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Artista nascido em Manaus se destaca com arte insólita produzida em estados brasileiros

Rodrigo Braga retrata bichos e gente que se fundem entre si e com a terra, compondo paisagens e figuras insólitas que ele constrói para fazer registros que atualmente são prestigiados pelo Brasil afora

Artista inaugura mostra individual em São Paulo, no dia 3

Artista inaugura mostra individual em São Paulo, no dia 3 (Divulgação )

Animais, homens e paisagens naturais são os principais temas de Rodrigo Braga, mas as imagens que aparecem nas fotografias e vídeos do artista são de uma natureza incomum, em vários sentidos. Eles retratam bichos e gente que se fundem entre si e com a terra, compondo paisagens e figuras insólitas que ele concebe e constrói minuciosamente para fazer registros que vão além do mero clique.

“Minha imagem é construída, trabalhada com a minha mão, para depois ser trabalhada como uma fotografia ou vídeo”, explica o artista, revelando que leva ao menos uma semana para obter cada registro. “Procuro me imbuir dos elementos e da cultura local, ouvir histórias, e a partir daí vou fazendo croquis e planos”.

Na Amazônia

Braga nasceu em Manaus, mas toda a sua formação artística se deu no Recife, para onde se mudou com os pais aos 2 anos de idade. Cada vez mais em evidência no cenário brasileiro de Artes Visuais, seu trabalho atualmente pode ser visto em duas mostras coletivas, uma em Vila Velha (ES) e outra em São Paulo. E, no próximo dia 3 de setembro, o artista inaugura também “Agricultura da imagem”, sua maior exposição individual até hoje, no Sesc Belenzinho, na capital paulista.

Com curadoria de Daniel Rangel, “Agricultura da imagem” vai reunir 30 fotografias de Braga, além de três vídeos e instalações – estas na forma de gabinetes com objetos e referências coletados em seu trabalho em campo. Além de obras feitas em Pernambuco e no Rio de Janeiro, o acervo inclui trabalhos na Amazônia, que o fotógrafo redescobriu em 2010 (leia mais no box) e onde vem atuando com frequência desde então.

“Realizei muitos trabalhos no rio Negro e no Arquipélago de Anavilhanas. Sobretudo em Anavilhanas, onde tive um diálogo muito bom”, comenta ele.

Estranho e polêmico


“Agricultura da imagem” dá uma mostra do caráter insólito da obra de Rodrigo Braga. Em algumas fotografias, peixes parecem se metamorfosear em folhas, e vice-versa. Em outra, peixes pendurados numa árvore atraem um bando de urubus. Animais mortos, vale dizer, são material recorrente nos trabalhos do artista, o que ele atribui à influência dos pais biólogos.

“Enquanto eu me formava artista, tinha essa informação também das Ciências, da Biologia”, ele comenta. “Tenho intimidade com a matéria orgânica, e ela me leva a trabalhar de forma sem barreiras. Isso acaba causando estranhamento nas pessoas”.

Esse “estranhamento” às vezes chega à polêmica. Num de seus trabalhos mais ousados, Braga produziu uma série de fotos em que ele parece ter focinho e orelhas de um cachorro costurados sobre seu rosto. Mesmo realizado com autorização de órgãos veterinários, o trabalho atraiu a ira de muita gente.

“Embora não tenha intenção de causar polêmica, não tenho ingenuidade. Percebo que um trabalho pode causar isso, mas não me privo de fazer por isso. Acho que está tudo dentro da liberdade artística, de se respeitar uma intenção artística”, opina ele.

Motivações psicológicas e pessoais à parte, Braga considera que seu trabalho é produto e espelho da sociedade. “É uma coisa que o crítico Paulo Herkenhoff já disse: meu trabalho trata da natureza para falar do homem. Por mais que faça minha arte de maneira subjetiva, ela é sempre um rebatimento do que é a sociedade. Quando utilizo carcaças, elas já estão dentro do sistema (...) São refugos da utilização da natureza”.

Braga participou de uma exposição em Manaus no ano passado, e conta que gostaria de trazer seus trabalhos à cidade. “Queria poder, mas não é tão viável, às vezes pelos custos, às vezes por questões institucionais mesmo”, afirma ele, apesar disso destacando a importância da região na sua “geografia artística”: “A Amazônia é um campo de interesse fortíssimo para mim, e vou voltar mais vezes. É uma intenção minha”.