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Artista lusitana Cuca Roseta realiza show nesta sexta-feira (20), em Manaus

Em entrevista por email para A CRÍTICA, Cuca fala de sua relação com o fado, de sua trajetória, de seus trabalhos e da paixão pela música do Brasil

Cuca é apontada como “a nova voz do fado”

Cuca é apontada como “a nova voz do fado” (Divulgação)

Ópera, música clássica e até musicais da Broadway. A trilha sonora da juventude de Cuca Roseta não tinha muito a ver com a música popular de Portugal, mas a jovem cantora lusitana foi como que atraída pelo destino para a mais popular expressão da alma portuguesa: o fado. Apenas três anos após seu disco de estreia, ela já é apontada como “a nova voz do fado”, e hoje se dedica de corpo e alma a esse gênero musical invulgar.

“Desde cedo acho que essa paixão pela tradição me chamava. Quando componho fados, às vezes não entendo como sai de mim essa música tão tradicional, que não tem nada a ver com o meio em que cresci. Essa é a minha grande paixão, e a música que me corre nas veias”, declara a artista, que se diz uma “romântica nata”.

Em entrevista por email para A CRÍTICA, Cuca fala de sua relação com o fado, de sua trajetória, do trabalho com o argentino Gustavo Santaollala, ganhador de dois Oscars, e da paixão pela música do Brasil. “A boa música está no sangue do brasileiro”, elogia.

Nesta sexta-feira (20) à noite, a artista lusitana se apresenta no Teatro Amazonas, como parte da turnê que faz pelo Brasil com o mais recente disco, “Raiz”. O que esperar do show? Algo de fascinante: “O que esperamos não sei ao certo... Mas sem dúvida esperamos magia”.

Confira a entrevista abaixo, e não perca o show!

Fado é sinônimo de destino, algo que tem muito a ver com esse gênero musical. Como você vê essa tradição musical lusitana, e o que ela exige de você como intérprete e como compositora?

O Fado exige muito mais do que qualquer outro gênero musical. Você realmente não está mostrando a voz ou a figura, você está declamando poesia e contando a história da sua vida em palavras bonitas e sentimentos, em que a voz é escrava de cada palavra. Esse gênero musical é um desafio gigante: não é só cantar, é entregar a alma, a voz, o corpo, a vida... Essa tradição se mantém pelo respeito e pela intensidade que o Fado traz da sua história, mas agora na voz de vozes modernas da nova geração, com histórias profundas, mas atuais para contar. Esse é o meu destino, essa é a minha vida. Eu nasci com esta personalidade para cantar esta música, hoje sei isso com toda a certeza.

Você é apontada como “a nova voz do fado”. Como você recebe esses elogios? Como considera estar contribuindo para o gênero?

Eu sou apontada como a nova voz do Fado porque as pessoas consideram que trago algo de novo ao gênero, respeitando a tradição. Meu Fado é mais romântico, mais fresco, com a mesma intensidade e tensão, a mesma melancolia, mas vista de uma forma positiva e viva. Citando o ‘Samba da bênção’ de Vinicius, “para fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”. O meu fado tem esse lado positivo de ver a tristeza. Ela faz parte da vida, e que seja celebrada pela música e pela arte. Se existe dor, se ela faz parte da vida, que ela se transforme em beleza.

Como foi sua formação como cantora?

Cresci numa família rodeada de música, sempre cantei em vários coros, tive aulas de canto por um ano. A música sempre esteve lado a lado comigo, sempre toquei viola e piano, autodidata, a par da formação de Psicologia que tirei, outra paixão que tinha, e para além do taekwondo, que pratico também há dez anos.

Quais são suas referências na música, seja no universo do fado, seja de outros gêneros?

Nat King Cole é o mais especial do mundo para mim. Frank Sinatra, Louis Amostrong, Edith Piaf, Chavela Vargas, Elis Regina.

Você conheceu Gustavo Santaolalla, produtor e músico argentino ganhador de dois Oscars, meio que por acaso. Como esse encontro afetou sua trajetória musical?

Afetou totalmente! Eu estava me formando em Psicologia e cantava o fado como hobbie, um hobbie que me tirava do mundo e me fazia voar, viajar. O fado era como um templo para mim, o meu momento íntimo do dia, em que parava e refletia sobre a vida e a minha experiência. Não pensava em partilhar esses momentos com o mundo, porque o fazia nesse clube todas as noites, onde surgiu Gustavo Santaolalla e me pediu para produzir meu disco. Essa proposta foi irrecusável, e a partir daí, quanto mais crescia na música, mais entendia que ali, sim, eu era completa, cantando o fado e partilhando essa paixão com o mundo.

Como foi a parceria com Santaolalla, parceria esta que resultou em seu disco de estreia, “Cuca Roseta”?

Foi incrível. Gustavo tem uma paixão pela música e uma experiência que me fez crescer muito. Foi tudo fácil, tudo fluiu com muito boa energia. O que tem de ser tem muita força. E essa força se viu em tudo, tudo fluiu como tinha de ser, sem ninguém o evitar... Foi uma experiência linda que me demonstrou como o Universo tem força.

Você está iniciando sua primeira turnê pelo Brasil. Como será o show que irá apresentar por aqui?

Um show de fado é sempre um momento de prece, uma partilha íntima de emoções em que quer queiramos, quer não, vivemos um grande momento de nostalgia. Ela nos faz parar e pensar na vida, nos faz valorizar, às vezes rir, às vezes chorar. Essa é a magia da arte, e o fado é uma música cheia de intensidade que, onde se ouve, deixa sua marca. Então, o que esperamos não sei ao certo... Mas sem dúvida esperamos magia. :)

Como é sua relação com a música brasileira? Qual sua expectativa com a vinda ao País?

Eu tenho uma paixão gigante pelo Brasil, pela vossa cultura e pela música brasileira, essa é sem dúvida uma das melhores músicas do mundo! Que conquista o mundo todos os dias. Desde pequena que ouço todo gênero possivel de música brasileira, para não falar das danças que aprendi também, dessa energia única de vocês. A expectativa é ótima! Adoro os brasileiros e a forma como recebem a música, como entendem qualquer música de coração sempre aberto. A boa música está no sangue do brasileiro.