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Às vésperas do Dia do Rock, cantor Nick Drake ganha tributo desafiador em Manaus

O guitarrista Raphael Fonsêca resolveu homenagear o cantor britânico conhecido por arranjos difíceis, postura tímida nos grandes palcos do mundo e uma das maiores influências do cantor Renato Russo

Arranjos difíceis, afinação alternativa e voz super grave são as marcas do cantor

Arranjos difíceis, afinação alternativa e voz super grave são as marcas do cantor (Divulgação)

A postura tímida, a voz grave, o dedilhado primoroso. O cantor britânico Nick Drake, falecido em 1974, tinha características únicas a ponto de se tornar quase inimitável. E apesar da proximidade do Dia Mundial do Rock, foi a ele – ícone um tanto distante do status de rockstar - que o guitarrista Raphael Fonsêca resolveu prestar homenagem hoje à noite, no Espaço Cultural O Alienígena, em um tributo que mais se assemelha a um desafio.

A (curta) carreira de Nick Drake é permeada, em sua grande maioria, por músicas de conteúdo reflexivo e até mesmo depressivo. Ele gravou apenas três discos: “Five Leaves Left”, “Bryter Layter” e “Pink Moon”, todos na linha folk e em claras demonstrações de virtuosidade com o violão. Para fazer jus ao homenageado, Fonseca diz que tem ensaiado de forma incansável todos os dias.

“Maioria das músicas são no estilo fingerstyle. O tempo é quebrado e os acordes são difíceis, mas bem feitos, sofisticados e com aquele clima soturno”, explica o guitarrista, apontando para as afinações alternativas e a técnica de dedilhado primorosa. A voz super grave de Drake também não deixa o trabalho mais fácil, obrigando Fonsêca a fazer certas adaptações. “Ele era barítono e eu sou tenor. Algumas músicas eu vou ter que adaptar a tonalidade; outras, até que dá para cantar no mesmo tom”, disse.

Fama e repercussão


Raphael Fonsêca conta que a ideia do tributo foi muito bem recebida pelo público local, atestando a fama da genialidade de Drake. O cantor britânico, no entanto, não gozou de sucesso enquanto vivo - boa parte por sua própria culpa. Suas aversões pessoais acabaram lhe rendendo a pecha de anti-herói.

“Ele não conseguia fazer shows, dar entrevistas. Era super tímido, tinha problemas com depressão. Apesar de na época a crítica ter elogiado o trabalho dele, quem é músico sabe que não basta gravar, você tem que se divulgar. Ele até queria ter sucesso, mas acho que não estava preparado para isso”, frisa o guitarrista. “Tem gente que acredita que ele não lançou nada ruim. O Nick Drake é quase uma unanimidade no mundo rock”.

Jorge Bandeira, que comanda o Espaço Cultural O Alienígena, explica que Nick Drake serviu de influência para diversos músicos, com destaque para Renato Russo (Legião Urbana) e Robert Smith (The Cure), os quais sempre citavam o britânico em entrevistas, reconhecendo seu potencial.

“Conheço faz algum tempo o Nick Drake. O Renato Russo costumava citá-lo muito como influência para sua forma de compor as melodias e cantar. O Robert Smith também o aponta como referência para a fase mais dark do The Cure”, conta.

Repertório

O tributo idealizado por Raphael Fonsêca terá por volta de 1h20 de duração, fazendo um passeio por toda a discografia de Drake. “Escolhi o repertório para pegar basicamente um pouco do clima dos três álbuns”, adianta, dizendo que durante o show irá fazer uma pequena explicação sobre cada um destes.

“O ‘Five Leaves’ é disco folk mais trabalhado no violão, com arranjos marcantes. Já o ‘Bryter Layter’ eu tentei pegar as músicas com maior apelo comercial. E o terceiro, o ‘Pink Moon’, é o disco da decadência. Não foi bem produzido, apesar de ter diversas faixas geniais e mostrar também a queda dele como artista”, diz.

Aura mítica

Mitos envolvem a previsão do artista para com seu próprio destino. Um exemplo é a música “Fruit Tree”, na qual ele setencia, por meio de repetidas metáforas, o caso de um sucesso apenas vindo pós-morte. “Árvore frutífera / Ninguém conhece você, só a chuva e o ar / Não se preocupe / Eles ficarão de pé e olharão quando você se for”. E em 1974, após uma overdose de antidepressivos, Drake sucumbiu. Não pôde testemunhar um mundo perplexo, porém admirado com sua sensibilidade musical. Fica o tributo.

Serviço

O quê Tributo a Nick Drake

Quando Hoje, a partir das 20h

Onde Espaço Cultural O Alienígena (Rua Lima Bacury, 64-C, Centro)

Quanto R$ 10