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Banda de Manaus leva medalha de bronze em campeonato mundial de marcha

Alunos da escola estadual Petrônio Portella conquistaram o reconhecimento dos jurados do Campeonato Mundial de Bandas de Marcha e Show

Maestro Wellington Brito coordena os alunos desde 2002

Maestro Wellington Brito coordena os alunos desde 2002 (Antonio Lima)

Os bombardinos, bumbos e coreografias da Banda Marcial do Petrônio Portella, escola estadual da Zona Oeste de Manaus, conquistaram o reconhecimento dos jurados do Campeonato Mundial de Bandas de Marcha e Show (World Championship of Marching Show Bands), realizado em Bragança Paulista (SP) no último final de semana. O grupo, formado por alunos e ex-alunos da escola, voltou para casa com a medalha de bronze e um passe garantido para a competição do próximo ano, que será realizada na Dinamarca.

Segundo o maestro e coordenador do projeto, Wellington Brito, esta foi a primeira participação da banda amazonense em um Mundial. “Foi bem concorrido porque disputamos com 28 bandas de diversos países, como Canadá, Venezuela, Colômbia, Uruguai, Polônia e Alemanha”, conta ele. Ainda assim, os 85 alunos do Petrônio Portella ficaram entre as dez equipes mais qualificadas, conquistando o bronze nas três categorias em que disputaram: “Parada Competitiva”, “Show Competição” e “Batalha de Percussão”.

O desempenho, de acordo com o maestro, é resultado de dois meses de preparação e intensos ensaios. “Fizemos um trabalho concentrado. Eles abriram mão até das férias escolares de junho para se dedicarem de manhã e à tarde aos ensaios, que aconteciam de segunda a segunda, das 8h às 17h, enquanto que nossos encontros normais duram apenas 1h por dia, de segunda a sexta”, explica ele, formado em Música pela Ufam e à frente da banda desde 2002.

De acordo com Brito, a preocupação com o preparo dos ritmistas se deu porque ninguém no Amazonas trabalha com o estilo Marcha Show exigido pelo campeonato mundial. “Mas convenci os alunos e graças a Deus conseguimos nos classificar”. Até então, os músicos da banda marcial do Petrônio não executavam coreografia, tarefa que ficava por conta de um grupo de alunos à parte. Para a competição em São Paulo, a dinâmica se modificou.

“Isso foi o que deu mais trabalho de adequar, porque é difícil tocar músicas com alto grau de dificuldade e, ao mesmo tempo, fazer coreografias e movimentos sincronizados, o que é diferente do que a gente costuma fazer. O estilo Marcha Show exigiu uma integração maior entre os músicos e o corpo coreográfico. Por isso essa medalha foi uma surpresa, porque prova que conseguimos alcançar nosso objetivo”, destaca o maestro.

Para a apresentação em São Paulo, a banda interpretou músicas espanholas como “Estancia”, do compositor Jay Dawson, e “Malagueña”, de Ernesto Lecuona. A proposta, segundo Brito, foi usar uma diversidade de instrumentos como trompetes, trombone, trompa, bombardinos, tubas, caixa, bumbo e prato. O repertório da banda, entretanto, vai além: ela toca de Tchaikovsky a Tim Maia e Jota Quest.

ENCONTRO DE TALENTOS

Brito costuma dizer que os alunos entram na banda por curiosidade e permanecem pela força de vontade. “Eles não precisam ter experiência na música, porque aprendem tudo lá, da teoria à prática. Também é uma banda que está sempre se renovando, pois muitos ex-alunos acabam seguindo na profissão e ingressam em cursos de Música na universidade”, comenta. Segundo ele, a Secretaria de Educação (Seduc) fornece a estrutura necessária para isso, incluindo os instrumentos, que pertencem à escola.

O percussionista Ícaro Costa, de 18 anos, é um exemplo de que a banda marcial do Petrônio Portella também ajuda a revelar vocações para a música. Ele conta que decidiu concorrer a uma vaga na escola por conta da banda – ele concluiu o Ensino Médio no ano passado e não pretende deixar o grupo tão cedo.

“A música entrou na minha vida aos nove anos e me ajudou a superar um grande trauma. Depois disso, participei do projeto Jovem Cidadão e cheguei a ser solista de flauta transversal em um concerto da Orquestra de Violão do Amazonas. Foi quando o Wellington me convidou para tentar uma vaga no Petrônio, que eu já conhecia como uma escola de referência, e fazer parte da banda. Agora vou continuar até tomar o lugar do maestro”, brinca o jovem.

Ele define a experiência no Mundial, em São Paulo, como “sensacional”. “Como integrante, faço tudo que tiver ao meu alcance pela banda, e foi uma emoção competir com grupos grandes de outros países. Ganhar essa medalha foi uma satisfação enorme”.

Já a bombardinista Danielle Moura, de 21 anos, diz que o grupo do qual ela faz parte desde 2009 é uma verdadeira família. “Esse é o segredo para as pessoas continuarem tocando juntas mesmo depois de terminarem os estudos, como é o meu caso. Foi através da banda que decidi seguir na profissão e tive experiências que nunca imaginei antes”, afirma.

E para contagiar os alunos novatos com o “micróbio” da música, a banda marcial do Petrônio tem uma tática própria: fazer uma apresentação especial a cada início de ano letivo. Foi assim que Danielle foi recrutada.