Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Cinema: Longas alternativos estreiam em Manaus

As salas de cinema da capital amazonense estarão com um leque de opções bem variado este final de semana

Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux em “Azul é a cor mais quente”

Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux em “Azul é a cor mais quente” (Divulgação)

Boa notícia: os cinéfilos de Manaus não precisam mais viajar para outras metrópoles ou vasculhar recantos sombrios da web para assistir a “Azul é a cor mais quente” ou à primeira parte de “Ninfomaníaca”. O longa francês sobre a paixão entre duas adolescentes e o polêmico filme do cineasta dinamarquês Lars von Trier, que já estão em cartaz no circuito nacional, começarão a ser exibidos também nas salas de cinema locais a partir desta sexta-feira (17).

Grande vencedor do Festival de Cannes, “Azul é a cor mais quente” terá apenas duas sessões, amanhã e no sábado, às 22h45, no Playarte Manauara. Já “Ninfomaníaca – Parte 1”, que vem chamando a atenção do público pela evidente temática sexual, terá três sessões diárias – às 18h35, 21h25 e 22h25 – no Cinépolis Ponta Negra. Ambos serão exibidos em cópias legendadas.

Outro lançamento digno de nota é “O lobo de Wall Street”: o filme de Martin Scorsese, que rendeu um Globo de Ouro ao ator Leonardo DiCaprio no último sábado, chega ao circuito local em pré-estreia, com sessões com cópias legendadas nas redes Playarte e Cinépolis. A rede Cinemais, até o fechamento desta edição, não havia informado a programação de suas salas em Manaus para esta semana.

Boa surpresa

A estreia de “Azul...” e “Ninfomaníaca” em Manaus surpreende, levando-se em conta a aparente aversão dos exibidores ao chamado cinema de arte. A reclamação do público nas redes sociais, acredita o cineasta amazonense Sergio Andrade, pode ter contribuído para a inclusão dos títulos na programação dos complexos da cidade.

“Fizemos uma grita no facebook, e acho que isso fez os donos de exibidoras refletirem”, declara o diretor, que há pouco tempo iniciou uma campanha pela criação de uma sala de cinema de arte em Manaus (veja o box).

A difícil relação entre filmes de arte e o circuito local, vale dizer, não é de hoje. Andrade considera que a questão é um círculo vicioso, em que os exibidores não confiam no retorno destas produções entre o público, e a decorrente falta de hábito do público de prestigiá-las. “Assim, o exibidor diz que tal filme não vai interessar ao público, e o público acaba sendo alijado do hábito de assistir a esses filmes”, diz.

O produtor audiovisual Marcos Tupinambá, por sua vez, avalia que já existe suficiente demanda para a exibição de filmes de arte na cidade. Ele cita o público fiel do Amazonas Film Festival, o aumento da produção audiovisual e a atividade constante de cineclubes como indicadores de um mercado consumidor com potencial.

“Só posso concluir que público tem. O que falta é um desses grupos de cinema que existem na cidade voltarem sua atenção para isso. Ou uma instituição agregar valor à sua marca e bancar os custos de uma sala de cinema para os filmes alternativos, como acontece em outras capitais”, conclui.

Por uma sala alternativa

No último dia 31, Sergio Andrade lançou uma campanha nas redes sociais pela criação de uma sala de cinema dedicada a produções do circuito alternativo – filmes de autor ou de arte, produções independentes, em contraponto às produções do circuito comercial. A iniciativa surgiu de seu testemunho do sucesso de espaços similares em outras cidades, como o Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, ou o Cine 104, em Belo Horizonte. Até esta quarta-feira (15), a página da ação no Facebook tinha 859 curtidas.

Para o cineasta, a criação de uma sala de cinema de arte poderia resolver a dificuldade da falta de espaço para os filmes independentes no circuito comercial. “Uma sala voltada para filmes de arte seria a solução para isso. Mas tem de ser uma sala realmente boa, de extrema qualidade técnica”, assinala.

Com a adesão do público à campanha, o cineasta afirma que pretende, em breve, colocar no papel o projeto de uma sala nesses moldes para Manaus, para apresentá-lo ao poder público ou a instituições que possam ter interesse na iniciativa.