Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Contraste entre desenhos atuais e antigos e a nostalgia em crianças acostumadas com tecnologias

Especialista conta o que os novos desenhos têm de diferente dos desenhos de antigamente, em um mundo permeado por tecnologia, é possível ver o reflexo nesses desenhos

Especialistas revelam a influencia dos desenhos para as crianças

Especialistas revelam a influencia dos desenhos para as crianças (Erica Melo)

Enquanto penteava o cabelo de suas bonecas e cantarolava a canção “Let It Go”, do filme da Disney “Frozen”, a esperta Isabelle Maciel, 3, foi questionada sobre quais são os seus desenhos animados favoritos. Sem titubear, a garotinha respondeu: “Discovery Kids”. Do canal infantil, dois, em questão, a fascinam em particular. “Peppa Pig e My Little Poney”, ela logo completa.

O contraste dos dois desenhos, que remetem à nostalgia das animações de outrora (pelos traçados simples e  fortes referências aos valores familiares), ela carregava, ao lado das bonecas Barbie, as famosas bonecas da franquia Monster High - que possuem intensa influência de adjetivos relacionados à moda e tecnologia.

Isabelle, assim como Ana Clara Aguiar, 5, e Igor Garcia, 13 – nascidos nos anos 2000 - toparam voltar no tempo e foram convidados a assistir clássicos de uma geração das crianças dos anos 90 (“O pequeno urso”, “As aventuras de Babar” e “O fantástico mundo de Bobby”) e a observarem as peculiaridades das animações televisivas de seu tempo em relação aos antigos desenhos.

Entre variadas expressões de surpresa, muitos questionamentos - como os de Isabelle sobre o nome do elefante Babar: “Ele tem esse nome porque era babá?”, indagou a menina, logo após concluir: “A diferença é que eles não são monstros”, disse ela. Em um tímido riso e outro, a leve inquietação – talvez por nunca ter visto o desenho na vida - mas certamente um sentimento de descoberta por estar diante da cultura de outra época.

Assim como a amiguinha Isabelle, a tímida Ana Clara Aguiar, 5, é fã de Peppa Pig, mas acrescentou “Os Backyardigans” na lista de favoritos. A tranquilidade da pequena, porém, não anula o seu vasto conhecimento no assunto. “Peppa faz parte de uma família de porquinhos. Entre os amigos da Peppa há um coelho, uma ovelha, um cachorro e um pônei”, coloca Aguiar.

As gargalhadas de Clarinha vieram logo nas primeiras cenas de “O fantástico mundo de Bobby”, quando o personagem mirim destrincha vários “porquês” a Howie. “Ele (Derek) é irmão dele (Bobby)? Ela (Kelly) também? A mãe dele (Martha) tá grávida?” Ao término do desenho, ela arremata: “Gostei. No início achei que fosse ser chato, porque eu só vejo Discovery Kids”.

O estudante Igor Garcia, 13, deixou os desenhos um pouco mais de lado aos 11 anos. Fã de filmes como “Olhos Famintos” e “Os Mercenários”, após assistir tanto “O fantástico mundo de Bobby” e “O pequeno urso”, o comparativo entre os dois veio em resposta imediata.

“Primeiramente achei diferente os gráficos, que não são de tão boa qualidade como os desenhos de hoje, que apresentam imagens em HD”, pondera ele, acrescentando mais: “Os desenhos de hoje tocam mais em assuntos de festa, cinema e lutas. Não se vê mais desenhos em situações familiares”, observou Igor.

Visões de outrora

Oriunda de um período rodeado por desenhos como “Super amigos”, “A caverna do dragão” e “Popeye”, a dona de casa Dalcinete Aguiar, mãe de Ana Clara, fez uma constatação particular: que a maioria dos amigos do filho mais velho, Matheus Aguiar (12) não assistem mais desenhos, e estão relativamente conectados às redes sociais. “Os desenhos de hoje não são tão voltados para a união familiar.

Os desenhos antigos sempre buscavam ensinar alguma coisa. Percebo que parte do foco de hoje neste mercado são as lutas e a vaidade”, referindo-se à reprovação das bonecas Monster High, cuja aparência – acredita ela – remete à ideia de trevas e assombro.

A técnica em odontologia Fernanda dos Santos afirma que tanto a caçula Isabelle quanto o primogênito Igor sabem quais são os desenhos que ela assistia quando era criança.

“Se algum deles vê “A caverna do dragão” passando no Gloob (canal fechado) correm pra me chamar e me avisar, com dizeres de ‘mãe, está passando o desenho da sua época", destaca a mãe de Igor e Isabelle.

Para ela, os desenhos das duas épocas são bons. “Há alguns desenhos hoje que educam e exploram novas formas de educação. Há outros que ensinam inglês, que ensinar a contar, além de trabalhar o raciocínio lógico”, conclui Fernanda.

Opinião da especialista

Segundo a psicóloga Pollyanna Mamede, especializada no atendimento de adolescentes e adultos hoje, em um mundo permeado por tecnologia, é possível ver o reflexo nesses desenhos, onde os vilões possuem mais camadas (onde não são tão ruins) e onde as princesas não esperam tanto pelo príncipe e estão mais ativas em encontrar seu próprio destino.

“Isso traz, ainda que de forma infantil, um mundo um pouco mais real para a vida das crianças, o que pode ser bom, pois as prepara para encarar mudanças que estão acontecendo com mais velocidade que antigamente. Mas quem não lembra, no passado, das lições do Corpo ao final de cada episódio de He-man, ou mesmo o fato de sabermos tão claramente quem eram os vilões e os heróis?”, conclui ela.