana toda a paz e a tranquilidade do mar”, defende o profissional.

Sim & Não na web de 18/05

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