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Alex Moratto se prepara para filmar seu primeiro longa 'Encontro das Águas', em Manaus

O cineasta brasileiro-americano, Alex Moratto de 25 anos, está de volta ao Amazonas trazendo o projeto de um longa-metragem

Alex Moratto se prepara para filmar seu primeiro longa em Manaus

Americano-brasileiro prepara estreia de filme 'Encontro das águas' em Manaus (Bruno Kelly )

Da experiência de ter vivido por quase um mês na zona rural de Boa Vista do Ramos (a 271 quilômetros de Manaus), em 2009, o brasileiro-americano Alex Moratto guarda lembranças mais vívidas de um dia em especial. Foi quando, atravessando a mata, ele e o pai da família que o recebia no local se depararam com uma rara árvore de pau-rosa. O homem, ele recorda, ficou muito emocionado: “Era a primeira vez que via uma daquelas em muitos anos”.

Moratto, à época um jovem estudante de Cinema em férias, viu no episódio a ideia para um possível filme. Cinco anos mais tarde, com um diploma da Escola de Cinema da Universidade da Carolina do Norte (UNC), nos Estados Unidos, e outros adendos no currículo, o cineasta de 25 anos está de volta ao Amazonas trazendo o projeto de um longa-metragem. “Encontro das águas”, desenvolvimento da ideia de anos atrás, já está em fase de pesquisa de locações e de testes de elenco, e deverá ser filmado em junho e julho, em Manaus e áreas adjacentes, com atores e equipe técnica majoritariamente local.

Juntos e separados

O roteiro escrito por Moratto para seu longa de estreia gira em torno de dois jovens irmãos. Kaio, o mais novo, vive com os pais no interior; e César, mais velho, deixou a família para morar na metrópole. Quando uma madeireira ameaça derrubar a casa da família no interior, os dois se unem para conseguir dinheiro e impedir o despejo. O plano dos irmãos? Cortar uma árvore de pau-rosa e vender sua valiosa madeira em Manaus. Além da jornada até a capital, porém, os dois precisam enfrentar os conflitos entre si.

“O irmão mais velho pensa em ficar com o dinheiro para ele, e o outro só quer salvar a família. São irmãos, mas não concordam um com o outro, da mesma forma como o Encontro das Águas, onde as águas dos rios andam juntas, mas não se misturam”, explica Moratto. A metáfora da união dos rios Negro e Solimões, na visão do cineasta, vai ainda além: “Ela define também a relação da área urbana com a zona rural, da cidade com o interior”.

Da ideia ao projetoDesde o insight de Moratto no meio da floresta até o projeto em pré-produção, “Encontro das águas” passou por um longo processo de desenvolvimento. Logo após voltar aos Estados Unidos, ele preparou esboços iniciais do roteiro. Após se formar, em 2010, tendo seu curta de fim de curso premiado (veja a Busca), teve a oportunidade de fazer laboratórios importantes, entre eles o Film Independent, em Los Angeles, e o Rogue Film School Seminar, em Nova York – este último ministrado por Werner Herzog, diretor do lendário “Fitzcarraldo” (1982), rodado na Amazônia.

“Foi ele quem sugeriu de filmar em Manaus e nos arredores, não só pela cultura que há na cidade, mas pelo apoio e infraestrutura que há aqui”, conta Moratto. “Gostei da ideia, porque gosto de andar a pé, ver o que acontece, conhecer as pessoas. Vai ser bom para os testes de elenco”.

Além dos cursos, ele fez pesquisas temas como desmatamento, pau-rosa e realidade amazônica. Também estudou a filmografia, em longas como “Iracema, uma Transa Amazônica” (1976) e, “Bye bye Brasil” (1979). Tudo isso resume o desejo de Moratto de fazer de seu “Encontro das Águas” algo mais do que um filme estrangeiro rodado na Amazônia.

“Muitos produções de fora contam histórias que não têm nada a ver com a região. Eu quis escrever um filme honesto e calcado na realidade”.

Produção em fase inicial

Em Manaus desde o último dia 9, Alex Moratto vem atuando na pesquisa de locações para seu “Encontro das Águas”, e também deve participar dos testes para o elenco, já agendados para o mês que vem (veja o Saiba Mais). Na produção inicial, ele conta com a ajuda da produtora e cineasta, Eliana Andrade – com quem ele trabalhou na coedição do curta dela, “O entregador de sonhos”.

Eliana revela que, de início, achou Moratto “muito jovem” e o projeto “sonhador”. “Mas, aos poucos, vi que ele era maduro e conhecia a realidade local. Só precisava Manaus e ter contato com órgãos para apoiar a produção”, ela diz.

Graças a ela, Moratto conheceu pessoas ligadas à produção audiovisual e estabeleceu apoios e parcerias. Entre eles, com a Casa do Cinema da Secretaria de Estado de Cultura, a produtora Amazon Film e o projeto Jovem Cidadão – com quem o cineasta vai trabalhar numa ação de formação, levando alunos para o set de filmagens.

Além de Moratto, “Encontro das Águas” terá na equipe ainda a produtora Summer Shelton e o cineasta e editor, Ramin Bahrani. O longa terá parte do financiamento privado, mas ainda busca patrocínio via leis de incentivo fiscal e outros. “Precisamos ainda de apoio, pois se trata de um filme de baixo orçamento, sem atores famosos”.