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Asma mal controlada pode levar a pessoa à morte por insuficiência respiratória, alerta especialista

Doença afeta até 10% da população brasileira e o tratamento continuado ainda é uma preocupação dos especialistas. Muita gente julga a doença respiratória simples

Afonso Luiz, estudante, tinha crises constantes de asma, o que mudou com a participação dele em programa de acompanhamento de doentes asmáticos no ambulatório Araújo Lima da Ufam

Afonso Luiz, estudante, tinha crises constantes de asma, o que mudou com a participação dele em programa de acompanhamento de doentes asmáticos no ambulatório Araújo Lima da Ufam (LUCAS SILVA)

Quando está com crise de asma Afonso Luiz Almeida Duarte, 10, não consegue nem ficar na escola, pois a falta de ar é um incômodo capaz de perturbar a sua concentração. Ele costuma andar sempre com a chamada bombinha, o dispositivo para uso medicamentoso capaz de livrá-lo de uma crise, informa a mãe dele, a enfermeira Kátia Almeida, 42.

Na verdade, o garoto está sem crise há vários meses por fazer parte do Programa de Acompanhamento e Controle da Asma (Paca) desenvolvido no ambulatório Araújo Lima, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O programa, que acompanha aproximdamente 1,6 mil pacientes asmáticos, é único no Estado com essa função e precisa ser ampliado para as demais unidades de saúde, explicou ontem a coordenadora Socorro Cardoso, no Dia Mundial da Asma.

Ao afirmar que para o efetivo controle da doença é necessário o uso contínuo de alguns medicamentos porque eles diminuem a inflamação e previnem as crises, Socorro destaca que, além disso, os medicamentos são profiláticos, atuando na reconstituição do tecido dos brônquios, que sofre alterações com as recorrentes crises de asma do paciente.

Para ela, a doença não tem a evidência que necessita para receber mais investimentos da rede pública, apesar de atingir de 8% a 10% da população mundial. No Brasil, o Estudo Internacional de Asma e Alergias em Crianças (Isaac, na sigla em inglês) estima que um em cada cinco brasileiros tenha a doença em algum estágio. De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), só no Brasil 350 mil pessoas são internadas com a doença por ano. “É muita gente, mas a asma ainda é vista como uma doença respiratória simples, comum, embora possa levar a pessoa à morte por insuficiência respiratória”, advertiu Socorro, citando que a asma está entre as principais causas de internação entre crianças de até seis anos. Além disso, ela é a causa da morte de aproximadamente 2,5 mil pessoas por ano em todo o Brasil.

CONTROLE

A adesão do paciente ao tratamento, o que significa a ingestão de medicamentos continuamente, é a principal garantia do controle da doença. “No dia mundial, aconteceu mobilização em todas os continentes porque a asma é uma doença que atinge todo o mundo”, disse Socorro, definindo a doença como uma doença inflamatória crônica nas vias aéreas. Quando há inflamação dos brônquios, seus músculos se contraem e ficam mais estreitos e inchados. Ao mesmo tempo, há um aumento da produção de secreção no pulmão e dificuldade da passagem de ar, dificultando a respiração.

Apesar do clima úmido do Amazonas ser um fator que favorece a doença, o estado com maior incidência dela no Brasil é a Bahia. Segundo a médica, a asma é mais comum em grupo de jovens até os 40 anos de idade no País.

Tratamento deveria ser ampliado

O fato de não ter cura torna a asma uma doença que deveria ter o seu tratamento ampliado a todas as unidades de saúde. Quando o paciente está em crise, pode recorrer a um pronto-socorro e ser medicado nesse aspecto, mas há necessidade de ampliação do atendimento continuado, destaca a médica Socorro Cardoso.

Essa ampliação, segundo a especialista, seria um fator a mais para sensibilizar o paciente a aderir ao tratamento e acompanhamento continuado. Atualmente, apenas o Ambulatório Araújo Lima, da Ufam, faz esse trabalho do Paca, explica Socorro. De acordo com a médica, atualmente há bons medicamentos para o controle das crises de asma, que são incômodas e, dependendo da intensidade, podem tornar-se perigosas.

“A pessoa pode morrer com falta de ar”, disse ela, lembrando que toda última quinta-feira de cada mês, acontece a reunião de pacientes e médicos que atuam no Paca para apresentação de vídeos educativos e palestras alertando para o tratamento da doença. “O que queremos é chamar a atenção para o tratamento da asma e para o fato de que cada vez mais é possível controlar a doença e viver com ela, garantindo uma qualidade de vida”, afirma Socorro.