A designer de joias Marília Furlan tinha uma vida profissional bem sucedida. Estudou nos Estados Unidos, fez mestrado e administrava sua própria joalheria, a La Marrie, onde comercializava bolsas, joias e acessórios femininos criados por ela. Mas ao engravidar do marido, o militar da aeronáutica Eliézer, precisou tomar uma grande decisão: contratar uma babá para cuidar dos filhos ou largar tudo para se dedicar a eles.
Marília não teve dúvidas e corajosamente optou por se dedicar integralmente a Pedro, hoje com cinco anos, e Marina, com três.
“Acho que outra pessoa não faria o mesmo que faço pelos meus filhos. Elas são crianças que têm uma alimentação saudável, um ótimo controle emocional e eu mesma ensino para eles o que é solidariedade, gentileza e espiritualidade”, diz essa cearense, que casou com um paranaense e tem filhos nascidos no Rio Grande do Sul.
História de dedicação semelhante tem a funcionária pública Anete Said. Com três filhas com diferença de idade de menos de três anos, Anete só tem uma explicação para ter dado uma pausa na vida profissional: amor de mãe.
“Elas precisavam de mim e por isso fiquei em casa. E não me arrependo em nenhum momento do que fiz por elas”, repetiu diversas vezes durante a entrevista. “O resultado são filhas de caráter, responsáveis e que nunca beberam ou usaram droga”, frisa.
Quanto aos estudos essa mãe super dedicada tem filhas aplicadas estudando na Ufam: Karine que cursa Direito; Naime que estuda Odontologia e Larissa que faz residência médica em Parintins.
E mesmo com a prole já adulta, a mãe faz questão de dizer: “a hora que elas precisarem estarei à disposição”.
Equilíbrio
Mas apesar desse cuidado materno produzir bons frutos, a psicóloga Maria Odeth alerta para que essa dedicação intensa com os filhos não se torne uma obsessão. “Cada um tem a sua vida. Nós não somos donos dos nossos filhos. Já tive pacientes adolescentes em meu consultório reclamando que a mãe queria saber de tudo e que se sentia sufocada com isso. A criança precisa também se desenvolver com outras pessoas. Amar é uma coisa, mas viver o tempo todo junto pode fazer o filho perder sua individualidade”, adverte.
“É possível ensinar nossos filhos a viver bem, mesmo trabalhando”, completa.
Valeu a pena
Opinião diferente tem Lúcia Seixas. A psicóloga também precisou dar uma pausa nos estudos e no trabalho para criar os dois filhos.
“A educação principal deve ser dada em casa com a orientação dos pais. A criança já deve ir para a escola com o caráter formado. Muitos jovens se perdem na vida por não terem tido a educação primária do lar aliada aos princípios cristãos. Hoje, pela questão da modernidade estão terceirizando a educação dos filhos e isso não é bom”, alerta a psicóloga.
Lúcia Seixas diz que não viveu a chamada fase da aborrescência com os filhos. “Me anulei por eles e como resultado ambos tiveram um ótimo crescimento emocional e psíquico. Pra mim valeu a pena”, comenta Lúcia que após tantos anos de dedicação teve o prazer de entrar na faculdade junto com os filhos. “Hoje estamos todos formados”, conclui a psicóloga.